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Flamengo Los Grandes: o que esperar da parceria no CBLOL?

Flamengo Los Grandes - Divulgação/Los Grandes
Flamengo Los Grandes Imagem: Divulgação/Los Grandes
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

25/05/2022 10h00

Uma das organizações mais relevantes do cenário competitivo brasileiro de Free Fire, a Los Grandes anunciou no início desta semana que integrará o Campeonato Brasileiro de League of Legends em uma parceria com o Flamengo - em uma movimentação que pegou a comunidade fã de esporte eletrônico de surpresa. Há diversos pontos a serem analisados nessa transação, tanto do lado da competição, quanto dos objetivos de ambas as marcas ao juntarem forças.

Penúltimo colocado da Primeira Etapa do CBLOL neste ano, o Flamengo foi alvo de duras críticas por parte de sua torcida na metade inicial desta temporada. As principais críticas por apenas cinco vitórias em 18 jogos recaíram sobre a Simplicity, empresa americana responsável pela gestão de Esport do Rubro-Negro. Agora, o inevitável sentimento é de despedida. E com razão: o clube mais popular do Brasil, de fato, merecia mais no cenário.

Mesmo tricampeão do CBLOL Academy, divisão de formação de novos talentos para o torneio, o Flamengo falhou no planejamento da Primeira Etapa ao traçar seu planejamento jogando uma responsabilidade além do devido sobre jovens jogadores. Em meio a polêmicas que vão de críticas de dirigentes a protestos de torcedores (que chegaram a ir à Gávea para vocalizar sua indignação), é triste ver para qual rumo foi encaminhada a marca rubro-negra.

Do lado da Los Grandes, que agora integra todos os três grandes campeonatos promovidos pela Riot Games no Brasil (CBLOL, VCT BR e Wild Tour), obviamente, o clima é de festa. Assim como a LOUD já havia feito anteriormente, de fato, a "Onda Laranja" furou a bolha do Free Fire e criou um questionamento: seria agora, este, um movimento natural? Estaria o Fluxo, por exemplo, também interessado em expandir operações e seguir o mesmo caminho?

Não dá para questionar a popularização que o Free Fire que o Battle Royale da Garena causou no Esport brasileiro, mas também há que se reconhecer os altos e baixos atravessados pelo game enquanto experiência competitiva. Nesse sentido, o crescimento constante e o senso de profissionalismo passado pela Riot Games no Brasil - hoje rodando três campeonatos presenciais, um deles com torcida - tende a fazer brilhar os olhos das organizações, independentemente de suas origens.

"Essa é uma nova fase e temos certeza que conquistaremos muitas coisas juntos, seja na terra, seja no mar, pois uma coisa é certa, o nosso DNA se move para vencer, vencer e vencer", afirma o comunicado da Los Grandes. Como tem se observado nas redes sociais, para a Segunda Etapa do CBLOL, a reação do lado flamenguista é de apoio ao clube, uma vez que ele continuará tendo sua marca no torneio, mas de indignação, porque se sabe que poderia ser diferente.

Nada vai apagar a história de quatro finais consecutivas que o Flamengo construiu entre o fim de 2018 e o início de 2020 no CBLOL. O título de 2019 em uma Jeunesse Arena lotada sempre estará cravado na memória. Mas é difícil imaginar que, depois de tanta exposição ligada a sua marca centenária, o clube se disponha, a curto prazo, a se aventurar de maneira imersiva no esporte eletrônico.

À parte do conservadorismo dos clubes de futebol em geral no que diz respeito a novos mercados, já esta provado que, para se sustentar nos Esports, é necessário muito mais do que oportunismo ou apenas vontade. Que, assim como a LOUD, a Los Grandes leve ao CBLOL um novo público e trate, durante este período da Segunda Etapa, a marca do Flamengo com o respeito e a dignidade que ela merece.