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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Gomes: No mundo das seleções, Brasil é forte e pode ganhar de qualquer um

Vinicius Júnior tenta lance pela seleção contra a Argentina - Lucas Figueiredo/CBF
Vinicius Júnior tenta lance pela seleção contra a Argentina Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

17/11/2021 04h00

Em poucos dias, a Data Fifa nos mostrou algumas coisas interessantes. A seleção brasileira fez jogos competitivos contra Colômbia e Argentina, ganhou o primeiro na marra e na bola, em casa, e empatou o segundo fora de casa, jogando uma partida melhor do que a Argentina.

Na Europa, as badaladas seleções de Itália e Portugal não conseguiram se classificar para a Copa do Mundo e terão de disputar a repescagem. Quem foi responsável por isso? Suíça e Sérvia. Duas seleções que estavam no grupo do Brasil na Copa de 2018 e que a "opinião pública", de forma geral, considerava que a seleção tinha de ter passado o carro por cima.

É o tal "espírito de pitbull" do brasileiro quando o assunto é futebol. Seguem achando que só no Brasil que se joga bola e que a seleção tem a "obrigação" de ganhar sempre. Respeito zero pelo resto.

É uma falsa equivalência dizer que as eliminatórias sul-americanas têm nível abaixo das europeias. A Inglaterra ganhou de 10 a 0 anteontem. Tem muito mais baba lá do que cá. Será que Suíça e Sérvia, classificadas para a Copa, têm nível muito superior à Colômbia, por exemplo? Será que algum desses times aguenta um joguinho em La Paz ou em Quito ou até em Manaus?

As eliminatórias sul-americanas são uma baita casca de banana. Jogos duros - todos - e em condições muito diferentes. O que o Brasil faz é para ser muito elogiado. E não é porque a seleção não tenha jogadores de garantias em uma ou outra posição, não é porque a seleção não "atropela" todo mundo que vem pela frente, que não seja fortíssima candidata ao título mundial daqui a um ano.

Quem joga mais que o Brasil? A Argentina melhorou muito, está invicta há um tempão (27 jogos), ganhou a Copa América no Maracanã e claramente é uma seleção competitiva. Mas, ontem, em casa e contra uma seleção sem Neymar, não fez por merecer a vitória. Não teve bola para isso.

A França? Creio que seja a melhor seleção do mundo. São muitos nomes fortes em todos os departamentos, a confiança por ser campeã do mundo. Mas caiu aí na Euro outro dia para a Suíça (olha ela aí de novo). Antes das cinco vitórias seguidas (série atual), eram cinco empates seguidos, incluindo alguns contra as possantes Hungria e Bósnia.

Nenhuma seleção do mundo está atropelando. Até porque é muito complicado o futebol de seleções - jogadores viajam, se juntam, treinam uma ou duas vezes e vão a campo. Quando teve tempo, na Eurocopa, a Itália apresentou coisas muito legais. Depois, sem tempo e com desfalques, se meteu nesse buraco nas eliminatórias europeias.

A seleção brasileira terá tempo de treinar e para Tite fazer as últimas escolhas. Nas laterais, o problema segue. No meio, já não há mais tantas dúvidas sobre Fred e Paquetá, que estão empilhando grandes partidas. O Brasil chegará ao Catar muito, muito, muito forte. Pode ganhar, pode perder. É do jogo, a Copa do Mundo é uma competição curta e cada partida é uma história.

O futebol é global, é equilibrado, não há só mais três ou quatro países fortes. Qualquer um pode ganhar de qualquer um. E o Brasil pode ganhar de todo mundo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL