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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Itália se reinventou e é a justa campeã da Europa

Jogadores da Itália comemoram gol de Bonucci durante a final da Eurocopa diante da Inglaterra - PAUL ELLIS / POOL / AFP
Jogadores da Itália comemoram gol de Bonucci durante a final da Eurocopa diante da Inglaterra Imagem: PAUL ELLIS / POOL / AFP
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

11/07/2021 19h06

A Itália é campeã da Europa! Com justiça. Como também seria justo o título inglês. Foram as duas melhores seleções do torneio e também do ciclo iniciado após a Copa da Rússia. No fim, nos pênaltis, deu Itália. Uma nova Itália, que se reinventou e passou a jogar um futebol atual, moderno, corajoso.

Muitos dizem que pênaltis são uma questão de sorte. Bem, o técnico inglês, Southgate, mandou dois jogadores a campo no último minuto da prorrogação somente para cobrar pênaltis. Os dois falharam (Rashford e Sancho). Há momentos em que o futebol não pode ser calculado de forma tão pragmática e estatística. O ritmo de jogo, a tensão de uma final, são coisas muito mais importantes do que o aproveitamento em treinos.

O fato é que a Itália teve mais sangue frio nos pênaltis, apesar de Jorginho, possivelmente o melhor cobrador do mundo, ter perdido o dele. Três brasileiros, Jorginho, Emerson Palmieri e Rafael Tolói, são campeões europeus.

A final foi muito condicionada pelo gol no início. Um belo gol, diga-se de passagem, com a construção passando por Kane no meio de campo - um 9 recuado, do mesmo jeito que Olmo fez (e machucou) contra a Itália na semifinal. Kane acionou Trippier, que cruzou para o outro lateral, Shaw, marcar.

A partir daí, e eram só 2min de jogo, a Inglaterra quis ganhar de 1 a 0. E a Itália foi em busca do resultado. Acho que a Inglaterra errou ao não aproveitar o momento, o público e a vantagem. A Itália, esta Itália, sabe jogar com a bola. Só não foi assim na semifinal.

Principalmente no segundo tempo, estava claro que o empate acabaria chegando. E chegou, com Bonucci, apesar da enorme defesa de Pickford no lance anterior. Aí, foi a vez de a Itália desperdiçar o momento. A Inglaterra estava acuada, morrendo de medo de perder diante de seu público, e faltou à Itália o instinto assassino para matar a decisão ali, nos 15 minutos finais, quando a rival estava grogue.

Na prorrogação, a Inglaterra teve, pela primeira vez, o controle. O que faz todos pensarem o que seria do jogo se os ingleses tivessem tentado se impor depois do gol relâmpago. A seleção da casa podia ter vencido o jogo na prorrogação, mas o empate persistiu.

No fim, os milhares de ingleses que esperavam ver história ser feita em Wembley, vão para casa com a sensação do "nunca seremos". E a Itália, pela primeira vez em 53 anos, é campeã da Eurocopa. Uma camisa linda, pesada e campeã.

O processo italiano começou com o desastre de ter ficado fora da Copa do Mundo, uma vergonha para um país tetracampeão mundial. Roberto Mancini soube olhar para todos os clubes, não só os grandes, para tudo o que estava ocorrendo em volta. Mesclou veteranos com jogadores que haviam tido poucas oportunidades com jovens talentosos que estavam surgindo.

São 34 jogos de invencibilidade, três anos sem perder um jogo de futebol. A Itália adaptou seu jogo ao futebol de hoje, dando um bico em uma história de times ultradefensivos e reativos. A modernidade chega para todos. E o prêmio sempre chega a quem sabe ler o que mundo pede. Auguri, Itália!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL