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Julio Gomes

REPORTAGEM

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Itália joga para espantar fantasmas e evitar fiasco de quatro anos atrás

Suecos comemoram, na trágica noite de novembro de 17 para a Itália - Getty
Suecos comemoram, na trágica noite de novembro de 17 para a Itália Imagem: Getty
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

12/11/2021 04h00

Foi no dia 13 de novembro de 2017 que a Itália viveu uma das noites mais tristes de sua história no futebol. Eliminada pela Suécia na repescagem, ficou fora da Copa do Mundo - pela primeira vez em 60 anos.

De lá para cá, a seleção azzurra mudou de técnico, sofreu uma renovação e, antes mesmo do planejado, deu a volta por cima: foi campeã da Europa no meio deste ano (a Euro-2020 ficou para 2021 devido à pandemia). Mas ainda falta um fantasma para espantar. Para que o resgate não seja em vão, é preciso carimbar o passaporte para o próximo Mundial, o do Catar-2022.

Nesta sexta, a Itália recebe a Suíça e jogará diante de mais de 50 mil pessoas em Roma, na partida decisiva do grupo C das eliminatórias europeias para a Copa. As duas seleções dividem a liderança, com 14 pontos, mas a Itália tem dois gols a mais de saldo (11 a 9).

Quem vencer, estará na Copa. Não será uma classificação matemática, mas bastará à vencedora conseguir um ponto na última rodada - ambas têm jogos tranquilos na segunda-feira que vem, Suíça x Bulgária e Irlanda do Norte x Itália. Caso haja empate hoje em Roma, aí tudo será decidido no último jogo. Quem fizer o melhor resultado, avançará. E, se o mais provável acontecer - ambas vencerem -, aí a definição vai para o saldo de gols.

Quem ficar em segundo lugar no grupo, disputará a repescagem no ano que vem. Foi justamente na repescagem que a Itália sucumbiu, quatro anos atrás, diante da Suécia (1 a 0 para os nórdicos na ida, 0 a 0 na volta). Só que a repescagem do ano que vem será diferente. Para se classificar para o Mundial, será necessário ganhar duas partidas únicas, com disputa de pênaltis em caso de empate. Ou seja, mais margem ainda para zebras.

Do time do fiasco, quatro anos atrás, quatro caras foram titulares na final da Euro, contra a Inglaterra: os xerifes da defesa, Bonucci e Chiellini, o volante Jorginho e o atacante Ciro Immobile. Destes, estarão hoje em campo Bonucci e Jorginho, já que os outros dois estão fora por lesão. No ataque, pode aparecer Belotti, mais um remanescente de 2017.

Roberto Mancini diz ao mesmo tempo que é necessário ter "tranquilidade" e que "é a partida mais importante do ano". Considerando o tamanho do ano italiano, a declaração mostra como é importante evitar um novo vexame. "Aquilo que aconteceu seguirá conosco, mas devemos olhar para frente", falou Bonucci. "Nestes dias, respirei um ambiente positivo, com o equilíbrio correto entre pressão, concentração e entusiasmo".

A Suíça foi justamente uma vítima da Itália na campanha da Euro, caindo por 3 a 0. Depois disso, em setembro, as duas seleções empataram sem gols jogando na Suíça. Nos últimos dez jogos, são cinco vitórias italianas e cinco empates. A última vitória helvética ocorreu 28 anos atrás, nas eliminatórias para a Copa de 94.

É uma seleção multiétnica, que eliminou a toda-poderosa França da Euro e que costuma dificultar para times supostamente melhores, pois sabe se fechar e se defender muito bem. Trocou de técnico, com a saída do bósnio Petkovic, que ficou por sete anos no cargo, e optou por Murat Yakin, que defendeu a seleção como jogador, mas tem uma carreira que não chama muito a atenção como treinador.

"Aquele episódio com a Suécia ficou para trás, eles já superaram. Agora devemos ser nós os fantasmas da Itália", disse Yakin.