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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

França é muito mais fraca do que parece e está longe de ser única favorita

Mbappé e Benzema discutem em jogo da França contra a Croácia pela Liga das Nações - Jose Breton/Pics Action/NurPhoto via Getty Images
Mbappé e Benzema discutem em jogo da França contra a Croácia pela Liga das Nações Imagem: Jose Breton/Pics Action/NurPhoto via Getty Images
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

13/06/2022 18h47

Quatro jogos, nenhuma vitória, já eliminada da Nations League e com chances reais de cair para a Liga B, a segunda divisão da competição europeia. Esta é a situação da França após a quinzena agitada pela futebol de seleções e que antecede as férias do futebol de primeiro nível. Nesta segunda, a derrota foi em casa para a Croácia.

A França é tida por quase todo mundo como "a melhor seleção do mundo", inclusive foi assim tratada por este blog no ciclo entre-Copas - ainda que o escriba tenha apostado contra a França em todas as frentes na Eurocopa. Hoje, não tenho a menor dúvida: a França não é a melhor seleção do planeta.

Ainda pode ser colocada na primeira prateleira, pelos nomes em algumas posições, mas junto com um monte de gente. Não existe a prateleira francesa, sozinha, lá em cima.

Não são só os resultados da Nations League que corroboram isso - ainda que talvez estes fossem suficientes, pois estamos a cinco meses do Mundial e não haverá tempo de treinamentos daqui até o Catar. O futebol que a França mostra hoje é o futebol que mostrará na Copa.

É verdade que os franceses ganharam a última Nations League, em outubro do ano passado, mas é bom lembrar que a final contra a Espanha teve decisão muito polêmica de arbitragem e poderia ter ido para qualquer lado. A virada contra a Bélgica, na semifinal, também mostrou que a França tinha problemas. Antes, nas eliminatórias para a Copa-2022, empates contra Ucrânia (duas vezes) e Bósnia marcaram a caminhada.

A seleção campeã em 2018 tinha um meio de campo fortíssimo e amadurecido, formado por Kanté, Pogba, Matuidi e Griezmann, com Mbappé e Giroud à frente. Era um time com casca e com uma ferida aberta, a derrota para Portugal naquela final de Euro, em casa. No time atual, é óbvio que Benzema no lugar de Giroud é um upgrade e que Mbappé evoluiu.

Mas onde foi parar o meio de campo? Pois é. Não tem milagre no futebol. Não basta ter os dois melhores jogadores do mundo à frente, é preciso ter uma engrenagem que funcione, só o jogo coletivo pode potencializar as individualidades.

Nos quatro jogos de junho pela Nations, a França atuou em duas partidas com Lloris no gol e em outras duas com Maignan, que fez uma grande temporada no Milan. Quem é o titular? Não está claro. OK, são duas boas opções, mas a França não tem um goleiro titular absoluto a cinco meses da Copa. A defesa jogou com linha de três na derrota para a Dinamarca, mas depois atuou com quatro atrás. Não estamos falando dos melhores laterais e zagueiros do futebol europeu.

E o meio de campo? Não se sabe. Kanté vive claro declínio na carreira, o mesmo serve para Griezmann. Pogba e Matuidi não estão mais. O mais titular de todos parece ser Tchouaméni, promessa de futura estrela do Real Madrid, mas um jogador ainda sem bagagem. Vai ganhar a Copa com Kamara, Rabiot e Guendouzi?

Não basta ter Mbappé e Benzema à frente. O problema da França é que a transição está ocorrendo neste exato momento, e é muito difícil fazer uma transição como estas no parco tempo restante para a Copa do Mundo. Não estou apontando o dedo para Deschamps, rolou uma pandemia no meio e não é todo novo jogador que é Mbappé. O treinador é quase uma vítima e, percebendo que tinha problemas, resgatou Benzema.

A França pode ganhar a Copa do Mundo? Pode. Mas, hoje, está atrás de Brasil e Argentina, jogando menos bola que a Espanha e com elenco menos estrelado do que Portugal. Pode ganhar. Mas tem bem menos pinta do que tinha quatro anos atrás.