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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Verstappen vence e impõe Red Bull como 1ª força na F-1

Max Verstappen à frente das Mercedes durante o GP da França - Rudy Carezzevoli/Getty Images
Max Verstappen à frente das Mercedes durante o GP da França Imagem: Rudy Carezzevoli/Getty Images
Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

20/06/2021 11h42

Há vitórias e vitórias.

A vitória que Verstapenn conquistou neste domingo na França é cheia de significados. Talvez seja lembrada, no futuro, como um ponto de inflexão, como o momento em que a Red Bull deu um banho de estratégia na Mercedes e se impôs como a principal força da F-1.

Não é pouca coisa. A equipe alemã domina a categoria desde 2014. O reinado começa a ruir.

É a 13ª vitória de Verstappen na F-1, a primeira na França, a terceira nesta temporada.

Com o resultado, ele amplia sua vantagem na liderança do campeonato: soma agora 131 pontos contra 119 do inglês. No Mundial de Construtores, a Red Bull bate a Mercedes por 215 a 178.

Max Verstappen celebra vitória no GP da França - Nicolas Tucat/Getty Images - Nicolas Tucat/Getty Images
Max Verstappen celebra vitória no GP da França
Imagem: Nicolas Tucat/Getty Images

"A culpa desse resultado foi nossa", disse o engenheiro de Hamilton pelo rádio. Foi mesmo.

A Mercedes levou um nó da Red Bull na estratégia. E contou com um piloto endiabrado no volante para fazer valer seu plano.

Mas não foi fácil.

Saindo na ponta do grid, Verstappen carregava consigo uma estatística de respeito: sempre que havia largado na pole position, fechara a primeira volta como líder. Até hoje.

O privilégio por largar na pole durou poucos metros. O trabalho duro do sábado virou pó. O holandês retardou demais a freada para a primeira curva, foi para a área de escape, jogou a liderança do GP no colo de Hamilton.

"Não consegui contornar a curva", disse, pelo rádio.

O inglês agradeceu e, com vento na cara, tratou de construir sua corrida.

Na décima volta, o top 10 tinha Hamilton, Verstappen, Bottas, Pérez, Sainz, Gasly, Leclerc, Alonso, Ricciardo e Norris. A diferença entre os rivais pelo título era de 1s7.

"Pneus estão muito quentes. Esfarelando na frente", informou Hamilton pelo rádio.

Na 11ª volta, enfim, um pouco de ação num GP que estava enfadonho. Ricciardo e Norris passaram Alonso.

O australiano continuou no modo endiabrado e, quatro voltas depois, deixou Leclerc para trás. A fase de adaptação ao carro da McLaren, pelo visto, foi concluída com sucesso _sim, ele foi superado por Norris no fim da corrida, mas já é um piloto diferente daquele do início do ano.

Instantes após ser superado, Leclerc abriu a primeira janela de pits. Tirou os médios e colocou os duros, estratégia padrão da turma da ponta para ir até o final da corrida. Na sequência pararam Tsunoda, Schumacher e Ricciardo.

Foi quando veio o segundo momento-chave da corrida.

Verstappen fez seu pit na 19ª volta. Hamilton, na 20ª.

Pit por pit, o inglês foi mais veloz que o rival: 2s2 contra 2s3. Mas a volta a mais na pista fez toda a diferença.

Verstappen gastou 1min58s099 na volta em que fez a parada. Hamilton, com pneus médios uma volta mais desgastados, levou 1min58s684. Esses 0s585 a menos somados a uma volta voadora do holandês assim que saiu dos boxes foram suficientes para que ele retomasse a posição justamente na freada da curva 1.

Começou então uma perseguição implacável. Hamilton colou no holandês e passou a infernizar sua vida.

"Não vai dar pra manter esse ritmo", lançou Verstappen para a equipe, pelo rádio, na 29ª volta. Sua preocupação claramente eram os pneus.

Dito e feito. Na 33ª volta, o holandês foi para os boxes novamente e colocou pneus médios.

Retornou em quarto, atrás de Pérez, mas logo ganhou a posição. Tinha Bottas à sua frente, com Hamilton na liderança.

A corrida ganhou contornos diferentes para os dois duelistas pelo título.

Verstappen passou a acelerar feito um louco para chegar em Bottas. Para Hamilton, tornou-se um desafio de resistência, um esforço total para conservar os pneus _um novo pit stop seria dar adeus à vitória.

As conversas pelo rádio tornaram-se intensas. Um jogo de marcação. Hamilton e Verstappen tentando entender um ao outro. E com Bottas no meio.

Na 44ª, Verstappen se livrou de Bottas em uma bela ultrapassagem e passou a tentar desesperadamente se aproximar do inglês. Terceiro, e decisivo, momento-chave do GP.

O holandês tinha pneus médios com 11 voltas de uso. O inglês, pneus duros com 24 voltas rodadas.

Não deu para Hamilton. Na penúltima volta, Verstappen colou no adversário e, sem grandes dificuldades, fez a ultrapassagem.

É raro, é histórico, convém prestar atenção quando acontece: estamos assistindo a uma passagem de bastão na F-1.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL