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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

'Surgimento' de Pérez pode mudar andamento da temporada da F-1

Sergio Perez comemora após vencer o GP do Azerbaijão - Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Sergio Perez comemora após vencer o GP do Azerbaijão Imagem: Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

07/06/2021 04h00

Mais inesperado do que o acidente de Max Verstappen foi o erro de Lewis Hamilton. E, assim, o GP do Azerbaijão, que acabaria com o holandês em primeiro e o inglês em terceiro, acabou com os dois melhores pilotos da temporada e do mundo sem pontuar.

Para a equipe Red Bull, o sonho virou pesadelo, mas o pesadelo até que acabou em final feliz. Depois da batida de Verstappen, foi um consolo e tanto ver Hamilton jogar a segunda colocação fora.

Mas a grande notícia mesmo, que pode mudar o andamento do resto da temporada, foi o "nascimento" de Checo Pérez na equipe. O mexicano ganhou a corrida de Baku, herdando a posição de Verstappen. Mas ele fez muito mais do que isso. Ele realmente fez por merecer a vitória.

Logo na primeira volta, o mexicano pulou de sexto para quarto, passando Sainz e Gasly e mostrando que estava disposto a fazer uma prova decente - nas cinco primeiras corridas da temporada, ficara fora do pódio, vendo de longe, e sem poder ajudar, a luta de seu companheiro, Verstappen, contra Hamilton.

Depois da ótima primeira volta, Pérez passou Leclerc e, nos boxes, ganhou a posição de Hamilton. Teve o mérito de segurar o heptacampeão do mundo atrás dele durante a corrida toda, pilotando sem cometer erros. Depois do acidente de Verstappen e da relargada, o mexicano segurou a posição para ganhar a segunda corrida de sua carreira.

Enquanto isso, lá atrás, Valteri Bottas terminava a prova em 12o lugar com a outra Mercedes.

Se, nas primeiras batalhas do ano, a Mercedes jogava em uma espécie de 2 contra 1 para cima da Red Bull, no Azerbaijão ocorreu justamente o inverso. Pérez foi capaz de ajudar a equipe contra Hamilton, enquanto Bottas sumiu da disputa. O mexicano era quem tinha o pescoço a prêmio. Agora quem parece que não vai se sustentar no cargo até o fim do campeonato é o finlandês.

Será que a tendência de manterá para o resto do campeonato? Não sabemos. É claro que depende da pista, de como cada carro se comporta, do desenvolvimento que ocorrerá para a segunda metade, etc. Mas o fato é que a Red Bull parecia ser uma equipe de um piloto só, correndo contra sozinho contra a toda-poderosa Mercedes. E, agora, pode ser que a dinâmica seja modificada.

Não foi o fim de semana perfeito em Baku. Mehor seria se Verstappen vencesse, com Pérez em segundo e Hamilton ficando para trás no campeonato. Mas, dadas as circunstâncias, o chefe Christian Horner tem motivos para sorrir. A Red Bull, afinal, depois de tantas tentativas, parece ter encontrado alguém para ajudar seu holandês voador.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL