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Atletas se unem, pedem responsabilidade aos clubes e direitos. Em Portugal

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro ?#Prass38?.

11/05/2020 12h54

A união é sempre indispensável na proteção de direitos, e na luta por melhores condições de vida de uma categoria. Isso é histórico. E em momentos de crise, ela se torna indispensável. Os jogadores de futebol entenderam isso, e se uniram em um grande manifesto para proteger os menos favorecidos, e cobrar mais responsabilidade das entidades esportivas. Isso, lá em Portugal.

Os capitães das equipes portuguesas escreveram um manifesto em que pedem mais proteção aos atletas de divisôes inferiores, aquele mais atingidos economicamente pelo coronavírus.

Segundo o portal português O Sapo, o manifesto foi assinado por 69 capitães de equipes portuguesas e entregue ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes. Lá está escrito que o impacto da pandemia tem um impacto ainda maior para aqueles que ganham menos, onde muitos jogam pela sobrevivência. Além do que que, vários atletas estão desamparados.

Os atletas apoiaram algumas medidas tomadas pela Federação nesse momento de crise, como a criação de um fundo e apoio aos clubes. Mas, em seguida, lembram que é fundamental que existam regras para o clube ter acesso a esse recurso, como cumprimento de contratos, e transparência de gestão. Assim, não se permite que gestões irresponsáveis tenham acesso a esse recurso fundamental de socorro.

Além disso, os capitães questionam a federação sobre o dinheiro do prêmio aos jogadores da seleção que seria dado pela Euro 2020. Os jogadores doaram esses valores, com a condição de entregar o recurso para os jogadores das divisões menores de Portugal. A Federação colocou o recurso na linha de crédito aos clubes, e não entregou para os atletas.

O movimento coletivo também cobra garantias de cumprimentos de pagamentos pelos clubes, punição para aqueles que não cumprirem contratos, e que atletas que não tenham recebido possam deixar o clube sem autorização do mesmo.

Ou seja, eles entenderam a força que têm como classe. E abriram uma janela de diálogo necessária nessa crise, fazendo com que a voz dos protagonistas do jogo seja ouvida.

Eles querem o óbvio. Que os atletas se juntem nesse grande diálogo com a federação, clubes e entidades esportivas.

Me parece lógico o que acontece em Portugal.

O que estranha é passividade histórica dos atletas brasileiros.

Quando eles irão entender a força coletiva que têm?

Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo

Lei em Campo, por Andrei Kampff