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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Neymar chega de novo sob desconfiança geral à 'hora H' da Champions

Neymar é expulso durante derrota do PSG para o Lille no Campeonato Francês  - Xavier Laine/Getty Images
Neymar é expulso durante derrota do PSG para o Lille no Campeonato Francês Imagem: Xavier Laine/Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

05/04/2021 04h00

A Liga dos Campeões da Europa começa o mata-mata das quartas de final nesta semana. Na quarta-feira, o jogo que mais chama a atenção reunirá Bayern e PSG, em Munique, reeditando a final do ano passado. Qual será o papel de Neymar neste duelo?

Esta é a grande interrogação. Especialmente depois da enésima expulsão da carreira por seu temperamento explosivo - no sábado, o PSG perdeu para o Lille no confronto direto pela liderança da Ligue 1 francesa, Neymar foi expulso no finalzinho e ainda saiu batendo boca no túnel do vestiário. Um daqueles chiliques que já conhecemos, enfim.

São estes momentos que fazem com que Neymar seja pouco respeitado na Europa. Ninguém coloca em dúvida a bola, a capacidade técnica e de decidir jogos. Mas o "pacote" Neymar é mais complexo do que isso. E a antipatia pelo maior craque brasileiro dos últimos 10 anos só cresce.

O Bayern estará sem Lewandowski na quarta, e o noticiário da semana deveria estar totalmente centrado em como Neymar pode machucar o sistema defensivo alemão, que costuma deixar muitos espaços aos adversários. Mas não. Estamos novamente falando da falta de maturidade. Neymar vive há anos, especialmente depois da Copa do Mundo de 2018, uma grave crise de credibilidade - tipo o Brasil.

Eu me preparo para esperar qualquer coisa de Neymar, seja contra o Bayern, seja na Copa do ano que vem. O cara pode botar a bola embaixo do braço, melhorar os companheiros, fazer um jogo ao mesmo tempo brilhante na parte individual e solidário no coletivo, levar o Paris às vitórias. Ou o cara pode ficar bravinho, levar uma pancada, sair do jogo, ser expulso. Tudo pode acontecer. Se o futebol fosse uma bolsa de valores, Neymar seria a ação com maior volatilidade no mercado.

E assim ele chega para mais um duelo enorme na Champions League - o torneio que foi contratado a peso de ouro para ganhar. Em 2018 e 2019, desfalcou o Paris nas oitavas de final. Na bolha de Lisboa, no ano passado, conseguiu ajudar o clube a chegar até a primeira final de sua história.

A percepção geral é que isso não vai ocorrer de novo. O mundo do futebol não consegue ver muitas chances de o PSG eliminar o Bayern. Eu vejo. Aliás, as casas de apostas também. O Chelsea, por exemplo, é, para os algoritmos, mais favorito contra o Porto do que o Bayern contra o PSG. Mais favorito para chegar à final da Champions do que o Bayern, que tem a mesma cotação do Liverpool.

O computador entende que um time com Neymar e Mbappé não pode ser tão zebra assim. E eu concordo com a inteligência artificial aqui. Para esta análise, é preciso deixar as emoções de lado. Para Neymar triunfar, melhor fazer o mesmo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL