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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Spurs, Knicks, Blazers e mais: As notas do Draft da NBA, Parte II

Dyson Daniels, escolha #8 do Draft da NBA - NBA/Twitter
Dyson Daniels, escolha #8 do Draft da NBA Imagem: NBA/Twitter
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Vitor Camargo

Vitor Camargo é economista formado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Desde 2011 escreve sobre esportes americanos, com passagens por Yahoo, Gazeta do Povo e o seu próprio site, o Two-Minute Warning. Foi comentarista de beisebol na Fox Sports e consultor técnico na tradução do livro Moneyball (2011). É autor do livro Era de Gigantes (2019), o primeiro sobre a história da NBA escrito no Brasil, e apresentador do podcast Na Era do Garrafão.

28/06/2022 04h00

O Draft da NBA - eventual no qual jogadores amadores são selecionados pelos times da liga - foi realizado semana passada, e nós já falamos um pouco a respeito por aqui: tivemos um breve resumo das primeiras escolhas, e depois entramos em detalhes sobre como o brasileiro Gui Santos acabou sendo escolhido pelo atual campeão da NBA, o Golden State Warriors.

Mas agora é hora de fazer uma análise mais completa, então vamos passar por todos os 30 times - sim, todos os 30 - da NBA para palpitar em como cada um se saiu em uma das noites mais importantes do ano. Por questões de espaço, essa coluna vai ser dividida em cinco partes:

Parte I - Segunda, 27/07
Parte II - Terça, 28/07
Parte III - Quarta, 29/07
Parte IV - Quinta, 30/07
Parte V - Sexta, 31/07

Lembrando que essa nota é só uma reação instantânea da minha parte, e não deve ser levado tão a sério. E se você está se perguntando porque um site brasileiro está usando o sistema norte-americano de nota, bem, esse é um daqueles mistérios da vida.

Portland Trail Blazers: B+

Shaedon Sharpe, SG (#7)
Kendall Brown, SF (#57)

Essa escolha à primeira vista parece contraditória. Os Blazers acabaram de trocar por Jeremi Grant, indicando uma direção de montar um time competitivo no curto prazo para competir com Dame Lillard; mas então eles chegam no Draft e usam a escolha #7 em Sharpe, um dos jogadores mais crus e de maior potencial do Draft, o protótipo de uma escolha de médio prazo? Parece que os Blazers estão remando em direções opostas, o que geralmente não é bom.

Mas a verdade é mais complicada. Eu já disse nesse espaço que estou pessimista com a decisão dos Blazers de tentar competir rapidamente E se montar para o futuro ao mesmo tempo, mas eis a questão: que jogador disponível no #7 teria mudado consideravelmente as perspectivas da equipe no curto prazo? Havia jogadores mais prontos para contribuir do que Sharpe, mas nenhum realmente subiria a equipe de patamar. Trocar a escolha seria o ideal no papel, mas nós sabemos que os Blazers tentaram e não conseguiram. O que deveriam fazer aqui então, ignorar completamente a questão do valor e pegar um jogador mais veterano que pudesse ajudar um pouco no curto prazo mas sacrificando seu futuro? Isso seria um erro grotesco (oi, Kings!).

As circunstâncias talvez não fossem ideais, mas sendo o que eram, os Blazers fizeram o que deviam: pegaram o melhor jogador, um ala de altíssimo potencial com seu combo de capacidade física, arremesso, tamanho e defesa, alguém que pode ser uma base importante para o futuro OU mesmo servir como moeda de troca em uma negociação futura. Dada a situação, fizeram o melhor que podiam.

New Orleans Pelicans: B+

Dyson Daniels, PG (#8)
EJ Liddell, PF (#41)
Karlo Matkovic, C (#53)

Você pode, como tudo que os Pelicans fizeram nos últimos dois anos, questionar o encaixe entre as peças adquiridas e a necessidade da equipe de conseguir bons arremessadores para cercar Zion Williamson. Mas é inegável que os Pelicans se saíram muito bem no quesito talento.

Dyson Daniels é um dos meus jogadores favoritos nessa classe, um armador com tamanho de ala e excelente defesa, capaz de armar o jogo com maestria. Ele vai trazer bastante da criatividade e criação que os Pelicans perderam com a saída de Lonzo Ball, e mantém as características de tamanho e físicas que os Pelicans fizeram da sua identidade. Seu chute de fora é, claro, um problema e que vai se fazer notar, mas eu estou otimista com sua evolução e acho que vai encaixar bem de modo geral no que NOLA quer fazer (se o que eles querem fazer é sábio ou não fica para outro dia). Também gosto bastante da escolha por Liddell, cotado por muitos como um talento de primeira rodada que acharam na segunda, outro excelente defensor atlético para a equipe.

San Antonio Spurs: A-

Jeremy Sochen, PF (#9)
Malachi Branham, SF (#20)
Blake Wesley, SG (#25)

Eu admito que, a princípio, não gostei muito da escolha de Sochen; o ala tem um jogo bastante atraente para a NBA moderna com sua defesa extremamente versátil, capacidade de passe, inteligência de jogo e capacidade de fazer trabalho sujo para elevar o time além dos números. Mas para um time preso no limbo como os Spurs, eu gostaria de ver a equipe deixar de lado as escolhas seguras para ir atrás de alguém com mais potencial, com mais chance de ser um All Star. Sochen vai ser bom, mas não vejo mudando um time em reconstrução de patamar.

Mas os Spurs mudaram minha visão com suas outras duas escolhas de primeira rodada, indo atrás de dois jogadores extremamente explosivos e de altíssimo potencial em Wesley e Branham. Branham em especial é o tipo de pontuador explosivo e com ótimo arremesso que San Antonio não tem e precisa urgentemente para dar sentido à coleção de talentos que a franquia tem acumulado, enquanto Wesley é muito mais cru, mas igualmente tem potencial impressionante com sua capacidade de criação e de atacar a cesta. Se um ou os dois vão dar certo, eu não sei, mas me agrada muito ver os Spurs usando suas escolhas extras para correr o risco que evitavam com suas escolhas normais.

Washington Wizards: B-

Johnny Davis, SG (#10)
Yannick Nzosa, C (#54)

A nota blasé não tem a ver com Davis em si, um jogador que eu gosto com boa defesa, caráter, inteligência de jogo e capacidade de pontuação, que (após jogar machucado boa parte do ano) acabou ficando até subestimado nesse Draft; na verdade, eu acho que Davis é o tipo de jogador estável e sólido que os Wizards tanto precisam ao lado de Bradley Beal. Eu também gosto da aposta em Nzosa na segunda rodada, com baixo risco e razoável recompensa para uma escolha de fim de feira.

Mas os Wizards estão presos em uma situação tão medíocre que é difícil de achar que Davis - ou qualquer outro calouro - mudaria muito as coisas. Eu não necessariamente concordo com as críticas de que Davis foi uma escolha ruim porque Washington deveria ter ido atrás de alguém com mais potencial - acho que Davis tem razoável potencial e oferece coerência aos Wizards de uma forma que ajuda o todo - mas também não vai ser ele quem vai salvar Washington do fundo do Ranking 14 Anéis de Otimismo.

New York Knicks: C+

Trevor Keels, PG (#42)

Os Knicks trocaram sua escolha de primeira rodada (#11, Ousmane Dieng) para o Oklahoma City Thunder em troca de três escolhas futuras de Draft; depois, trocaram uma delas junto de algumas de segunda rodada para se livrar do contrato de Kemba Walker, recebendo ainda de Detroit uma escolha futura dos Bucks.

O saldo dos Knicks em termos de primeira rodada foi o de adicionar duas escolhas em termos de saldo, e eu nunca vou criticar times por adicionarem ativos futuros extras dessa maneira, especialmente se não tinha ninguém que os Knicks gostassem disponível no #11. Por outro lado, as escolhas adicionadas são altamente protegidas e é possível que acabem não convertendo - ou então sendo mais desfavoráveis do que a #11 que trocaram.

E o mais difícil aqui é saber qual exatamente é o caminho que os Knicks querem seguir: adquirir talentos pensando em uma construção mais a longo prazo? Acumular ativos para uma troca? Abrir espaço salarial e apostar nos free agents de novo? Sem saber isso, é difícil julgar como os movimentos polêmicos dos Knicks no Draft contribuem para a equipe; eles certamente irão atrás de Kyrie e/ou Brunson e se livrar do contrato de Kemba ajuda nesse sentido, mas nós vimos os Knicks fracassarem por 20 anos ao apostarem nesse tipo de estratégia. Não estou pessimimista a respeito dos movimentos como várias pessoas que eu vi, mas ainda estou com um pé atrás sobre o que tudo isso significa.

Ah, vale citar: eu gosto bastante da escolha de Keels na segunda rodada.

Charlotte Hornets: A-

Mark Williams, C (#15)
Josh Minott, PF (#45)

Eu realmente detesto que os Hornets tenham trocado a escolha #13 (Jalen Duren) por uma escolha futura dos Nuggets que muito provavelmente estará para o fim da primeira rodada. Me parece uma decisão financeira para evitar mais um salário, e essa é uma péssima motivação dado o contexto do time e os talentos disponíveis.

Mas os Hornets ainda ganham um A- porque a escolha de Mark Williams é simplesmente perfeita, o melhor encaixe do Draft tirando Ivey nos Pistons. Eu amo Williams, e ele é tudo que os Hornets sonhavam: um defensor de elite e excelente protetor de aro, cuja capacidade atlética faz dele o parceiro perfeito para correr em transição e receber uma série de pontes aéreas de LaMelo Ball em Charlotte. Na pior das hipóteses, ele vai ajudar a ancorar uma das piores defesas da NBA e dar várias enterradas por jogo, e isso supondo - o que eu duvido - que ele não tenha mais espaço para desenvolver e expandir seu jogo. Acerto gigantesco dos Hornets em um jogador que pode transformar os pontos fracos da equipe sem tirar de tudo que ela faz bem hoje.

A seguir: Parte III