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Danilo Lavieri

Seleção de Tite é mais odiada por problemas da CBF do que por desempenho

Tite comanda a seleção brasileira durante partida contra o Uruguai pelas Eliminatórias - Raúl Martínez-Pool/Getty Images
Tite comanda a seleção brasileira durante partida contra o Uruguai pelas Eliminatórias Imagem: Raúl Martínez-Pool/Getty Images
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

18/11/2020 04h00

Se olhar só para o desempenho da seleção brasileira, o torcedor tem poucos motivos para reclamar de Tite e de seus comandados. Com 100% de aproveitamento e o melhor desempenho desde as Eliminatórias para a Copa de 1982, o time fez mais uma boa apresentação ontem e, desta vez, contra um dos rivais mais fortes da competição, o Uruguai.

Antes dele, o time tinha jogado bem contra a Bolívia, em casa, e contra o Peru, fora. É verdade que os dois times não têm tradição em ficar nas primeiras colocações das Eliminatórias, mas ambos vêm em crescimento. Não à toa, os peruanos participaram do Mundial pela primeira vez em quase 40 anos.

Contra a Venezuela, o time teve o pior desempenho até aqui, com um jogo burocrático, mas fez o suficiente para somar os três pontos, coisa que o Chile, por exemplo, não fez ao perder ontem por 2 a 1.

São 16 jogos da seleção nas Eliminatórias, 14 vitórias, dois empates, com 42 gols marcados e cinco sofridos. Definitivamente, não é pouca coisa. Até mesmo na fatídica derrota contra a Bélgica, na Copa do Mundo de 2018, o time não jogou tão mal, mas foi superado dentro de campo.

A questão é que fora de campo a CBF não ajuda em nada no carinho do torcedor pela seleção. A entidade faz promessa ano atrás de ano de melhorar o calendário, mas continua punindo os clubes com as convocações. E no ano que vem vai ser ainda pior, com Copa América e Olimpíadas sendo disputados enquanto o calendário nacional segue normalmente.

Na prática, a entidade pune os times que fizeram um bom trabalho e conseguiram contratar os destaques de cada país. E não só os da seleção brasileira. Viña e Gustavo Gómez, por exemplo, desfalcam o Palmeiras para defender Uruguai e Paraguai.

Tite já tentou mostrar aos seus chefes na CBF que essa situação é um absurdo e recentemente parou de fazer campanha pública por isso. Poderia até continuar, mas para isso se colocaria em uma situação ruim no próprio trabalho e colocaria em risco o cargo mais desejado do país.

Ele já abriu até exceções (em amistosos ou jogos menos importantes) ao não convocar atletas que estavam em disputas importantes por seu time. Mas como condenar o treinador por querer convocar os melhores jogadores para a disputa de uma vaga na Copa? Como condená-lo por fazer testes e ver de perto como cada atleta reage para poder ter um melhor diagnóstico na hora de convocar a lista do Mundial?.

Convocações merecem cornetas

É claro que Tite também faz convocações que fazem as cornetas soarem, mas a questão é: qual técnico da seleção não é criticado pelas escolhas que fez? Basta lembrar o quanto Felipão apanhou em 2002 por diversas escolhas, sendo a ausência de Romário a principal delas. O resultado foi o título.

Todo treinador tem os jogadores que são mais de sua confiança. Nunca haverá unanimidade, ainda mais em um país como o Brasil que tem mais de 200 milhões de técnicos profissionais. Toda lista merece observação e pode ser criticada, mas daí a pedir a troca no comando da seleção tem um longo caminho pela frente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.