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Julio Gomes

DNA de Grêmio, não de Renato, põe o "imortal" na decisão

30/12/2020 23h29

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O Grêmio não jogou muita bola nem na ida, nem na volta. Defendeu-se bem, teve sorte, foi consistente. Fez o jogo do Grêmio histórico, não do Grêmio de Renato nos últimos anos. E está na final.

Foi merecido? Sim, isso é indiscutível.

O São Paulo buscou o jogo tanto em Porto Alegre quanto no Morumbi. Mas foi errático nas finalizações (na ida, com os gols perdidos por Brenner e Luciano) e lento demais na volta.

Será que a vida seria diferente com Reinaldo e Luciano em campo? Nunca saberemos. São dois jogadores cruciais, é verdade. Mas o fato é que o São Paulo não exigiu nada de Vanderlei nesta quarta-feira. Ficou com a bola, mas nunca foi incisivo. Chuveirou um sem número de bolas, sem levar qualquer perigo.

Não faltou o DNA de Fernando Diniz. Faltou, de fato, criatividade. Faltou algo diferente, que pudesse quebrar a marcação gremista.

Do outro lado, sobrou DNA. O DNA que estamos habituados a ver ao longo das décadas, de um Grêmio copeiro, aguerrido, firme e que sabe o que quer. O que o Grêmio queria era passar para a final. Pois passou.

Não há muito o que falar sobre o jogo do Grêmio nesta quarta, pois não foi um time que entrou em campo para jogar. Entrou para pelear, para competir, para brigar e para não sofrer gol. Cumpriu o objetivo.

Interessante que esse DNA gremista não tem nada a ver com o que vimos ao longo dos últimos quatro anos, com Renato Gaúcho no comando. Com Renato, o Grêmio foi um time vencedor, sim, mas que encontrou suas vitórias jogando bola, impondo futebol, buscando o resultado no ataque, não na defesa. Tanto que ele bradou algumas vezes ser "o melhor futebol do Brasil".

É claro que ele não se referia a jogos como o desta semifinal. O São Paulo, por outro lado, reclama sem muita razão da arbitragem. Se fossem 25 minutos de acréscimos, acabaria 0 a 0 do mesmo jeito. Sobra ao Tricolor o Brasileirão, o que não é pouco.

É apenas uma ironia histórica. O torcedor gremista está igualmente feliz. Na Copa do Brasil, vimos a história, a seu modo, se repetir. O Grêmio está na final (de novo). E o São Paulo fica sem título (de novo).