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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Luan é um jogador sem posição nesse Corinthians que evolui

Luan em ação pelo Corinthians contra o Palmeiras, na Neo Química Arena - Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Luan em ação pelo Corinthians contra o Palmeiras, na Neo Química Arena Imagem: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

12/06/2021 20h56

O clássico contra o Palmeiras confirma que o Corinthians de Sylvinho é um time diferente daquele que víamos jogar antes dele chegar. Tem mais movimentação, tem triangulações, tem intensidade. O lado direito, com Fagner e Gustavo Mosquito, ensaia ser um espaço de ataque bastante interessante.

No meio, Gabriel aparece bem como um volante que chega para finalizar e também é capaz de organizar a saída de bola. Fabio Santos, seguro, cresce como liderança em campo. Existe, ao que parece, um time nascendo.

Mas o que faz o Luan? Em que posição ele joga?

Quando o time defende, ele é o cara da sobra de bola e fica assistindo a tudo ali do ataque. Quando o time recupera a bola, ele fica zonzo e corre desorientadamente, como quem não consegue encontrar seu território em campo. Na maior parte do jogo, pode ser visto andando para lá e para cá pela intermediária. Nas raras ocasiões em que se movimenta com intensidade, acaba atrapalhando a articulação da jogada porque está sempre muito perto de outro jogador - ou de dois outros. Parece perdido, completamente perdido, e deslocado. Não ataca, não defende, não arma, não cria espaço, não finaliza.

No último lance do jogo, Leo Natel arrancou para um contra-ataque fulminante e Luan correu ao lado dele, sem abrir, sem dar a chance para um passe, e, claro, a defesa tirou com facilidade. Era uma oportunidade para a virada, mas Luan não estava presente.

No mais, o VAR protagonizou outra vez. Anulou um gol do Palmeiras que, a olho nu, era um caso de "mesma linha". O VAR um simulacro de justiça, não é justiça em si.

O Corinthians foi melhor, foi mais intenso. Mas é clássico e o Palmeiras poderia facilmente ter saído com a vitória porque jogou como gosta: contra-atacando.

Sylvinho precisa entender o que quer de Luan. Luan precisa se reconectar ao jogo. É um bom jogador e, se encontrar seu lugar, pode colaborar muito.

Tem um time querendo nascer e contra o badalado e sólido Palmeiras o Corinthians foi bem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL