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Por que a emissão de gases do efeito estufa ameaça o futuro da humanidade?

Malcolm Lightbody/ Unsplash
Imagem: Malcolm Lightbody/ Unsplash

Giacomo Vicenzo

De Ecoa, em São Paulo (SP)

02/11/2021 06h00

Enquanto respiramos, vamos ao trabalho usando carro ou transporte coletivo movido a combustíveis fósseis ou simplesmente comemos, estamos produzindo ou contribuindo para uma cadeia de emissões de gases do efeito estufa (GEE). Esses gases são os grandes responsáveis pelo aquecimento global e pelas mudanças climáticas.

Mesmo com o isolamento social imposto pela pandemia de covid-19, o que levou à redução global da emissão de gás carbônico, a quantidade na atmosfera de CO2 (um dos GEE) não só continuou alta, mas apresentou os maiores índices nos últimos 3 milhões de anos.

Para cientistas do CCAG (Conselho Consultivo de Crise Climática), atingir zero emissão de gases do efeito estufa em 2050 é tarde demais. Os pesquisadores apontam que essas e outras metas do Acordo de Paris teriam de ser adiantadas, sob o risco de atingirmos o "teto de aquecimento para o século" já em 2030, trazendo como consequência perigosas mudanças climáticas.

No Brasil, o Senado aprovou recentemente o projeto que altera a Política Nacional sobre Mudança do Clima e antecipa as metas em cinco anos. Agora, o objetivo é a redução de emissões dos GEE em 43% até 2025 e em 50% até 2030. Entretanto, a projeção de aumento da produção de combustíveis fósseis no Brasil contraria os planos — além de ser o segundo maior aumento do mundo entre as grandes economias.

Mas afinal, o que são gases do efeito estufa? Quais riscos eles podem trazer em longo prazo para o nosso planeta? E, para não ficarmos de braços cruzados, o que podemos fazer para diminuir e compensar nossas emissões? Ecoa conversou com especialistas e reuniu dados sobre o tema para responder essas e outras questões.

O que são gases do efeito estufa e quais são eles?

Imagine um escudo de gás. Assim são os gases do efeito estufa, que ficam em volta da atmosfera da Terra e retêm o calor dos raios solares. "São compostos gasosos naturais capazes de absorver uma parte da radiação solar que penetra no planeta. Isso impede que o calor escape e faz com que ele permaneça na atmosfera. Com o aumento de gases do efeito estufa, esse 'escudo' ficou mais espesso, acumulando muita radiação e aquecendo a atmosfera muito mais do que o normal", explica a bióloga Francyne Elias-Piera, mestre em oceanografia biológica (USP) e doutora em ciência ambiental pela Universitat Autònoma de Barcelona.

Entre os principais gases do efeito estufa estão:

  • Gás carbônico: é gerado pelo processo de respiração de organismos vegetais e animais, além de estar presente na queima dos combustíveis de origens fósseis (como gasolina e carvão) e quando há queimadas em florestas.
  • Óxido nitroso: é gerado em sistemas de tratamento de esgoto, em indústrias de alumínio e quando há o uso de alguns fertilizantes de origem química.
  • Gás metano: é gerado principalmente pela criação de cabeças de gado, mais propriamente pela flatulência liberada pelos animais; também está nos processos de extração e tratamento de petróleo.
  • Ozônio: Esse gás está entre os muitos liberados pelo escapamento dos veículos movidos a combustíveis fósseis. Também está nas fumaças das termoelétricas, geralmente movidas a carvão mineral.

Quais os riscos de não diminuirmos a emissão de gases do efeito estufa?

Nos últimos 150 anos, a temperatura do planeta aumentou 0,2 °C por década. Um estudo publicado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) em 2007 já apontava que o aumento poderia chegar a 4 °C até 2100, caso não ocorresse nenhuma redução da emissão de gases do efeito estufa.

Em 2021, o relatório do IPCC apontou que é preciso mais esforço para barrar a redução desses gases, pois caminhamos rapidamente para cenários preocupantes. Um exemplo disso é a elevação do nível dos oceanos, que aumentaram em média 20 cm desde 1900. Até 2300 o nível poderá aumentar até dois metros se a temperatura global aumentar em 2 ºC. Esse número já é o dobro do que o estudo havia previsto dois anos atrás.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, avaliou que esse último relatório é um alerta vermelho para que a humanidade coloque fim ao uso das energias fósseis, que junto com o desmatamento geram gases do efeito estufa e 'estão asfixiando o nosso planeta'.

Os fenômenos meteorológicos extremos de calor ou frio e até mesmo congelamento de partes do planeta (que antes não eram congeladas) também têm como seu principal causador o aquecimento global.

O que eu posso fazer para emitir menos gases do efeito estufa?

Barrar o aquecimento global é uma missão de todo o planeta, sobretudo dos governos e das políticas ambientais adotadas por eles. No entanto, o especialista em sustentabilidade Marcus Nakagawa defende que todos podemos agir. "Todas as ações que tenham queima de combustível fóssil, queimada ou algo do gênero fazem com que isso aconteça. Repense todos os produtos e serviços que consome e busque informações de como eles têm sido produzidos ou operados", alerta.

Nakagawa lembra que produtos também podem emitir gases do efeito estufa no final de sua vida útil. "Pense e escolha produtos mais naturais ou que tenham certificações. E também que venham de empresas que minimizem ou zerem a sua emissão de carbono", orienta.

Mas como compensar as emissões de carbono já feitas por nós ao longo dos anos, sobretudo para aquelas que não são possíveis de mitigar? O especialista indica buscar sites que disponibilizam calculadoras de emissão e programas de neutralização de carbono para pessoas físicas e jurídicas. Um exemplo é o site da organização IDESAM, que traz uma ferramenta que contabiliza as emissões com mobilidade e gasto de energia elétrica e ainda estima quantas árvores devem ser plantadas para a absorção do CO2 gerado por essas atividades no ano.

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