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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Eliminatórias da Copa medem força das seleções europeias antes da Euro

O norueguês Haaland comemora um de seus gols pelo Dortmund - Mateo Villalba/Quality Sport Images/Getty Images
O norueguês Haaland comemora um de seus gols pelo Dortmund Imagem: Mateo Villalba/Quality Sport Images/Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

23/03/2021 14h46

As eliminatórias da Copa de 2022, no Catar, servirão para entendermos o que será da Euro-20 (que acontecerá em 2021). Confuso, né? Mas é a realidade criada em função da pandemia e da chacoalhada que o calendário do futebol europeu deu de um ano para cá.

A Eurocopa, disputada a cada dois anos, teria sido realizada no ano passado. Com o adiamento para 2021, ocorre algo inédito: as eliminatórias para uma grande competição começam antes de ser realizada a outra grande competição. Em regra, as eliminatórias de uma Euro começam sempre após a Copa do Mundo. E as eliminatórias de uma Copa começam sempre ao final de uma Euro. Ciclo que se encerra, ciclo que se inicia.

A partir desta quarta-feira, porém, as seleções europeias estarão em campo já disputando eliminatórias da Copa de 2022. E estes jogos são a única oportunidade para medir a força de cada uma e de treinadores trabalharem antes da Eurocopa, que será disputada em junho/julho próximos.

A Alemanha, por exemplo, começará a caminhada rumo ao Catar com Joachim Low no comando técnico. Mas já anunciou que o técnico sairá depois da Euro. Ou seja, o roteiro até o Mundial será assumido por outro já depois de três rodadas realizadas. E substituindo um Low que está há 15 anos no cargo, ou seja, uma troca nada trivial.

A conotação competitiva fará destes jogos disputados entre quarta agora e quarta que vem muito interessantes. Geralmente, dois ou três meses antes da Copa ou da Euro, o máximo que seleções europeias fazem é disputar amistosos. Desta vez não, são jogos para valer.

CAMINHOS TRANQUILOS?

Justamente a Alemanha é uma seleção que desperta muita curiosidade. O último jogo, em novembro, acabou em humilhação: 6 a 0 para a Espanha, que, assim, foi para o quadrangular final da Nations League (que será disputado depois da Euro, antes da sequência das eliminatórias de 2022).

A Alemanha está no grupo J, e as teóricas ameaças para a primeira posição do grupo (o primeiro se classifica para a Copa, o segundo de cada grupo vai para a repescagem) são Islândia, Romênia e Macedônia do Norte. Ou seja, ninguém de expressão. Jogos contra essas três seleções, respectivamente quinta, domingo e quarta, são bons testes para Low achar um time para a Eurocopa e tentar se despedir com o título que não conseguiu ganhar (será a quarta Euro dele).

Espanha, Itália, Bélgica e França, as finalistas da Nations League, carregam o bom momento e a confiança. Belgas e franceses, semifinalistas e campeões da Copa de 18, formam seleções mais experientes e que dependem pouco dos jogos dos próximos dias para se firmarem como favoritos.

A França está no grupo D, uma chave bem tranquila. Joga na quarta, em Paris, com a Ucrânia e depois viaja a Cazaquistão e Bósnia. A outra seleção do grupo é a Finlândia. A campeã do mundo não terá problemas para tentar revalidar o título em 2022 e chegará na Euro como, possivelmente, a seleção a ser batida - lembrando que na Euro-2016 a França perdeu a final em casa para Portugal.

O grupo E, da Bélgica, também é sossegado: País de Gales (jogo na quarta), República Tcheca (sábado), Belarus (terça que vem) e Estônia não representam ameaça real à seleção de Lukaku e De Bruyne, que também chegará fortíssima à Euro.

Já Espanha e Itália são seleções jovens, em um novo ciclo. Vitórias empurram, derrotas podem derrubar. O lado positivo: ambas com treinadores experientes, respeitados, que não são questionados pela opinião pública no momento.

A Espanha está no grupo B, e a grande ameaça para a primeira posição é a Suécia, que promove o retorno de Ibrahimovic. Mas a sequência da Espanha nestes próximos dias reserva jogos contra Grécia, Geórgia e Kosovo. Bons testes para abrir vantagem no grupo e ganhar confiança para a Euro - os duelos diretos contra a Suécia ficam para setembro e novembro, e até lá não sabemos se Ibra seguirá ou não.

Para a Itália, no grupo C, a ameaça é a Suíça - que nem é tão ameaçadora assim. Mas, assim como a Espanha, a Itália não tem que se preocupar agora. Os jogos dos próximos dias são contra Irlanda do Norte, Bulgária e Lituânia, ótima chance para ampliar a invencibilidade que já dura dois anos e meio, desde o início do ciclo pós-Copa da Rússia (17 vitórias e 5 empates), e ganhar confiança.

A Itália não me parece uma seleção pronta para ganhar uma Eurocopa. Mas os resultados do ciclo Mancini estão obviamente me desmentindo.

DUAS 'FINAIS' E UM COMETA

Outras seleções fortes, que chegarão como candidatas à Euro, são Portugal e Inglaterra. E essas duas, ao contrário das supracitadas, terão uma espécie de "final" nos próximos dias.

Portugal está no grupo A, com Sérvia, Irlanda, Azerbaijão e Luxemburgo. No sábado, tem jogo contra a Sérvia, em Belgrado. É logicamente a partida mais difícil deste grupo e que pode fazer a caminhada rumo à Copa ser mais chatinha. Eu considero Portugal uma das três seleções mais fortes do mundo no momento, com talento em todas as posições e ainda com Cristiano Ronaldo.

A Inglaterra está no grupo I, com Polônia, Hungria, Albânia, Andorra e San Marino. Tudo se resumirá aos confrontos diretos entre Inglaterra e Polônia, de Lewandowski. Na quarta que vem, elas se enfrentam em Wembley.

Os grupos restantes das eliminatórias são mais equilibrados, justamente por não ter nenhuma seleção de grande destaque.

No grupo F, a vaga deve ficar entre Dinamarca e Áustria, com a Escócia correndo por fora. Escócia e Áustria jogam quinta, e a Áustria recebe a Dinamarca na outra quarta.

No grupo G, a renovada Holanda é a favorita. Mas Turquia, Montenegro e Noruega podem incomodar. Turquia e Holanda fazem o jogo mais relevante desta quarta-feira, um confronto direto em Istambul que abre as eliminatórias (14h de Brasília).

A Noruega tem Haaland, o grande fenômeno da atualidade no futebol europeu. Ele possivelmente não terá a chance de se fartar de fazer gols contra Gibraltar, pois o país é solo inglês e Haaland entraria em um protocolo de Covid que o impediria de voltar ao Borussia Dortmund na sequência da temporada. Como o jogo é uma baba, a Noruega deve evitar o risco de colocar o "cometa" em campo.

Na sequência, a Noruega já fica ali por perto e joga na cidade espanhola de Málaga contra a Turquia para, depois, viajar a Montenegro. Haaland pode, sim, fazer a Noruega ser a zebra do grupo.

Por fim, o grupo H deverá ter a disputa por primeira posição e repescagem entre Croácia e Rússia, com Eslováquia e Eslovênia correndo por fora.

JOGOS MAIS IMPORTANTES DA PRIMEIRA RODADA:

Quarta (24/3)
Turquia x Holanda
Sérvia x Irlanda
Portugal x Azerbaijão
França x Ucrânia
Bélgica x País de Gales
Eslovênia x Croácia

Quinta (25/3)
Espanha x Grécia
Itália x Irlanda do Norte
Escócia x Áustria
Hungria x Polônia
Inglaterra x San Marino
Alemanha x Islândia

A TABELA COMPLETA DE JOGOS ESTÁ AQUI.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL