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Prejuízo gerado pela Covid-19 no esporte só será revertido em 2022

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro ?#Prass38?.

10/09/2020 04h04

Por Thiago Braga

A pandemia causada pelo novo coronavírus arrastou para baixo a economia mundial, causando recessão e desemprego. Parte importante da indústria, o esporte, mais especificamente o futebol, já sente os efeitos negativos causados pela Covid-19.

Estudo realizado pela Associação Europeia de Clubes (ECA), apontou perda de 4 bilhões de euros nas temporadas 19/20 e 20/21. Isso sem contar a diminuição das receitas geradas pelas transferências de jogadores. Andrea Agnelli, presidente da Juventus e da ECA, prevê uma queda entre 20% e 30% nos valores envolvidos nas transações. "Muitos clubes estão com sua existência em risco", ressaltou Agnelli, em assembleia virtual da entidade.

"As economias, quando muito, estão operando com 90% da operação do nível pré-pandemia. Uma atividade econômica no mínimo 10% menor. A retomada é uma coisa para 2022. Vale para o futebol e vale para todas as áreas da economia", analisa o consultor de marketing Fernando Ferreira.

O futebol é o carro-chefe do esporte, mas não será a única modalidade a sofrer os efeitos da pandemia. "O esporte profissional global perderá mais de US$ 15 bilhões pelos impactos da Covid-19. Isso representa 2% do que se movimenta com esporte no mundo", afirma o consultor de marketing Amir Somoggi.

A KPMG projeta que os cinco principais campeonatos nacionais do mundo (Inglês, Espanhol, Alemão, Italiano e Francês), vão perder outros US$ 4,5 bilhões, somados.

"Espera-se que a economia global se recupere em dois ou três anos anos, então é possível que este seja o tempo para o futebol retomar seu caminho", projeta o economista César Grafietti.

A Uefa vai reembolsar as emissoras de TV em 575 milhões de euros, devido à interrupção da Liga dos Campeões e Liga Europa, provocada pela pandemia. "Quando o consumidor está na defensiva, os anunciantes também ficam na defensiva. Os direitos de transmissão vão ser impactados, como outras fontes de receita. Num mercado recessivo, esse tipo de redução é natural", justifica Fernando Ferreira.

Entre as receitas afetadas pela Covid-19, estão o dinheiro proveniente da comercialização dos ingressos e de venda de produtos em dias de jogos, uma vez que as partidas ainda são disputadas sem a presença de público.

Levantamento da EY feito a pedido da CBF apontou que o futebol brasileiro correspondeu a 0,72% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2018. Foram 156 mil empregos gerados e os salários e encargos sociais ficaram em R$ 3,34 bilhões. "No Brasil, o futebol já anda acima do PIB, só que os clubes estão estruturalmente piores. Dependerá muito do comportamento das receitas de TV. Mas não vejo retomando antes da Europa", finaliza Grafietti.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL