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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Magic, Rockets, Thunder e mais: As notas do Draft da NBA, Parte I

Paolo Banchero, a escolha #1 do Draft 2022 da NBA - Michael J. LeBrecht II/NBAE, Getty Images
Paolo Banchero, a escolha #1 do Draft 2022 da NBA Imagem: Michael J. LeBrecht II/NBAE, Getty Images
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Vitor Camargo

Vitor Camargo é economista formado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Desde 2011 escreve sobre esportes americanos, com passagens por Yahoo, Gazeta do Povo e o seu próprio site, o Two-Minute Warning. Foi comentarista de beisebol na Fox Sports e consultor técnico na tradução do livro Moneyball (2011). É autor do livro Era de Gigantes (2019), o primeiro sobre a história da NBA escrito no Brasil, e apresentador do podcast Na Era do Garrafão.

27/06/2022 04h00

O Draft da NBA - eventual anual no qual jogadores amadores são selecionados pelos times da liga - foi realizado semana passada, dia 23/07, e nós já falamos um pouco a respeito por aqui: tivemos um breve resumo das primeiras escolhas, e depois entramos em detalhes sobre como o brasileiro Gui Santos acabou sendo escolhido pelo atual campeão da NBA, o Golden State Warriors.

Mas agora é hora de fazer uma análise mais completa, então vamos passar por todos os 30 times - sim, todos os 30 - da NBA para palpitar em como cada um se saiu em uma das noites mais importantes do ano. Por questões de espaço, essa coluna vai ser dividida em cinco partes, uma para cada dia da semana:

Parte I - Segunda, 27/07
Parte II - Terça, 28/07
Parte III - Quarta, 29/07
Parte IV - Quinta, 30/07
Parte V - Sexta, 31/07

Lembrando que essa nota não passa de uma reação instantânea da minha parte, e não deve ser levado tão a sério. E se você está se perguntando porque um site brasileiro está usando o sistema norte-americano de nota, bem, esse é um daqueles mistérios da vida.

Vamos a isto.

Orlando Magic: A-

Paolo Banchero, PF (Escolha #1)
Caleb Houston, SG (#32)

O grande azar do Magic foi Victor Wembayama, pivô francês considerado o melhor jovem talento a chegar na NBA desde LeBron James, não ter nascido quatro dias antes; se fosse o caso, ele estaria nesse Draft, e teria sido a escolha do Magic. Ao invés disso, falta de uma clara estrela no topo do recrutamento é o que fez esse Draft ser considerado fraco.

Mas isso não quer dizer que Orlando não tivesse bons jogadores disponíveis, e a franquia fez sua escolha ao selecionar o ala-pivô Paolo Banchero. Eu admito que não era minha preferência aqui - tinha Jabari Smith como meu #1 - mas a diferença é mínima, e nunca é bom ficar preso demais nas suas preferências. Banchero era meu #2, e também é um encaixe muito bom em um time do Magic que começou a montar algo especial ano passado, mas faltava um astro para comandar o ataque. Entre todo o Draft, Banchero é quem mais tem o perfil de um pontuador #1 de uma equipe com seu combo de arremesso, domínio de bola e finalização perto do aro, e chega para encaixar na posição vaga da equipe e ser a peça final da montagem do time.

Também gosto bastante da escolha de Houstan na segunda rodada, um jogador cotado por muitos na primeira rodada com um interessante combo de tamanho, defesa e arremesso que vai encaixar bem nesse elenco de Orlando.

Oklahoma City Thunder: B+

Chet Holmgren, PF (#2)
Ousmane Dieng, SF (#11)
Jalen Williams, SF (#12)
Jaylin Williams, PF (#34)

Uma coisa ninguém pode negar: Oklahoma City tem um tipo, já que todos os jogadores que a franquia escolheu tem o mesmo perfil: jogadores altos e longos, versáteis com a bola, capazes de contribuir dos dois lados da quadra, ainda que crus. Não é exatamente uma surpresa dado o investimento da equipe recentemente em nomes como Josh Giddey e Alexey Pokusevski, mas ao brincar de NBA 2K22 e selecionar uma tonelada de jogadores na primeira rodada do Draft o Thunder dobrou sua aposta nesse protótipo.

Os jogadores, claro, fazem isso de formas diferentes: Holmgren, cotados por muito como o jogador #1 da classe, é um jogador ofensivo refinado cuja maior característica na defesa é sua espetacular proteção de aro apesar do físico magro; Dieng e Jaylin são mais físicos, atléticos e trombadores; e Williams é quase um armador em corpo de ala, particularmente bom jogando com a bola nas mãos. O talento que conseguiram é inegável, embora Jalen Williams tenha saído um pouco cedo demais, e a nota depende um pouco da sua visão sobre o estilo de time que OKC quer montar; eu admiro, mas questiono como tantos jogadores parecidos vão complementar uns aos outros em busca de evolução consistente. É meu único problema com o que OKC está fazendo.

Ah, bônus por OKC nos render o melhor meme do Draft:

Houston Rockets: A+

Jabari Smith, PF (#3)
Tari Eason, PF (#17)
TyTy Washington, PG (#29)

Pelo segundo ano seguido, os Rockets mandaram muito bem no Draft. Jabari Smith, como eu já disse, era meu jogador #1 da classe, e sua combinação de defesa versátil, excelente arremesso, altura e capacidade atlética fazem dele um encaixe perfeito com Jalen Green e Alperen Sengun - e Smith ainda tem potencial de ser muito mais que isso. Eason também é um excelente encaixe tanto com Smith como com o resto do elenco, um defensor muito físico, atlético e versátil que tem evoluído ofensivamente.

E se eu não sou pessoalmente um grande fã do TyTy Washington, é inegável que o armador supre uma necessidade urgente da equipe: a de ter alguém capaz de organizar o jogo e distribuir a bola para os jogadores. Parte de ter tantos jovens talentos é desenvolver esses jogadores, e para isso um armador como Washington pode ser de grande ajuda - e uma ajuda que os Rockets não tinham no elenco. Os Rockets já se deram muito bem em termos de talento e valor, mas o encaixe entre as peças seja ainda melhor.

Sacramento Kings: D-

Keegan Murray, PF (#4)

Ah, os Kings... você sempre pode contar com eles para estragar tudo. Esqueça por um segundo que Murray foi a escolha com um talento unanimemente superior em Jaden Ivey disponível, e que Murray não aparecia na maioria das listas de melhores jogadores até perto do #8: a lógica por trás da escolha é um fiasco em si. Murray é um jogador mais velho, pronto para a NBA - bom arremesso, capaz de se movimentar e pontuar sem precisar de bola, defensor versátil e inteligente - mas também com potencial bastante limitado, alguém que chega para ser um bom coadjuvante e é isso.

Com essa decisão, os Kings - quarto pior time do Oeste em 2022 - estão novamente sacrificando seu futuro em prol do objetivo de vencer rapidamente, sendo que o time simplesmente não é bom o suficiente para tal. Nada contra Murray, que vai ser um bom jogador por anos a fio, mas ele não muda o time de patamar no curto prazo, e não altera o panorama do time no médio/longo - um desperdício para a escolha #4.

E, para piorar, por que os Kings estão trocando o cru mas talentoso Jalen Hardy (sua escolha de segunda rodada)? Se tem um time que precisa apostar em talentos de alto risco, alta recompensa - especialmente depois da escolha de Murray - era os Kings, e eles jogaram isso fora também.

Detroit Pistons: S

Jaden Ivey, PG (#5)
Jalen Duren, C (#13)
Gabriele Procida, SG (#36)

Eu sei que é roubar, mas a verdade é que esse Draft não poderia ter sido mais perfeito para os Pistons. Ivey é alguém que alguns cotavam como maior talento do Draft, e que não deveria ter passado em hipótese alguma do #4; ao invés disso, Detroit fica com ele no #5. E não só pelo talento, mas Ivey era o encaixe perfeito para a equipe: sua explosão e capacidade de jogar sem a bola fazem dele o parceiro perfeito para Cade Cunningham, enquanto a presença de Cade permite a Ivey não precisar armar tanto o jogo e evoluir aos poucos. Era o cenário dos sonhos, e conseguir Duren - em troca, essencialmente, de Jeremi Grant - é um ótimo bônus: eu não sou o maior fã do pivô mas muitos eram, e ele também é alguém que combina perfeito com Ivey e Cunningham, muito atlético e alguém que vai fazer a festa pegando pontes aéreas no ataque. Em uma noite, Pistons deu um salto enorme de talento e capacidade atlética que joga sua reconstrução lá em cima.

E, para melhorar, eles ainda conseguiram Procida, meu jogador internacional favorito da classe; os boatos é de que Detroit não deve trazer o italiano para a NBA ainda, mas com seu combo de tamanho, arremesso, capacidade atlética e defesa perfeito para a NBA moderna, ficaria surpreso se ele não estivesse nos Estados Unidos em pouco tempo. Noite perfeita para Detroit.

Indiana Pacers: B

Benedict Mathurin, SG (#6)
Andrew Nembhard, PG (#31)
Kendall Brown, SF (#45)

Admito ter dificuldade de saber o que fazer com Mathurin, alguém que eu pessoalmente não sou fã - sua combinação de tamanho, capacidade atlética e arremesso oferece a ele bastante potencial, mas a meu ver falta conexão entre suas habilidades de uma forma construtiva na NBA - mas que muitos (e muitos que entendem mais que eu) adoram, o que me deixa confuso: confio no meu taco para dar a nota? Aceito minhas limitações e sigo os demais? Nunca sei bem o que fazer.

Mas uma coisa é certa: para um time iniciando uma reconstrução como Indiana, pelo menos faz sentido apostar no grande potencial de Mathurin (oi, Kings!), então a lógica em geral faz bastante sentido. E também foi isso o que fizeram com Kendall Brown, que era um recruta extremamente bem cotado que caiu em um ano irregular, mas ainda era cotado como escolha de primeira rodada. a escolha de Nembhard é a que destoa um pouco: eu gosto muito do jogador, mas é o tipo de jogador estável, sólido e de alto piso que para mim faz mais sentido em um time veterano e competitivo do que em um muito jovem que vai demorar anos para ser bom.

A seguir: Parte II