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Alicia Klein

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Endrick: cria do Palmeiras, joia do Brasil

Endrick, atacante do Palmeiras, comemora título da Copinha 2022 e prêmio individual - Marcello Zambrana/AGIF
Endrick, atacante do Palmeiras, comemora título da Copinha 2022 e prêmio individual Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
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Alicia Klein

Alicia Klein tem quase 20 anos de mercado esportivo em posições de liderança no Brasil e no exterior. Escreveu a biografia de Michael Schumacher, trabalhou na NFL, no universo olímpico e no da Copa do Mundo. Decidiu que é hora de falar sobre misoginia, racismo, trabalho infantil e tudo que o esporte aceita em nome dos resultados dentro e fora de campo.

25/01/2022 15h19

Não é só a eficiência. A capacidade de somar força física, habilidade, inteligência de posicionamento e compreensão tática, transformando tudo isso em gols.

Não é só porque são gols do meio de campo, de bicicleta, onde a coruja dorme.

Não é só porque, além dos gols, ele distribui assistências e cartões amarelos aos adversários.

Não é só a resiliência para suportar a pressão, as faltas duras, os empurrões, a revolta contra sua carretilha.

Não é só o entendimento de que é preciso ficar calado no banco. Que nem sempre é sua vez. Que o treinador pode fazer outras escolhas.

Não é só a humildade de reconhecer que sua cabeça deve estar na base. Que pensar no profissional cedo demais pode atrapalhar sua carreira. Que engolir a Disney seja necessário para um dia estar no Mundial.

Não é só o carisma. A paciência para tirar, com um sorriso enorme, uma dezena de selfies à beira do gramado com celulares arremessados por torcedoras e torcedores em êxtase.

Não é só o reconhecimento da importância da conquista. Ou chamar o Palmeiras de "nossa sociedade".

Não é só o discurso de agradecimento à família, à namorada, aos companheiros, a Deus. A declaração pública de que nenhum sucesso seria possível sozinho.

Não é só a voz embargada ao falar do irmãozinho. (Quem não gostaria de ser a maior vitória de um irmão incrivelmente vitorioso?)

Não é só o que Endrick vem mostrando dentro de campo. E não é só a maturidade que parece ter para aguentar a bronca de ser o que é dentro de campo.

É mais do que isso.

É a combinação de todos esses fatores em um menino de 15 anos de idade. Quinze. Uma quase criança nascida em 2006, sem idade sequer para ter um contrato com o clube que o acolheu.

Hoje, é a torcida do Palmeiras que celebra sua existência. Mas Endrick ainda pode trazer muitas alegrias a quem torce pelo Brasil. Se o joelho aguentar, se não o alavancarem rápido demais, se o universo conspirar a seu (nosso) favor, ele pode estar na Copa do Mundo de 2026. E 2030. E 2034, quando teria ainda 28 anos.

Endrick é mais do que Cria da Academia: ele é um presente para o futebol brasileiro e a arte que ele pode ser.