PUBLICIDADE
Topo

Diego Garcia

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

'Copa América da Morte' é o que Bolsonaro quer para promover negacionismo

Manifestante anti-Bolsonaro pede vacina em protesto no fim de semana - Getty Images
Manifestante anti-Bolsonaro pede vacina em protesto no fim de semana Imagem: Getty Images
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

31/05/2021 12h11

Em reunião emergencial nesta segunda, após pedido da Conmebol, a CBF consultou o governo Bolsonaro para a realização da Copa América no país. Recebeu sinal positivo. A informação é confirmada por fontes da CBF à coluna. Assim, o torneio, que seria inicialmente na Colômbia e Argentina, teve sua realização transferida para o Brasil.

Fica claro que a Conmebol tomou o caminho mais fácil em meio à pior crise sanitária dos últimos 100 anos: decidiu trazer a Copa América ao país do negacionismo, presidido pelo Capitão Cloroquina. Que recebeu um agradecimento público da entidade no Twitter, indicando influência sua na decisão.

Trazer a Copa América ao Brasil é necessário para continuar promovendo esse genocídio. Já são mais de 460 mil mortos e contando. E, possivelmente, atingiremos a lamentável marca de meio milhão de óbitos em data próxima à final do torneio, já em julho.

Imaginem a cena: um domingo, na mesma semana que o Brasil voltou a bater a marca de 4 mil mortos, no pior momento da pandemia, e Bolsonaro, sem máscara e sorridente, desce ao gramado do estádio para entregar a taça ao capitão da seleção campeã? Patético.

Oras, se o torneio foi retirado da Argentina pelo agravamento da crise da Covid-19, por que trazer ao Brasil, que vem piorando as estatísticas da pandemia, com média diária de mortos acima de 1 mil há mais de quatro meses? O motivo é só um e fica no Palácio da Alvorada.

Nas últimas 24 horas, a Argentina registrou 41 mil novos casos de coronavírus. Inferior à média de quase 60 mil no Brasil registrada até a última sexta, com tendência de estabilidade. A população lá é 5 vezes menor, o que indica que, de fato, a situação atual é pior.

Porém, fica claro que pouco importa que se tenha uma terceira onda da Covid-19 no Brasil em julho, como preveem especialistas. Todos só querem continuar promovendo esse show de negacionismo, às custas das vidas de quem quer que seja. Bolsonaro agradece.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL