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Julio Gomes

Seleção compete, mas brilha pouco e ganha por presentes do Peru e árbitro

Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

13/10/2020 23h02

Eu não sei até agora quem ajudou mais a seleção brasileira a ganhar sua segunda partida nas eliminatórias sul-americanas: se os peruanos ou o árbitro chileno Julio Bascunan Gonzalez.

O Brasil esteve duas vezes atrás no placar, mas virou o jogo e fez 4 a 2 no Peru, em Lima. Mesmo com estádios vazios, poucos ganharão pontos por lá. O Peru esteve na última Copa e tem chances de estar na próxima, é uma seleção muito bem treinada pelo argentino Ricardo Gareca.

O ponto positivo para a seleção de Tite foi a competitividade. Em um jogo difícil, competiu, disputou os espaços, conseguiu a vitória, mesmo que de um jeito feio e sem brilho. Mas não teve nada a ver com a atuação contra a Bolívia, na estreia.

A saída de bola não funcionou, ela ficou muito entre os zagueiros, com pouca ação entre volantes, laterais, Neymar e Coutinho.

Com Richarlison na direita, o time perdeu por um lado (é um jogador menos agudo que Éverton Cebolinha), mas ganhou por outro - Richarlison é puro coração em campo, pode fazer mais de uma função e acabou se tornando fundamental para a vitória.

Foi o jogador do Everton que empatou o jogo e que batalhou pela jogada que acabaria no pênalti sobre Neymar e o terceiro gol.

A seleção teve dois pênaltis sobre Neymar, primeiro e terceiro gols. Eu não teria marcado nenhum dos dois. São lances de interpretação, em que o VAR nem tem que se meter mesmo. O árbitro chileno viu faltas em dois lances em que não havia mais perigo e nem chance de gol. Sim, há um puxão de camisa no primeiro lance e sim, há um choque no segundo. Mas, repito, para mim nenhum dos dois deveriam ter se transformado em penalidades máximas.

De todas as maneiras, eram lances totalmente evitáveis pelos peruanos. Presentes. Para ser uma seleção mais forte, logicamente o Peru precisará evitar "dar" jogos, como o desta terça. Vai reclamar do árbitro, mas precisa olhar para os próprios erros.

Já Tite deve estar com mais dúvidas do que certezas. Danilo vai mesmo funcionar como um jogador construtor? Renan Lodi funciona em campo se a bola não chegar lá até a ponta esquerda? Richarlison e Firmino juntos são mesmo um caminho? E Coutinho, como fazer quando o meia joga mal?

E a maior dúvida de todas. Que talvez seja só minha, não de Tite. Por que raios insistem tanto em colocar Neymar tão distante do gol, apanhando de todo mundo lá no meio de campo?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL