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Drama contra Atalanta mostra que PSG é pesado demais para Neymar carregar

Neymar lamenta gol perdido durante duelo entre PSG e Atalanta nas quartas da Champions League - Rafael Marchante/Pool via Getty Images
Neymar lamenta gol perdido durante duelo entre PSG e Atalanta nas quartas da Champions League Imagem: Rafael Marchante/Pool via Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

13/08/2020 04h00

Teve gente dizendo que Neymar fez ontem, contra a Atalanta, um dos maiores jogos de sua vida. O jornal espanhol "Marca" até levantou o debate: "Melhor do mundo?". Pessoalmente, não consigo dizer que Neymar fez um dos jogos da vida se, neste jogo, ele perdeu o gol mais feito de toda sua carreira. E perdeu outros dois que não costuma perder. Não tem como tirar da equação.

A grande qualidade de Neymar, o que ele melhor faz, é meter gols. Se ele estivesse em uma noite normal na pontaria, possivelmente o Paris teria goleado a Atalanta. Não foi o caso, e o Paris só resolveu a vida aos 45min do segundo tempo.

Eu não gosto do Neymar no meio de campo. Ele é craque, é gênio. Vai jogar bem de zagueiro, volante, lateral... de qualquer coisa. É lógico que ele vai jogar bem como meia criador. Mas, quando joga no ataque, pela esquerda, enfrentando um número menor de adversários, é muito mais eficiente e letal.

No Paris de ontem, no entanto, não tinha jeito. Cavani se mandou, Mbappé e Verratti machucados, Di María estava suspenso. A única opção era ter Neymar pelo meio, com o jogo inteiro passando por seus pés. Ele driblou, driblou e driblou - igualou até recorde de dribles em um jogo, uma marca de Messi em 2008. Com os dribles, clareou muitas jogadas. Com tabelas com Icardi e Herrera, criou suas melhores chances - que acabaram desperdiçadas.

Temos o mau hábito de esperar que alguém "ganhe sozinho" jogos e campeonatos. O futebol é coletivo, ninguém ganha sozinho. Mas muitas vezes um jogador consegue mudar os rumos de uma partida, seja acertando ou errando ou fazendo algo fora do script.

O drama vivido pelo Paris, que só saiu do buraco quando Mbappé começou um verdadeiro Carnaval pelo lado esquerdo, indica que Neymar não vai mesmo ganhar nada sem ajudas importantes. O protagonismo absoluto não é possível. É necessário ter Mbappé, que talvez comece a semifinal desde o início, é necessário ter Di María, que volta de suspensão, e seria bom ter Verratti, que aumenta a qualidade do passe no meio de campo.

Os problemas do Paris em outros setores (exceto no gol e na zaga) são nítidos. É um plantel desequilibrado, falta muita qualidade no meio de campo. Apesar do bilhão de euros gastos ao longo da década, é um time capenga quando não estão ou Neymar ou Mbappé, e fraco quando não estão os dois.

Eles não são a cereja do bolo, eles são o próprio bolo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL