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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Brasil começa bem. Futebol é a única modalidade em que ouro é obrigação

Richarlison sai para comemorar enquanto o zagueiro Pieper fica caído em um dos gols do Brasil contra a Alemanha - Phil Noble/Reuters
Richarlison sai para comemorar enquanto o zagueiro Pieper fica caído em um dos gols do Brasil contra a Alemanha Imagem: Phil Noble/Reuters
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

22/07/2021 10h25

A seleção brasileira começou bem o torneio olímpico, com vitória por 4 a 2 sobre a Alemanha - três gols de Richarlison. O atacante, que também joga na seleção principal, é o nome dos Jogos até agora! Claro, nem Cerimônia de Abertura teve ainda. Daqui a 15 dias, este momento de Richarlison em Yokohama será uma memória distante.

"A defesa alemã é tipo manteiga no verão", analisou o comentarista da TV portuguesa, onde vi o jogo. Boa definição. Uma baba. O Brasil fez três no primeiro tempo, só não fez muitos mais porque o goleiro Florian Muller, do Stuttgart, se destacou. Pegou até pênalti batido por Matheus Cunha.

No segundo tempo, rolou a famosa tirada de pé. O Brasil parou de jogar, a Alemanha fez ajustes na marcação e equilibrou a partida. Diminuiu em uma falha clara do goleiro Santos, que aceitou um chute defensável. No fim, de cabeça, fez o 3 a 2, quando já tinha um homem a menos, e deu um susto. Susto que a seleção olímpica não deveria ter sofrido, dada a facilidade que teve no primeiro tempo e a vantagem que abriu no placar. Nos acréscimos, Paulinho marcou o quarto e matou a partida.

Se olharmos para o torneio olímpico de futebol masculino, quem poderá ameaçar o Brasil? A Argentina não tem nenhuma estrela e começou apanhando da Austrália.

Os europeus mandam, de fato, equipes com jovens. A Alemanha mostrou-se muito frágil. A França (com presença de Gignac, aquele!) começou levando 4 a 1 do México. E a Espanha ficou no 0 a 0 com o Egito. A Espanha tem, entre os titulares, meio time que foi titular e semifinalista na Eurocopa, incluindo Pedri e Unai Simón. Seria, portanto, a grande adversária do Brasil na competição, mas começou muito mal.

É sempre bom ficar de olho no México e nos africanos. Mas, na boa. O futebol e o vôlei são as modalidades em que o Brasil tem matéria prima e investimentos. O futebol, pelo que representa e pelo fato de o Brasil levar para a disputa uma espécie de força máxima, dentro das possibilidades, é a única modalidade em que a medalha de ouro é obrigação.

O time do Brasil é cheio de profissionais consagrados ou que já atuam na elite há um bom tempo, enfrentando equipes de meninos. Tinha alemão em campo hoje que poderia ser filho de Daniel Alves. Qualquer coisa que não seja o ouro, é fracasso. É colocar muita pressão? Sim, é. Mas eles já estão acostumados. Ou deveriam estar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL