PUBLICIDADE
Topo

Diego Garcia

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Cartola nomeado interventor da CBF já recebeu R$ 1 milhão da confederação

Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF - Moacyr Lopes Junior/Folhapress
Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF Imagem: Moacyr Lopes Junior/Folhapress
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

28/07/2021 21h42

O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Rocha Carneiro Bastos, recebeu R$ 1,08 milhão da CBF, entre maio de 2020 e julho de 2021, por serviço prestados por meio de uma empresa de consultoria. Ele foi nomeado interventor da entidade na última segunda-feira (26).

A coluna teve acesso a documentos do contrato e notas fiscais referentes aos serviços. Eles são descritos como "produção, mediante ou sem encomenda prévia, de eventos, espetáculos, entrevistas, shows, ballet, danças, desfiles, teatros, óperas, concertos, recitais, festivais e congêneres".

A reportagem ainda teve acesso a e-mails trocados por Reinaldo com o atual presidente em exercício, o coronel Antônio Nunes, pedindo para suspender por tempo indeterminado a consultoria prestada pela Ombu Sports Consultoria à CBF seis dias antes de ele ser nomeado interventor. A informação foi publicada inicialmente pelo GE.com.

A Justiça do Rio de Janeiro anulou ontem (27) a eleição presidencial da CBF que colocou Rogério Caboclo no poder. O entendimento é que houve irregularidade na mudança do estatuto da entidade, que alterou o peso dos votos para o pleito, aumentando o poder das federações. Os clubes não participaram da assembleia que sacramentou a mudança.

Com a sentença, foram nomeados interventores para tocar a entidade: o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, e o presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos. Mas ambos ainda precisam dar o "aceite". A CBF vai recorrer da decisão.

Caboclo foi procurado, mas não respondeu até a publicação - que será atualizada tão logo ele se manifeste. Em nota enviada à coluna, Reinaldo confirmou o contrato com a CBF. Veja, abaixo, a manifestação do presidente da FPF, na íntegra:

Em abril de 2020, recebi da CBF uma proposta profissional para prestar serviços de consultoria para a Entidade, que entendeu que minha experiência pessoal de quase 40 anos no futebol era valiosa para o aprimoramento da gestão do esporte brasileiro.

Como não quis ser funcionário da entidade, abri naquele mês a empresa Ombu Sports, registrada oficialmente em meu nome na Junta Comercial do Estado de São Paulo.

A proposta de trabalho, que envolvia consultoria voltada ao desenvolvimento de competições, planejamento, arbitragem e relacionamento, foi aprovada por todas as instâncias necessárias da CBF, inclusive as diretorias jurídica, financeira e a presidência, então ocupada por Rogério Caboclo.

A prestação de serviços, realizada fora do âmbito das minhas atribuições na presidência da FPF, gerou rendimentos compatíveis com o mercado esportivo.

Causa surpresa que detalhes do contrato e notas fiscais sejam tornados públicos com ares de escândalo justamente no momento em que meu nome foi escolhido pela Justiça do Rio como interventor na CBF.

A existência do vínculo profissional nunca foi segredo, tanto que a empresa foi registrada na Jucesp em meu nome para que não houvesse dúvidas sobre a quem a Ombu Sports de fato pertence.
Não há absolutamente nenhuma ilegalidade no acordo profissional ou nos rendimentos dele provenientes, registrados oficialmente em meu Imposto de Renda e declarados integralmente à Receita Federal.
Por minha decisão, o contrato foi encerrado em junho, uma vez que não havia mais demandas de trabalho com a mudança do comando na CBF.