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Em Minas, PT abre mão de Senado, fecha apoio a Lula e vice de Kalil

O ex-presidente Lula (PT) e o ex-prefeito de BH Alexandre Kalil (PSD) selaram aliança em Minas Gerais - Ricardo Stuckert e Gledston Tavares/Framephoto/Estadão Conteúdo
O ex-presidente Lula (PT) e o ex-prefeito de BH Alexandre Kalil (PSD) selaram aliança em Minas Gerais Imagem: Ricardo Stuckert e Gledston Tavares/Framephoto/Estadão Conteúdo

Juliana Arreguy

Do UOL, em São Paulo

21/05/2022 04h00

Após selar a aliança com o PSD em Minas Gerais, conforme anunciado na quinta-feira (19), resta ao PT definir quem será o vice de Alexandre Kalil (PSD) na chapa para o governo do estado. O nome será indicado pelo próprio PT, que exigiu o cargo ao negociar o palanque de Kalil e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato ao Planalto.

Cotado para o posto, o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), coordenador da campanha de Lula em MG, disse ontem (20) à reportagem que prefere atuar nos bastidores a ser vice de Kalil.

"Como trabalhei pela candidatura ao Senado e tenho muitos projetos em Brasília em curso, em várias áreas, é evidente que a minha vontade, nesse momento, é de contribuir mais na interlocução entre Brasil e Minas. Minha preferência é ficar em Brasília, mas estou aberto, ainda, para formatar esse processo", disse ele ao UOL.

Outro nome cotado para vice é o do deputado estadual André Quintão (PT-MG). Sugerido pelo próprio Kalil, ele é bem visto pelo PSD mineiro. Até quinta, dia em que a aliança foi anunciada, Quintão alegava não ter sido procurado por ninguém para tratar sobre o assunto. Ontem ele não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Impasse na candidatura ao Senado

Líder do PT na Câmara, Reginaldo havia sido alçado como o pré-candidato da sigla ao Senado em MG. Na viagem de Lula a Minas, há duas semanas, os dois dividiram o palanque e o deputado disse querer estar ao lado do ex-presidente para "reconstruir o país".

No entanto, a ideia de Reginaldo no Senado conflitava com os planos do PSD, que tenta reeleger o senador Alexandre Silveira (PSD-MG).

Na avaliação interna do partido, diante de um impasse com o PT, seria mais vantajoso investir no Senado do que no governo estadual. O nome de Silveira chegou a ser cotado para a liderança do governo Jair Bolsonaro (PL) no Senado — os eleitores do PSD em Minas (especialmente no interior) alguns parlamentares eleitos são mais identificados com o bolsonarismo do que com o PT.

regi - Ricardo Stuckert - Ricardo Stuckert
09.05.22 - Lula e Reginaldo Lopes em evento de pré-campanha em BH
Imagem: Ricardo Stuckert

Como nenhum dos partidos queria ceder, Kalil não apareceu no palanque de Lula durante a passagem do petista por Minas. Em sabatina UOL/Folha, o ex-prefeito de BH justificou a ausência dizendo que ainda não havia sido estabelecida uma aliança formal entre os dois.

Do lado do PT, o argumento era a falta de um petista na chapa mineira, já que — além de Silveira e Kalil — o vice-candidato a governador, o deputado estadual Agostinho Patrus (PSD-MG), também pertencia ao PSD.

Reunião em SP definiu aliança em MG

Na sexta-feira (13), Lula se reuniu com Kalil, Agostinho, Gilberto Kassab (presidente nacional do PSD), Gleisi Hoffmann (presidente nacional do PT e deputada federal pelo Paraná) e o empresário Walfrido dos Mares Guia (ex-ministro do Turismo no governo Lula e um dos interlocutores da campanha do petista em MG).

O encontro ocorreu em São Paulo, na residência do ex-presidente, para tratar do palanque mineiro. Ali, Agostinho sinalizou que deixaria de ser o vice na chapa de Kalil para que um petista entrasse na composição. O PT, então, decidiu retirar a pré-candidatura de Reginaldo ao Senado.

"Se é pelo bem da aliança, está resolvido (...) Eu não sou empecilho, não quero ser um obstáculo", disse o deputado ontem (20) ao UOL.

Na segunda (16), Gleisi Hoffmann divulgou que Reginaldo assumiu a coordenação da campanha de Lula no estado e que ele atuaria para fechar a aliança.

Lideranças do PT e do PSD disseram à reportagem que, embora Reginaldo ainda não tivesse anunciado publicamente, a coordenação da campanha foi a "saída honrosa" encontrada para que ele abrisse mão do Senado. O deputado relatou ao UOL que ele e Agostinho, juntos, cuidarão do palanque de Lula e Kalil.

Nenhum dos dois divulgou, ainda, se tentará a reeleição — Reginaldo à Câmara e Agostinho a ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais). Internamente, Reginaldo é visto como puxador de votos, enquanto Agostinho é reconhecido como um bom articulador, algo que pode ser útil a Kalil caso seja eleito ao governo.

Na quinta, Agostinho, Reginaldo e Kalil passaram a tarde toda e o início da noite reunidos em Belo Horizonte. Mesmo sem indicar — ao menos publicamente — quem será o vice, bateram o martelo: "Tudo certo", escreveu Reginaldo. Foi ele o primeiro a postar que Lula e Kalil são, oficialmente, aliados.