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Militares estão sendo usados e podem 'fundamentar' um golpe, diz professor

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/05/2022 14h33Atualizada em 09/05/2022 14h34

Na avaliação de Wallace Corbo, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Direito Rio, a presença de militares, via convite do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em questões envolvendo o processo eleitoral abre "precedentes para um ataque contra o poder constituído do órgão.

"As Forças Armadas estão sendo usadas indevidamente para começar a criar todo um discurso que pode, sim, ser usado para fundamentar uma tentativa de golpe", disse Corbo em entrevista ao UOL News - Tarde, programa do Canal UOL.

"Se vai haver condições de isso (golpe) se efetivar, se vão ter bala na agulha para tanto, eu não sei. Mas a gente não deveria estar passando por esse momento", acrescentou.

A fala de Corbo aconteceu enquanto passou a ser noticiado que o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, enviou um ofício ao TSE, pedindo que ele seja o representante das Forças na CTE (Comissão de Transparência Eleitoral), ao invés do general anteriormente indicado.

Na semana passada, Paulo Sérgio Nogueira já havia enviado um outro ofício ao TSE, pedindo que a Corte divulgasse os questionamentos e sugestões que as Forças Armadas fizeram sobre o sistema eleitoral.

Para o professor, o TSE errou ao chamar as Forças Armadas como fiscalizadoras das eleições, crentes de que, assim, elas não atacariam as mesmas, ao contrário do que faz o presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca colocar a integridade do processo em suspeição.

"Esperar que as Forças Armadas discordem do presidente da República é confiar que elas vão atuar como um órgão em separado", acrescentou, pontuando que, pela lei, o comandante supremo delas é justamente o presidente Bolsonaro.