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Julio Gomes

Liga das Nações volta com 'virada de mesa', clássico e chance de bizarrice

Joachim Löw, técnico da seleção da Alemanha - Alexander Scheuber/Bongarts/Getty Images
Joachim Löw, técnico da seleção da Alemanha Imagem: Alexander Scheuber/Bongarts/Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

03/09/2020 10h14

A Uefa retoma nesta quinta-feira jogos entre seleções nacionais, que não se enfrentam desde novembro do ano passado. Será o início da Liga das Nações 2020/21, um formato que transforma aquele sem fim de amistosos inúteis nas datas Fifa em uma competição com algum sentido e partidas entre seleções de nível parecido.

A Liga das Nações começa, claro, com estádios vazios. E com um superclássico do continente: Alemanha x Espanha (15h45 de Brasília), em Stuttgart. A Alemanha nem deveria estar na primeira divisão da Liga das Nações, mas uma "virada de mesa" da Uefa acabou permitindo a presença da seleção de Joachim Low na elite.

OK, tem uma forçadinha de barra aqui, não foi exatamente uma virada de mesa "à brasileira", somente para beneficiar algum poderoso. Mas o torneio gerou isso porque mudou de formato para ter mais jogos e acabar de vez com os amistosos - o que fecha ainda mais as portas para a seleção brasileira enfrentar as europeias, por sinal. Assim, o rebaixamento alemão foi anulado.

Na edição 2018/19, vencida por Portugal, a Liga das Nações tinha quatro divisões. Em cada uma delas, quatro grupos com três seleções. Na elite, os quatro vencedores dos grupos se classificaram para um quadrangular final que definiu o título português. E os quatro últimos dos grupos seriam "rebaixados" para a segunda divisão na Liga seguinte.

Só que o formato mudou para a edição 20/21 e agora os grupos são formados por quatro seleções, não mais três. Assim, Alemanha, Croácia, Polônia e Islândia acabaram sendo beneficiadas e permaneceram na elite.

Dinamarca, Suécia, Bósnia e Ucrânia, que "subiram" na última edição, tiveram confirmado o direito de jogar na elite e possuem chance de título. Outras seleções, que cairiam da segunda para a terceira e da terceira para a quarta divisões, também acabaram se dando bem com a mudança de formato.

A edição 20/21 tem, nas três primeiras divisões, quatro grupos de quatro países. Na quarta divisão, um grupo de três e um grupo de quatro. E justamente daí pode surgir uma bizarrice nos playoffs eliminatórios para a Copa do Mundo de 2022. Tipo Andorra a dois empates de uma presença na Copa do Mundo. Isso eu explicarei mais tarde aqui no post.

Antes, vamos entender o formato da Liga das Nações, que começa hoje. Eles se enfrentarão todos dentro de seus grupos e suas divisões, em seis jogos agora em setembro, outubro e novembro.

Os quatro ganhadores dos quatro grupos da primeira divisão farão semifinais e final para definir o novo campeão da Liga das Nações, em março de 2021. Os quatro últimos caem para a segunda divisão da próxima edição, diz a Uefa, e serão substituídos pelos quatro ganhadores dos grupos atuais da "Série B". Do mesmo jeito, os quatro últimos dos grupos da segunda divisão caem para terceira e são substituídos pelos quatro campeões de grupos da "Série C" europeia.

A novidade na atual Liga das Nações é que ela pode representar um caminho de classificação para a Copa do Mundo de 2022.

As eliminatórias europeias serão disputadas ao longo de 2021 para definir as 13 vagas que o continente tem para o Catar-22. Serão dez grupos, com o campeão de cada grupo garantindo vaga direta e os dez segundos colocados se classificando para uma repescagem. A esta repescagem, irão se juntar também os dois campeões de grupos da Liga das Nações que não estiverem entre as 20 seleções já classificadas ou para a Copa ou para a própria repescagem.

Então vamos imaginar, por exemplo, que consigam estar já na Copa do Catar ou na repescagem (entre esses 20) os quatro campeões de grupos da primeira divisão da Liga das Nações (altamente provável), os quatro da segunda divisão (difícil, mas possível) e os quatro da terceira divisão (altamente improvável, mas futebol é futebol). Se isso ocorrer, teremos uma bizarrice.

Os dois campeões dos grupos da quarta divisão da Liga das Nações irão acabar entrando na repescagem. E a repescagem, lá em 2022, será disputada em duas eliminatórias únicas. As 12 seleções jogam uma partida, passam 6 adiante, novo duelo alguns dias depois e avançam 3 para a Copa. Imaginem Liechtenstein a dois empates (e vitória nos pênaltis) de uma Copa do Mundo??

É difícil, sem dúvida, mas pode acontecer.

Abaixo, os grupos da Liga das Nações e os jogos da primeira rodada na elite:

PRIMEIRA DIVISÃO (LIGA A):

Grupo 1: Holanda, Itália, Bósnia e Herzegovina e Polônia
Grupo 2: Inglaterra, Bélgica, Dinamarca e Islândia
Grupo 3: Portugal, França, Suécia e Croácia
Grupo 4: Suíça, Espanha, Ucrânia e Alemanha

Primeira rodada:
Quinta: Alemanha x Espanha, Ucrânia x Suíça
Sexta: Itália x Bosnia, Holanda x Polônia
Sábado: Islândia x Inglaterra, Dinamarca x Bélgica, Suécia x França, Portugal x Croácia

SEGUNDA DIVISÃO (LIGA B):

Grupo 1: Áustria, Noruega, Irlanda do Norte e Romênia
Grupo 2: República Tcheca, Escócia, Eslováquia e Israel
Grupo 3: Rússia, Sérvia, Turquia e Hungria
Grupo 4: País de Gales, Finlândia, Irlanda e Bulgária

TERCEIRA DIVISÃO (LIGA C):

Grupo 1: Montenegro, Chipre, Luxemburgo e Azerbaijão
Grupo 2: Geórgia, Macedônia do Norte, Estônia e Armênia
Grupo 3: Grécia, Kosovo, Eslovênia e Moldova
Grupo 4: Albânia, Belarus, Lituânia e Cazaquistão

QUARTA DIVISÃO (LIGA D):

Grupo 1: Ilhas Faroe, Letônia, Andorra e Malta
Grupo 2: Gibraltar, Liechtenstein e San Marino

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL