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Julio Gomes


Neymar faz jogo completo em goleada fortuita do PSG em Lyon

Neymar comemora ao lado de Mbappé seu gol de pênalti para o PSG diante do Lyon na Copa da França - Philippe Desmazes/AFP
Neymar comemora ao lado de Mbappé seu gol de pênalti para o PSG diante do Lyon na Copa da França Imagem: Philippe Desmazes/AFP
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

04/03/2020 19h00

Resumo da notícia

  • Lyon dominava o Paris, quando teve jogador expulso em lance acidental
  • Neymar fez jogo sério, sem gracinhas, e mostrou sua melhor versão
  • PSG está na final da Copa da França, mas é um time pouco coletivo

Neymar não foi brilhante, mas foi sério. E muitas vezes é muito melhor ver um Neymar fazendo jogos sérios, táticos, eficientes, completos, do que ser um showman individualista e inconsequente.

Assim atuou o brasileiro nos 5 a 1 do Paris Saint-Germain sobre o Lyon, de virada, na casa do adversário, garantindo presença na final da Copa da França.

Outro destaque do jogo foi Bruno Guimarães, o primeiro 1 do 4-1-4-1 de Rudy Garcia. Chegou chegando na Europa, é um jogador muito completo, de ótimo passe e visão de jogo. Espero que esteja na convocação de Tite, na sexta-feira.

O Lyon fez um primeiro tempo equilibrado contra o Paris e era o melhor time em campo até os 15min do segundo tempo, quando aconteceu o lance fortuito que definiu a partida. No primeiro ataque do PSG no segundo tempo, um cruzamento para área, uma ajeitada errada de Cavani e uma bola que bate sem querer no braço de Marçal, lateral direito.

O pênalti tinha que ser marcado. O segundo amarelo, nunca - a tal punição tripla. Foi um lance fortuito, em que a punição para o Lyon, que sofreria o segundo gol, já era suficiente. Com 2 a 1 e um a mais, ficou fácil para o PSG, após pênalti perfeitamente cobrado por Neymar.

O lance e a expulsão determinaram a goleada do Paris, que estava sofrendo em campo.

Três outros gols, o do empate, o terceiro e o quinto, foram marcados por Mbappé. O francês, que é um fenômeno, não fez um bom jogo. Deu uma casquinha oportunista no primeiro gol - acho que o cabeceio de Kurzawa entraria. E ficou desaparecido completamente até surgir no golaço do 3 a 1.

A imagem do gol vai correr o mundo, o que não quer dizer que Mbappé tenha participado bem da partida. Ficou enfiado entre os zagueiros, sem encontrar Neymar ou Cavani, muito individualista em alguns momentos e com vários rompantes de estrelinha. Chegou até ouvir conselhos de Neymar em campo, para sair de confusão. Nos acréscimos, saiu o quinto, passe de um, hat trick do outro.

Com espaço, Mbappé é imparável. No jogo equilibrado e difícil, não gostei dele em Lyon.

Neymar, além de ter chamado a atenção de Mbappé, demonstrou bastante comprometimento. Jogando pelo lado esquerdo do campo, flutuou em alguns momentos para o meio e, nestes lances, conseguiu habilitar boas jogadas de ataque no primeiro tempo. Houve um passe magnífico para Cavani, em chute que acabou na trave.

Para mim, é o melhor posicionamento de Neymar. Pela esquerda, com alguma liberdade. Jogando assim, tem mais possibilidades de um contra um, contra ataques, chegada à área. Quando joga pelo meio, só pelo meio, o gol fica muito mais distante - e ele tem que estar perto do gol.

Neymar chegou a dar um chapéu duplo no primeiro tempo, mas era o recurso necessário para a jogada, e não um lance de extravagância para humilhar o adversário. Não fez gracinha nem dancinha, não reclamou nem humilhou. Tentou o drible quando precisava, acelerou quando precisava, passou quando precisava, deu carrinho fechando pela esquerda quando foi necessário.

Este Neymar de hoje vai ser elogiado por mim a vida toda.

O Paris, no entanto, parece um time totalmente dependente de individualidades. Só foi dominante quando o Lyon ficou com um a menos. Falta gente de criação no meio de campo, faltam aproximações entre os atacantes. É um time de talento imenso, mas um jogo coletivo frágil. Logo logo vem a pedreira contra o Borussia Dortmund, veremos que Neymar e que PSG irão se apresentar.

Julio Gomes