PUBLICIDADE
Topo

Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Grêmio não teve sorte. Mas também não teve bola para jogar a Libertadores

Grêmio x Independiente Del Valle, pela Libertadores - Divulgação / Conmebol
Grêmio x Independiente Del Valle, pela Libertadores Imagem: Divulgação / Conmebol
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

14/04/2021 21h11

Para quem passou anos garganteando que o Grêmio era o melhor do Brasil, me parece que Renato Gaúcho sofreu um banho de realidade ao ver, de longe, seu time ficar fora da Copa Libertadores. Foi dominado na ida pelo Independiente del Valle e acabou o jogo de volta na roda, nesta quarta (14).

O Grêmio é um gigante da competição. Nos últimos anos, sempre chegou entre os melhores. Mas os resultados estavam sendo maiores do que o futebol - e já faz tempo. Se não é melhor que o Del Valle, será mesmo que pode se comparar a Flamengo, Palmeiras, River e outros grandes do continente?

A grande verdade é que o fala-fala de Renato ludibria muita gente. O Grêmio joga mal, ele aparece falando que na verdade jogou bem - com aquela contundência de sempre. E há quem caia no conto. O Grêmio perde um jogo, Renato esbraveja contra a arbitragem. Desvia o foco. E há quem caia no conto.

Eu acho louvável a estabilidade técnica do Grêmio. Sempre pedimos isso aqui no Brasil. É muito bacana um clube grande estar perto de completar cinco anos com o mesmo treinador. O problema é ficar refém do treinador e de seu discurso. Quem manda no Grêmio? Quem define contratações, prioridades, estilo?

O declínio de jogo do Grêmio é nítido e já de algum tempo. É mais fácil ser competitivo nos mata-matas do que na continuidade dos pontos corridos, então "não jogar" o Brasileiro era o álibi perfeito. Quando jogou, ano passado, não mostrou muita coisa. Neste ano, vai ter que jogar.

Não dá para chamar de surpreendente a eliminação para o Del Valle, um time pequeno do Equador, mas que tem continuidade de trabalho em função do estilo de jogo, não do personagem. São continuidades conceitualmente diferentes. O Independiente del Valle segue jogando o jogo que vimos nos tempos de Miguel Ángel Ramírez.

Dito tudo isso, é verdade que o Grêmio teve azar nesta eliminatória.

Primeiro, ao perder Renato e outros jogadores por covid - não sei o quanto é "azar" hoje em dia ser infectado, mas, enfim. Depois, ao ter um gol mal anulado na partida de ida, que seria o 2 a 0 no Equador. E, por fim, o Grêmio perdeu uma quantidade inacreditável de gols no primeiro tempo hoje e ainda levou o empate no último lance antes do intervalo.

O Del Valle foi melhor que o Grêmio em três tempos, o Grêmio foi (bem) melhor em um tempo, em Porto Alegre. A eliminatória poderia ter caído para o time gaúcho, mas acabou ficando para o time que jogou um futebol melhor.

São 3 milhões de dólares que o Grêmio deixa de ganhar e agora resta disputar a Sul-Americana. E mostrar algo no Brasileiro. Vai mostrar?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL