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Na BA, Lula estreia na rua, Bolsonaro faz motociata e Ciro e Tebet se unem

Lucas Borges Teixeira, Giovanna Galvani, Thaís Augusto, Camila Turtelli, Alexandre Santos e Juliana Almirante

Do UOL, em São Paulo e Brasília, e colaboração para o UOL, em Salvador

02/07/2022 04h00

As festas de independência da Bahia hoje em Salvador tiveram quebra de protocolo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), motociata do presidente Jair Bolsonaro (PL) e uma união informal entre o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e a senadora Simone Tebet (MDB-MS).

É a primeira vez que os quatro participam de eventos públicos na mesma cidade no mesmo dia. Três deles participaram do mesmo ato, tradicional cortejo entre o Largo da Lapinha e a Praça Thomé de Souza, durante a manhã, enquanto Bolsonaro andou de moto com apoiadores pela orla. À tarde, Lula fez ainda um grande ato na Arena Fonte Nova.

Estreia de Lula na rua e ato em estádio

O ex-presidente escolheu o cortejo tradicional de 2 de Julho na Bahia para fazer sua estreia de caminhada na rua. Ao lado do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), vice na chapa, do senador Jaques Wagner (PT-BA), do ex-secretário Jerônimo Rodrigues (PT), pré-candidato ao governo do estado, e do governador Rui Costa (PT), ele andou por cerca de uma hora pelo centro de Salvador rodeado de apoiadores.

Lula decidiu participar do cortejo na Lapinha depois de uma semana de debate com a equipe. Os ataques recentes ao grupo e a presença de Bolsonaro na cidade fizeram com que a pré-campanha ficasse receosa quanto à presença do petista no meio da multidão.

Lula bateu o pé. Além de se sentir mais à vontade, o ex-presidente queria combater a todo custo o discurso bolsonarista de que ele não consegue sair nas ruas. A iniciativa enfraquece esta narrativa. "Estivemos em uma caminhada em Salvador com milhares de pessoas e não houve um incidente sequer, numa demonstração de que o povo brasileiro não só é democrático como gosta de manifestações democráticas", comemorou, em suas redes sociais.

Depois da caminhada e uma pausa para almoço, o grupo foi ao estacionamento da Arena Fonte Nova para um evento a céu aberto, mas com credenciamento de público, já previsto. O senador Otto Alencar (PSD-BA), que concorre à reeleição, se juntou ao palanque.

Lula falou por cerca de 25 minutos, em um discurso lido — algo que não fazia desde o lançamento da pré-candidatura, em maio. O ex-presidente deu uma cutucada no ex-presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, demitido em meio a acusações de assédio sexual, e reafirmou projetos econômicos e sociais, como reforma tributária, fortalecimento do Bolsa Família e posicionamento contra a privatização da Petrobras.

Toalhas, bandeiras e bonés com as siglas do MST (Movimento Sem Terra) na cor vermelha predominaram hoje em meio a tímidas camisas amarelas durante ato com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Salvador.

Ao UOL, os poucos apoiadores que usavam o que se tornou o tom preferido dos bolsonaristas afirmaram que "o povo" vai recuperar de volta todos os símbolos "sequestrados" pelos simpatizantes do atual presidente. A camisa da seleção brasileira, dizem, é um deles.

Além das tradicionais vestimentas estampando o rosto de Lula, militantes petistas exibiam adesivos, estrelas em papel, dentre outros materiais com referência aos pré-candidatos com "Lula Livre", "Lula na Bahia" e "Lula de Novo".

Motociata de Bolsonaro

Já Bolsonaro decidiu recorrer a uma motociata com apoiadores, marca da pré-campanha. Ele chegou ao Farol da Barra por volta das 9h30 e partiu pela orla soteropolitana às 10h, com o ex-ministro da Cidadania João Roma (PL), seu pré-candidato ao governo do estado, na garupa.

Bolsonaro foi recebido pelos apoiadores com gritos de "mito", sem protestos contra — com exceção de uma toalha com o rosto de Lula hasteada em um apartamento da orla. Também houve referência aos eventos de Lula, com gritos de "Fora Rui [Costa]" e "Nossa bandeira nunca será vermelha". O ponto de partida chegou a mudar de local por causa da programação petista, pois estava marcada para sair do Dique do Tororó, manancial à frente da Fonte Nova.

Além de bandeiras do Brasil e de pessoas vestidas de verde e amarelo, haviam muitas pessoas que faziam parte de clubes de moto e vestiam jaquetas. As bandeiras eram vendidas por ambulantes na imediações do Farol da Barra.

Antes de iniciar o trajeto de cerca de 13 km rumo ao Parque dos Ventos, o presidente discursou por cerca de cinco minutos em um trio no local. Ele falou sobre a alta de combustíveis e criticou "os governadores do Nordeste", em sua maioria apoiadores de Lula.

No encerramento da motociata, por volta das 11h30, o presidente fez mais um breve pronunciamento em um trio elétrico. Chamou atenção o esquema de segurança. Houve revista para o público que ficou próximo do Farol da Barra, mesmo protegido por barreiras. No Parque dos Ventos, também era preciso passar por revista para ficar próximo ao carro.

Depois do ato, Bolsonaro passou a uma cerimônia de imposição de insígnias da Ordem do Rio Branco ao líder espírita Divaldo Franco, fundador da Mansão do Caminho, na Base Aérea de Salvador. Ele pegou o voo para o Rio de Janeiro por volta das 13h, para participar de um evento evangélico.

Números não divulgados

Nem os organizadores da motociata de Bolsonaro nem do evento do PT divulgaram as estimativas de público. Na internet, apoiadores dos dois candidatos buscam diminuir o evento adversário e enaltecer o próprio.

A guerra de narrativas já era esperada entre as pré-campanhas, em especial com divergências em relação ao tamanho dos eventos. Governada pelo PT há quase 16 anos, a Bahia se tornou um dos principais redutos lulistas do país.

Do lado petista, alguns dirigentes afirmam que as motociatas "fazem barulho e volume", mas não são tão representativas em número de pessoas. O grupo de Bolsonaro argumenta que o evento mostra que o apoio do presidente "fecha ruas e estradas".

União entre Ciro e Tebet

Ciro e Tebet fizeram parte do trajeto da Lapinha juntos nesta manhã. Eles trocaram algumas palavras, tiraram fotos e celebraram o encontro em suas redes sociais.

Pré-candidatos da chamada terceira via, ambos pregam em seus discursos um "combate à polarização" de Lula e Bolsonaro. Ciro estava cercado de apoiadores e Tebet, acompanhada do ex-deputado Roberto Freire, presidente do Cidadania, que compõe a chapa.

A senadora passa por uma saia justa no estado, onde seu partido está coligado com o PT, com o vereador Geraldo Júnior (MDB), presidente da Câmara Municipal de Salvador, pré-candidato a vice na chapa de Jerônimo, e apoia a candidatura do Lula. Geraldo discursou no evento da Fonte Nova.

"Aqui o MDB vai estar em palanque dividido, mas eu tenho certeza que nós vamos ter o espaço que o MDB sempre deu para seus pré-candidatos. Lembrando que esta eleição é eleição de chão, além dos palanques, vamos estar no chão conversando com as pessoas", assumiu a pré-candidata, em entrevista durante o cortejo.

Depois da caminhada, ela foi recebida pelo grupo de Marisqueiras e de Pescadores do Subúrbio Ferroviário de Salvador e almoçou na casa da líder comunitária Dulce Celeste da Silva. Foram servidos xinxim de frango, com camarão, castanha, cebola e azeite de dendê, farofa de camarão e feijão fradinho.

Ciro torceu o pé durante o desfile e precisou retornar ao hotel onde está hospedado na capital baiana. Ainda assim, ele deve participar de um encontro com apoiadores em Lauro de Freitas (BA), na região metropolitana, durante a tarde. E está na capital desde ontem. Ele se reuniu com o prefeito Bruno Reis (União) e a vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT).

Presidencáveis na Bahia -  -

Disputa nacional x disputa local

Como pano de fundo, a visita dos presidenciáveis marca também o acirramento das candidaturas locais. ACM Neto desponta nas pesquisas, com indicação de vitória no primeiro turno. Rompido com Bolsonaro, ele deverá participar do ato solene, indiretamente perto de Ciro.

No estado, União Brasil e PDT têm boas relações. ACM chegou a flertar com a pré-candidatura do ex-governador paulista João Doria (PSDB), mas não engatou com Tebet. Oficialmente, o partido ainda tem o presidente Luciano Bivar (União-PE) como pré-candidato.

Em segundo e terceiro lugar nas pesquisas, Jerônimo Rodrigues, ex-secretário da Educação de Rui Costa, e João Roma, ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro, deverão aproveitar a presença de seus respectivos presidenciáveis para crescer.