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Julio Gomes


Top 5 dos brasileiros que decepcionaram na Itália é recheado de craques

Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

27/04/2020 11h30

Neste mês de abril, o blog formulou listas dos cinco brasileiros que mais impactaram positivamente as principais ligas da Europa. Agora, chegou a hora dos que mais decepcionaram! E começamos pela Itália.

Grandes jogadores (em alguns casos, não tão grandes) que chegaram à Bota com a expectativa lá no alto. E que não corresponderam. Por uma razão ou outra, acabaram se transformando em péssimos negócios para seus clubes. Não quer dizer que sejam grossos ou antiprofissionais ou nada do tipo. Apenas deram errado.

Como Gabigol, que custou caro à Inter de Milão já como jogador da seleção e mal entrou em campo. A Roma teve muitos brasileiros de sucesso, mas também errou a mão várias vezes. Contratou Fábio Júnior a peso de ouro em janeiro de 99, após o surpreendente ano do atacante no Cruzeiro. Seria o novo Ronaldo Fenômeno. Não foi. Outro que chegou sob muita expectativa na Roma foi Cicinho, que também decepcionou. Alguns anos antes, foi Andrade quem não emplacou na capital.

Roque Júnior, campeão do mundo, nunca se firmou no Milan. Caio Ribeiro chegou à Inter como destaque do Mundial sub-20 e mal entrou em campo, tipo Gabigol. Depois, no Napoli, fez um gol em 21 jogos. Ricardo Oliveira destruiu no Bétis entre 2004 e 2006 e foi contratado pelo Milan. Até o Real Madrid queria o atacante. Fracassou em Milão e perdeu a chance de alçar voos maiores na Europa - em sua defesa, podemos nos lembrar que naquele período a irmã foi sequestrada e mantida em cativeiro por quase seis meses.

O futebol italiano sempre foi destino para muitos brasileiros. Muitos se deram bem, como mostro aqui neste post. E muitos se deram mal. Vamos à lista:

5- LUÍS SÍLVIO

Uma história famosa e saborosa na Itália é a de Luís Sílvio Danuello. Em 1980, o mercado italiano era reaberto, e cada clube poderia contratar um estrangeiro. A pequenina Pistoiese havia chegado à Série A pela primeira vez e veio ao interior paulista contratar o ponta, que havia se destacado na Copa SP de juniores, com a camisa do Marília. Luís Sílvio foi escalado como centroavante e jogou apenas seis partidas com a Pistoiese, que acabaria rebaixada e nunca mais voltaria à elite. Reza a lenda que, na época, torcedores juravam que o brasileiro era, na verdade, um garçom que havia sido contratado por engano. Alguns diziam que ele havia sido visto vendendo sorvetes na porta do estádio, outros que era, na verdade, ator de filme pornô. Luís Sílvio voltou antes do fim da temporada e encerrou a carreira com apenas 27 anos, após rodar por muitos clubes do Brasil.

Top5 Flops Itália Edmundo - AFP PHOTO - AFP PHOTO
Imagem: AFP PHOTO

4- EDMUNDO

Edmundo? "Il animale"? Como assim? Bem, estamos falando de jogadores que decepcionaram. Edmundo chegou a jogar bem na Itália, mas deixou a Fiorentina na mão duas vezes ao voltar ao Brasil para o Carnaval. Ele chega a Florença como campeão brasileiro pelo Vasco e, possivelmente, um dos cinco melhores jogadores do mundo naquele 1998. Um mês depois, já estava causando e voltou ao Brasil para o Carnaval, reclamando que queria ser titular para jogar a Copa. A temporada 98/99 era promissora. Ao lado de Batistuta e Rui Costa, ajudou a Fiore a ser líder em 17 das 20 primeiras rodadas. Era a chance do primeiro título de Série A desde 1969 (a fila ainda perdura). Mas, em fevereiro de 99, Edmundo veio ao Carnaval, deixou o time na mão e a campanha degringolou. Nunca foi perdoado por torcida e clube e voltou ao Vasco em maio daquele ano. Em janeiro de 2001, voltaria à Itália para jogar pelo Napoli. Fez 4 gols em 17 jogos, virou reserva e o Napoli acabaria rebaixado.

Top5 flops Itália Sócrates - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

3- SÓCRATES

Mais um brasileiro que não conseguiu concretizar sonhos da Fiorentina. Depois de Falcão, Cerezo e Júnior, Sócrates foi mais um craque da seleção de 82 a desembarcar na Itália, para a temporada 84/85. Fez 25 partidas, marcou seis gols e a Fiore acabou no meio da tabela. Sócrates relataria mais tarde que era infeliz na Itália e só queria estar no Brasil. Para a qualidade que tinha, é óbvio, decepcionou.

Top5 flops Itália Vampeta - ESPORTE(ponto final) - ESPORTE(ponto final)
Imagem: ESPORTE(ponto final)

2- VAMPETA

Chegou à Inter de Milão como campeão mundial interclubes pelo Corinthians e já com espaço na seleção brasileira - seria convocado para a Copa de 2002 e faria parte da campanha do penta. Foi contratado no ano 2000 por 15 milhões de dólares e com o aval de Ronaldo, que estava no clube na época. Resultado? Jogou apenas meia temporada, fez oito partidas e não entregou o que dele se esperava. Vampeta está em todas as listas possíveis de "piores contratações da história" na Itália.

Top5 flops Itália Renato - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

1- RENATO GAÚCHO

Campeão no Grêmio, campeão no Flamengo, Bola de Ouro do Brasileiro-87. Um craque. Mas, na Itália, uma piada (subam ao topo deste post para ver o vídeo com os piores momentos de Renato na Itália e a gozação da TV local). Chegou à Roma para a temporada 88/89 de helicóptero, foi chamado pelo técnico de "Gullit branco". Humildade nunca foi o forte de Renato que, ainda outro dia, questionou quem seria melhor, ele ou Cristiano Ronaldo. É um personagem que muita gente admira justamente por essa faceta. E que, de fato, jogou muita bola. No Brasil. A passagem pela Europa foi curta e fracassada e, talvez por toda essa pompa, seja tão ridicularizada até hoje na Itália. A maior decepção brasileira que já passou por lá, sem dúvidas.

Julio Gomes