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Diego Garcia

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Anvisa: CBF negociou com Casa Civil para continuar jogo; confederação nega

Reprodução da TV Globo mostra Yunes Baptista, da Anvisa, durante Brasil x Argentina que foi suspenso por intervenção da agência - Reprodução/Globo
Reprodução da TV Globo mostra Yunes Baptista, da Anvisa, durante Brasil x Argentina que foi suspenso por intervenção da agência Imagem: Reprodução/Globo
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

com Thiago Braga, colaboração para o UOL

08/09/2021 16h44

Em relatório complementar sobre os eventos ocorridos no último domingo (5), o servidor público Yunes Baptista, da Anvisa, afirmou que o presidente em exercício da CBF, Ednaldo Rodrigues, quis continuar o jogo com a Argentina após alegar negociar com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira.

De acordo com o funcionário, que foi à Neo Química Arena autuar os quatro argentinos acusados de mentir para entrar no Brasil, Ednaldo o abordou por volta de 16h45 informando que estava em contato com a Casa Civil e pedindo para o servidor falar com o ministro, o que foi rejeitado por Yunes.

"Neguei o contato e informei que se dirigisse à diretoria da Anvisa, a qual me encontrava subordinado, visto que se tratava de ação sanitária e legal", afirmou o servidor.

Em sua defesa, Ednaldo diz que sequer tem o contato de Ciro Nogueira e que jamais falou com o servidor sobre esse tema.

"O presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ednaldo Rodrigues, nega com veemência que tenha feito qualquer contato com servidores da Anvisa nos termos relatados pelo Relatório Complementar de Evento sobre o jogo entre Brasil e Argentina. Tampouco autorizou qualquer pessoa a falar em seu nome. O presidente da CBF não falou sobre esse ou qualquer outro assunto com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, sequer tem seu contato telefônico. A versão é fantasiosa", disse o cartola, em nota enviada à coluna.

O ministro vem sendo procurado pela coluna desde sábado, mas ainda não respondeu. Em nota nesta segunda, a Casa Civil disse que "não compete à Casa Civil autorizar a entrada em campo de jogadores que já estejam no país e que não tenham cumprido as regras sanitárias brasileiras".

Antes do fato com Ednaldo, Yunes ainda relatou que, após entrar no gramado, membros de Conmebol, CBF e AFA realizaram interlocuções para que não entrasse em campo durante a partida. Um representante da confederação brasileira, inclusive, tentou argumentar para esperar o intervalo de jogo, pois eles (os quatro argentinos) seriam substituídos.

O servidor, porém, não concordou, pois não se tratava de uma negociação, e sim de uma ação legal e sanitária corretiva de descumprimento da lei - os quatro atuam no Reino Unido e entraram no Brasil sem respeitar o período de 14 dias de quarentena para os viajantes que vierem desse local. E, segundo a Anvisa, ainda mentiram na declaração de entrada no país.

Yunes acrescentou que vários outros que se identificaram como dirigentes de alguma instituição perguntaram se seria possível alguma negociação, bem como outros tentaram conversas mais discretas, como o membro da comissão de governança da Conmebol, Sergio Ribas.

"Solicitou se poderia fornecer o telefone para contato de algum diretor da Anvisa ao qual estaria subordinado", afirmou o servidor.

A coluna também procurou a Conmebol para comentar as informações, mas ainda não teve resposta.