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Provável nome da 3ª via, Tebet elogia Doria por desistência: "Aliado"

Do UOL, em São Paulo*

23/05/2022 12h48

Após anúncio da desistência da candidatura do ex-governador João Doria (PSDB-SP), a pré-candidata à Presidência da República Simone Tebet (MDB-MS) disse que irá conversar com o tucano para um eventual apoio, mas ponderou que aguardará a decisão das direções partidárias.

Tebet aparece como o provável nome da chamada terceira via, que visa contrapor às candidaturas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (PL), respectivos pré-candidatos que lideram as pesquisas.

"Doria nunca foi adversário. Sempre foi aliado. Sua contribuição com a luta pela vacina jamais será esquecida. Vamos conversar e receber suas sugestões para nosso programa de governo. O Brasil é maior do que qualquer projeto individual. Vamos trabalhar para unir todo o centro democrático. Gostaria muito de ter o PSDB e o Cidadania junto conosco", disse ela.

Vamos aguardar a decisão das direções partidárias. Vamos continuar nossa Caminhada da Esperança. Vamos unir o país e tratar de sua reconstrução moral, institucional e política. O povo tem pressa e precisamos semear esperança. Simone Tebet

Tebet ganhou força nos bastidores

Com apenas 2% da preferência, Simone Tebet empata, dentro da margem de erro, com o ex-governador, que chegou a 4% no mais recente levantamento do Ipespe. Em vez da intenção de voto, no entanto, a resposta que favorece à senadora é a rejeição mais baixa: 37% não votariam de jeito nenhum em Simone; já 53% rejeitam Doria.

Outros dois fatores que beneficiam a senadora na disputa direta com Doria são: a obrigatoriedade de partidos investirem ao menos 30% dos recursos dos fundos partidário e eleitoral em candidaturas femininas e o apoio interno conquistado ao longo dos últimos meses.

Considerado por analistas uma espécie de confederação, por abrigar dentro do mesmo guarda-chuva diferentes correntes políticas, o MDB caminha para ter, pela segunda eleição consecutiva, candidato próprio à Presidência da República. Em 2018, a função coube ao economista Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda do então presidente Michel Temer.

Ao contrário da trajetória de conflito trilhada por Doria no PSDB, a candidatura de Simone foi ganhando musculatura. Se no início a pré-campanha era vista no MDB como uma estratégia para marcar posição no debate presidencial, a mesma ganhou terreno nos Estados, especialmente nos mais conservadores. E por um motivo claro: a defesa de Simone se tornou um muro de contenção aos aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se reaproxima de quadros do partido, especialmente na região Nordeste.

Não por acaso o Rio Grande do Sul, onde o MDB tem tradição e força política, tornou-se a principal base da senadora de Mato Grosso do Sul. O coordenador do programa de governo de Simone Tebet é o ex-governador gaúcho Germano Rigotto e o ex-senador Pedro Simon, decano da sigla, é um dos mais empenhados cabos eleitorais da pré-candidata.

Com o avanço nas negociações com o PSDB e o Cidadania para o lançamento de uma candidatura única, Simone começa a delimitar os rumos de sua campanha. O marqueteiro já foi escolhido. Será Felipe Soutello, que comandou várias campanhas tucanas, entre elas a disputa vitoriosa de Bruno Covas à Prefeitura de São Paulo, em 2020, e também trabalhou para o então governador paulista Márcio França (PSB), em 2018.

Doria reclamou de "tentativa de golpe" no PSDB

No dia 14, o ex-governador paulista, que venceu as prévias tucanas, torando-se assim o pré-candidato da legenda à Presidência, reclamou da decisão tomada pelas cúpulas do PSDB e do MDB de contratarem pesquisas para definir uma candidatura de consenso das duas siglas. Ele chegou a citar a expressão "tentativa de golpe".

Na ocasião, o grupo de Doria disse que ele tinha a legitimidade por ter vencido o processo interno e que o estatuto do PSDB garantia a ele a prerrogativa de decidir ou não desistir da candidatura. Havia a ameaça até de judicializar o assunto para evitar que retirassem a sua pré-candidatura.

Nesta segunda-feira (23), Doria decidiu ceder e anunciou que não será mais candidato à Presidência pela sigla.

*Com informações da agência Estadão Conteúdo