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PSDB quer nova reunião com Doria, e 3ª via adia definição de candidato

PSDB adia decisão sobre candidatura própria e pressiona por desistência de Doria  - O Antagonista
PSDB adia decisão sobre candidatura própria e pressiona por desistência de Doria Imagem: O Antagonista

Rafael Neves

Do UOL, em Brasília

17/05/2022 20h59

A cúpula do PSDB decidiu hoje ter uma reunião direta com o ex-governador de São Paulo, João Doria, para avaliar a viabilidade da candidatura do tucano à presidência da República. A ideia foi aprovada em uma reunião da Comissão Executiva do partido hoje, em Brasília, sem a presença de Doria, que está em atrito crescente com a legenda desde a semana passada.

Segundo o presidente do PSDB, Bruno Araújo, os dirigentes da legenda querem falar a Doria sobre as dificuldades na manutenção da candidatura dele. Com o prolongamento do impasse, ficará adiado também o anúncio do candidato da chamada "terceira via", articulação de partidos de centro que buscam lançar um nome alternativo às campanhas Lula e Bolsonaro.

Araújo afirmou que Doria continua sendo tratado como o pré-candidato do partido, mas confirmou que a sigla busca opções. "A pré-candidatura dele está mantida, ela é legítima pelo processo das prévias [que Doria venceu no ano passado]. Agora, é justo que todos os lados coloquem dificuldades que tenham", declarou.

O partido espera, para amanhã, o resultado de pesquisas quantitativas e qualitativas sobre o panorama eleitoral. O estudo foi encomendado na semana passada por PSDB, MDB e Cidadania para avaliar a melhor opção de candidatura de terceira via, que nesse momento é disputada por Doria e pela senadora Simone Tebet (MS).

A ideia da cúpula do PSDB é ter a reunião com Doria antes de receber o resultado destas pesquisas. Até a última atualização dessa reportagem, porém, o ex-governador tucano ainda não havia confirmado presença no encontro.

Impasse

Doria se tornou um nome na corrida presidencial após ter vencido, no final de novembro do ano passado, as prévias do PSDB para a escolha da candidatura. Em uma eleição tumultuada, marcada por hostilidades e problemas no aplicativo de votação, Doria teve o apoio de 53,99% dos filiados e derrotou o então governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Até o momento, porém, o ex-governador de São Paulo não conseguiu decolar nas intenções de voto para presidente. Conforme mostra o agregador de pesquisas do UOL, o postulante do PSDB tem oscilado entre 2% e 5% nas pesquisas e não consegue ir além do quarto lugar nas sondagens.

A falta de perspectiva no crescimento de Doria levou o PSDB, já dividido, a procurar alternativas. Desde o início do ano, os tucanos vêm buscando legendas de centro, como o MDB e o União Brasil, para tratar de uma possível aliança para as eleições. Com uma destas siglas, o Cidadania, o PSDB deverá formar uma federação partidária, o que unirá as legendas não apenas na campanha, mas também durante os quatro anos seguintes.

Com o MDB não houve convergência suficiente para uma federação, mas as legendas vêm estreitando laços. Os emedebistas propõem a candidatura presidencial da senadora Simone Tebet (MS), que ganhou notoriedade no ano passado ao inquirir depoentes na CPI da Covid. O desempenho dela nas pesquisas, porém, é ainda inferior ao do tucano.

Hostilidades

As conversas do PSDB com o MDB já estavam avançadas no final de março, quando uma manobra de Doria aumentou as tensões. De última hora, o tucano ameaçou desistir da pré-candidatura e se manter no governo de São Paulo se não recebesse "apoio explícito" da cúpula tucana em torno de seu nome para a presidência.

A jogada irritou parte dos aliados de Doria, que já contavam com a renúncia dele ao cargo para que o vice, Rodrigo Garcia, assumisse o Palácio dos Bandeirantes. O partido tem como prioridade a recondução de Garcia ao governo paulista, que os tucanos comandam desde 1995.

No fim das contas, Doria deixou o governo como combinado, mas as tensões não se dissiparam. Logo nos primeiros dias de abril, o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, passou a afirmar a aliados e a outros interlocutores, como empresários, que as alianças partidárias em busca do nome da terceira via valem mais do que as prévias tucanas que apontaram Doria como candidato.

Araújo saiu da coordenação da campanha de Doria e as hostilidades cresceram. Até que na semana passada, em reunião com o MDB e o Cidadania, os partidos anunciaram que definirão seu candidato a partir de pesquisas quantitativas e qualitativas, cujo resultado deve ser revelado amanhã.

Acuado, Doria enviou uma carta aberta a Araújo, chamando de "tentativa de golpe" a intenção tucana de buscar outra candidatura. No texto, o ex-governador de São Paulo lembrou que Araújo reforçou, em carta assinada em março, que as prévias seriam respeitadas pelo PSDB.

"Continuo à disposição do partido para a formação de projetos com outras agremiações, mas não abrimos mão da posição de protagonista do projeto nacional do nosso partido, nos termos da decisão soberana da maioria de seus filiados", escreveu Doria.

Disputa pelos ex-bolsonaristas

Assim como outros postulantes a candidato da terceira via, o tucano tem sofrido com a falta de espaço entre eleitores do Jair Bolsonaro (PL). O tucano, que pediu o voto "Bolsodoria" em 2018, passou a se afastar do presidente ainda no primeiro ano de governo.

A ruptura se consolidou com a chegada da pandemia de covid-19 ao Brasil, no início de 2020. Enquanto Bolsonaro combatia as medidas de contenção do vírus, Doria adotou um tom moderado e agiu para que São Paulo começasse a fabricar vacinas antes das primeiras importações do governo federal.

Hoje, o tucano tenta conquistar um eleitorado que, em tese, segue antipetista como em 2018, mas arrependeu-se do voto em Bolsonaro. Nas pesquisas de momento, essa fatia está em disputa entre ele, Tebet e outros nomes.

Um deles, o ex-ministro Sergio Moro, vinha despontando como favorito da terceira via até o final de março, quando abandonou a pré candidatura já acertada ao Podemos e se filiou ao União Brasil, resultado da fusão do DEM com o PSL. No momento, contudo, a legenda afirma que lançará como candidato o deputado Luciano Bivar (PE), outro antigo aliado de Bolsonaro.