PUBLICIDADE
Topo

Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

River Plate assusta, mas substituir Julián Álvarez não será nada fácil

Julián Álvarez, do River Plate, comemora um de seus seis gols contra o Alianza Lima pela Copa Libertadores - JUAN MABROMATA / AFP
Julián Álvarez, do River Plate, comemora um de seus seis gols contra o Alianza Lima pela Copa Libertadores Imagem: JUAN MABROMATA / AFP
Conteúdo exclusivo para assinantes
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

25/05/2022 21h25

O River Plate fez 8 a 1 em cima do Alianza Lima, um verdadeiro massacre para encerrar a fase de grupos da Libertadores. Julián Álvarez fez história, meteu seis gols. É o segundo jogador a conseguir a marca em um jogo da competição máxima sul-americana, o outro foi Juan Sánchez, que em 1985 brilhou em um jogo absolutamente desimportante reunindo Blooming (Bolívia) e Deportivo Itália (da Venezuela, que até já mudou de nome).

O River Plate assusta. Não só pelos 8 a 1, mas pela maneira como joga bem futebol, triangula, encontra espaços, sucumbe o adversário e, o principal, batalha o tempo todo. Já quando goleava o Alianza Lima, com classificação e segunda posição geral garantidas, o time de Gallardo seguia em cima, pressionando, roubando bola e buscando gols.

É um time que cede chances, principalmente na bola aérea defensiva. Está longe de ser perfeito, acaba de ser eliminado pelo minúsculo Tigre em jogo único na Copa da Liga argentina. Mas claramente segue sendo a grande ameaça ao reinado dos brasileiros na Libertadores.

Desde o começo da competição, digo que qualquer coisa que não seja River, Palmeiras, Flamengo ou Atlético-MG campeão será uma surpresa. São os quatro destacados favoritos.

É inegável que o tempo maior de trabalho dá vantagem a River e Palmeiras - que, por sinal, decidirão todos os mata-matas a partir de agora em casa (caso se enfrentem, a vantagem do segundo jogo em casa é palmeirense).

Só que não podemos ignorar o fato de o River Plate perder a partir de agora Julián Álvarez, vendido ao Manchester City por 20 milhões de euros. Se o Galo perdesse Hulk, se o Flamengo perdesse Gabriel, se o Palmeiras perdesse Dudu, também teriam problemas. O River perde uma peça chave, um atacante fantástico e que é capaz de fazer gols de maneiras muito variadas.

O valor pago pelo City é uma verdadeira mixaria, uma pechincha. Se Pep Guardiola for esperto, usará - e muito - o atacante da seleção argentina. Convencionou-se dizer que Haaland era tudo o que o City precisava para um ataque que sente falta de um homem-gol. Bem, Haaland vai ter uma bela de uma sombra no elenco.

Se o sorteio de sexta-feira emparelhar o River com uma molezinha, possivelmente não veremos mais Álvarez vestir a camisa do clube. Mas e se der um River x Boca nas oitavas? Bem, aí é até capaz que ele volte dos amistosos da Argentina, se reapresente e tente ajudar o clube antes de viajar para a pré-temporada do City, em julho.

A busca por um atacante para substitui-lo é inglória. A imprensa argentina fala em Borja (!), que, no entanto, já declarou que quer ficar no Junior Barranquilla (!!). Merentiel era uma opção, mas o Palmeiras já fisgou o uruguaio. Não será fácil para o River.

De qualquer maneira, Palmeiras, Flamengo e Atlético não terão de se preocupar com Julián Álvarez nesta Libertadores. E esta é uma bela notícia.