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Diego Garcia

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Organizada do Fla se reúne e opta por posição neutra em questão da Havan

Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

14/05/2021 12h00

Uma das maiores organizadas do Flamengo, a Torcida Jovem Fla se reuniu na última quarta-feira (12) e decidiu adotar uma postura neutra diante do patrocínio da Havan, que gerou polêmica entre torcedores rubro-negros e também nas redes sociais.

Em contato com a coluna, a torcida afirmou que definiu ter como posicionamento que o importante é apenas a origem do dinheiro, se é lícita. Para a Jovem Fla, o clube funcionando é o que importa, segundo porta-voz da organizada. O acordo é de R$ 6,5 milhões pela manga do uniforme.

A organizada decidiu adotar a posição de que a preocupação não deve ser a vertente política. A torcida lembrou que não teve posicionamento perante reuniões com o atual governo, contra instituições como Globo ou questões anteriores, como patrocínios com estatais.

Então, ficou definido que o posicionamento hoje é que, se o dinheiro vem de forma lícita, pouco importa se a instituição de onde vem o dinheiro tem proprietário, presidente ou CEO com determinada vertente política.

O posicionamento neutro é diferente do de outra parte dos torcedores do clube. O Movimento Flamengo Antifascista, por exemplo, disse à coluna que é correta a atitude de parte da torcida de não querer comprar a camisa com a marca da Havan estampada.

O Flamento Antifa acredita que a empresa é péssima para a imagem do clube, pois envolve "o que há de mais sujo neste país, associada ao Bolsonaro, corrupção, exploração de mão de obra e sonegação de impostos". Para o movimento, os torcedores rubro-negros não podem aceitar de cabeça baixa o uso político que querem fazer do clube de maior torcida do país.

O movimento acredita que a boa fase do clube dentro de campo desperta interesses obscuros por parte de setores políticos. Os torcedores se lembraram da relação do Fla com o General Médici, um ditador que governou o país no auge da depressão e era torcedor rubro-negro, comparecendo constantemente aos jogos da equipe.

Para os torcedores, o patrocínio foi "completamente desnecessário", em um momento que a imagem do atual presidente se desmancha com a CPI da covid e a descoberta de um mensalão de R$ 3 bilhões no Congresso. Para eles, é péssimo que a imagem do Flamengo seja usada dessa forma, mesmo que indiretamente com um dos principais parceiros de Bolsonaro.

O anúncio gerou polêmica, com a hashtag #ForaHavan virando trending topics no Twitter e muitos flamenguistas manifestando que não iriam adquirir o uniforme com o patrocínio. A atual diretoria vem tendo aproximação intensa com o governo Bolsonaro.