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Como o Rei do Futebol desbravou o marketing e o entretenimento esportivo

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Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduado e mestrando em Direito Desportivo, é conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro "#Prass38".

23/10/2020 04h00

Por Ivana Negrão e Thiago Braga

Pelé completa 80 anos recluso. Depois de problemas de saúde que comprometeram a locomoção, ele tem evitado compromissos sociais e os encontros virtuais tão comuns em meio a pandemia estão mais restritos à família.

Apesar da "ausência", é impossível dizer que o Rei do Futebol está longe dos holofotes. "Pelé é o grande nome do entretenimento esportivo. E é possível arriscar que ele foi o primeiro grande no mundo", sugere Marcos Motta, advogado especialista em direito esportivo.

Mas como quem enganou a patrocinadora das chuteiras na Copa de 70 se tornou uma marca tão forte? "Pelé soube construir em torno de si uma história, muito antes do marketing esportivo se tornar uma realidade e uma necessidade", avalia o professor de gestão esportiva Fernando Fleury.

"Talvez até de maneira inconsciente. Mas, sem dúvida, deu o pontapé inicial para o entendimento do esportista como criador de conteúdo 'monetizável'. Foi o que ele fez", completa Marcos Motta.

Pelé já foi marca de café, personagem de história em quadrinhos, ator, fez filme com Sylverter Stalone e gravou disco. Teve até patrocínio de marca de cachaça. Ele ultrapassou fronteiras.

Tostão relatou no livro "Tempos Vividos, Sonhados e Perdidos" que o camisa 10 da seleção canarinho tirou a marca da chuteira com a qual gostava de jogar e colocou a marca da empresa com quem tinha contrato. Porém, não houve reclamação a respeito.

"Pelé jogou com a chuteira que queria, confirmou que era o melhor de todos os tempos, o Brasil foi campeão e as duas empresas ficaram felizes com o lucro", descreveu Tostão.

"Ele entendeu a posição dele no mercado global. Numa época sem internet, quando não havia transformação digital", destaca Marcos Motta.

Agora, uma exposição no Museu do Futebol, em São Paulo, foi montada em homenagem aos 80 anos de Pelé, com o intuito de mostrar esse ícone às gerações que não o viram jogar.

"Acredita no 'véio'. Pode falar que o 'véio' tem força, faz seu time ganhar", diz a música lançada no último dia 19. Cantada pelo Rei do Futebol, a canção é voltada para o público infantil em parceria com os vencedores do Grammy de 2019, Rodrigo y Gabriela.

A marca Pelé deve valer hoje entre R$ 600 milhões e R$ 1 bilhão e é "muito provável que se mantenha 'viva' por muitos e muitos anos, porque hoje ela transcende o Edson. Ela tem vida própria", acredita Fernando Fleury.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL