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Diego Garcia

REPORTAGEM

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Dívidas de Neymar ameaçam mais de R$ 70 milhões dos cofres do Santos

Neymar foi campeão da Libertadores pelo Santos - Reprodução/Instagram
Neymar foi campeão da Libertadores pelo Santos Imagem: Reprodução/Instagram
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

com Thiago Braga, do UOL

01/12/2021 08h00

A relação Santos e Neymar deu ao clube títulos e grandes alegrias, como jogadas inesquecíveis e gols memoráveis. Mas desde que o camisa 11 deixou a Vila Belmiro, o clube teve de arcar com uma série de pagamentos por conta da saída dele. No total, as dívidas referentes ao jogador podem superar os R$ 70 milhões.

O débito mais recente que o Santos teve de pagar foi no último mês de outubro, quando o Peixe quitou os R$ 4,4 milhões de comissão à FK Sports, empresa que atuou no recebimento do mecanismo de solidariedade de Neymar, quando o Paris Saint-Germain o tirou do Barcelona.

Este é só um dos casos envolvendo o jogador que geraram prejuízo ao Santos. Levantamento feito pela reportagem com base em ações judiciais que o Peixe teve de responder mostra que o Santos já teve de desembolsar cerca de R$ 12 milhões em pagamentos por conta de processos originados com a venda de Neymar. E outros R$ 40 milhões já tiveram condenações contrárias ao clube ou estão próximos de acordo.

Um dos pontos que virou problema para o Santos foi a prioridade dada ao Barcelona para adquirir Giva e Gabigol. Quando vendeu o hoje atacante do Flamengo para a Inter de Milão, da Itália, em 2016, o Santos não teria notificado o clube espanhol. Descontentes, os catalães acionaram o Alvinegro na Corte Arbitral do Esporte e o Peixe foi condenado a pagar R$ 18 milhões aos espanhóis.

Já por conta da preferência dada ao Barcelona na compra do atacante Giva, o Santos foi acionado na Justiça por quatro empresas. Gold Soccer e Aspire Sport tinham 53,33 % dos direitos econômicos de Giva. O Santos possuía 20% e o restante pertencia a outros investidores. As firmas já ganharam em duas instâncias o direito de receber sua fatia pela transferência, cerca de R$ 4 milhões.

Concrettize Holding e Participações e a Ed Wood Cine Vídeo também pedem, cada, 13,33% de participação nos direitos econômicos do jogador. O Peixe alega que não deve nada às empresas porque o jogador deixou o clube de graça. Se for novamente condenado, o clube terá de pagar mais R$ 4 milhões.

Criada no início da década passada para auxiliar a gestão do Santos, a Teisa (Terceira Estrela Investimentos S/A) adquiriu em 2/12/2010 do Santos 5% dos direitos econômicos de Neymar por R$ 3,5 milhões.

O clube chegou a pagar algumas parcelas do acordo para quitar a dívida com o grupo, mas a disputa foi parar na Justiça, e a empresa acertou o recebimento de R$ 7,4 milhões - a última parcela foi quitada neste ano.

Para completar, em julho deste ano, a gestão do presidente Andrés Rueda foi surpreendida com a cobrança de 2,7 milhões de euros (R$ 16,7 milhões) da Receita Federal da Espanha pela venda de Neymar ao Barcelona. Segundo o Fisco espanhol, o clube não pagou os impostos devidos pela transação.

Neste caso, o Santos tem confiança de que não precisará pagar, pois a responsabilidade seria do time catalão.

Por fim, em março de 2009, o DIS adquiriu 40% dos direitos econômicos de Neymar junto ao Santos. Só que quando o clube vendeu Neymar ao Barcelona quatro anos depois por 17,1 milhões de euros (R$ 74,8 milhões, à época, sendo que o Santos levou 55% do valor), a empresa só recebeu sua porcentagem referente a esse valor, sem contar a prioridade que o Santos deu ao Barcelona para contratar os atacantes Gabigol e Giva, nem o valor dos dois amistosos entre as equipes que ficou acertado quando Neymar se transferiu.

A dívida, que poderia ultrapassar os R$ 40 milhões, está em fase de acordo entre as partes, e o valor final do débito deve ficar perto dos R$ 18 milhões.

Por outro lado, o o clube brasileiro entende ainda ter R$ 28 milhões a receber da venda do atleta, concretizada em 2013. A informação consta em auditoria interna das demonstrações financeiras do clube do ano passado, entregue ao Conselho Fiscal em maio.

O documento detalha que o valor é referente ao segundo jogo amistoso entre Santos e Barcelona, nunca realizado devido ao encerramento do contrato do atleta com o clube espanhol —ele se transferiu ao PSG em 2017.

Nesse caso, estava previsto que o Barcelona pagaria 4,5 milhões de euros, o que ainda não aconteceu. E, até hoje, o Santos conta com a quantia, detalhada na auditoria na parte de contas a receber.

Segundo fontes do clube, existe um processo judicial referente a essa demanda. Além de outras ações judiciárias por conta da transferência, nas esferas cível, criminal e tributária, no Brasil e na Espanha.