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Grande ideia

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Com avó diabética, aluno da BA cria produto de látex que ajuda cicatrização

Com avó diabética, aluno da BA cria produto de látex que ajuda cicatrização - Arquivo Pessoal
Com avó diabética, aluno da BA cria produto de látex que ajuda cicatrização Imagem: Arquivo Pessoal

Carlos Madeiro

Colaboração para o Ecoa, em Maceió (AL)

14/04/2021 06h00

Quando criança e adolescente, João Pedro de Oliveira, 19, viu o sofrimento de sua avó com o diabetes e as feridas causadas pela doença em seu corpo. Ela morreu há cinco anos, mas inspirou o jovem a criar um produto que ajuda a cicatrizar feridas de pessoas que passam por problemas idênticos. A pesquisa não só avançou, como vai entrar na fase 2, com análise em camundongos para poder chegar até os humanos.

O "Cicatribio" tem como composto bioativo o látex da mangabeira, uma árvore tradicional do cerrado, mas muito comum também no Nordeste. O produto deve ter um baixo custo e pode ajudar pessoas a terem melhora em um problema que ainda é um desafio à medicina.

Natural de Crisópolis (BA), João Pedro é aluno do ensino médio técnico no IF Baiano (Instituto Federal Baiano), de Catu, região metropolitana de Salvador. Graças ao projeto, ele conta que pretende seguir uma carreira na área de saúde, provavelmente em biomedicina.

árvore - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Com avó diabética, aluno da BA cria produto de látex que ajuda cicatrização
Imagem: Arquivo Pessoal

A Ecoa, ele conta como a experiência que teve com sua avó o ajudou. "Ela era diabética, e em decorrência disso teve úlceras cutâneas —que são extremamente difíceis de cicatrizar. Vi que ela foi perdendo a qualidade de vida pelos ferimentos que não cicatrizavam. Eles ficaram expostos por mais de dez anos, e ela teve de amputar parte do pé. Isso causou problemas para locomoção e na autoestima", diz João Pedro.

Para chegar ao produto, ele afirma que também contou com sua percepção da medicina popular. "As pessoas ingerem [o látex] diluído em água. Mas para que se possa extrair o látex da planta, é preciso realizar cortes nela. A partir daí fiz uma observação: com pouquíssimo tempo, ela cicatrizava. Foi quando deduzi que ele poderia ser utilizado nesse processo de cicatrização em tecidos humanos", afirma.

João Pedro conta ainda que, ao longo de 2019, o projeto foi sendo concebido e, no passado, acabou com o desenvolvimento da "Cicatribio" em três formulações: um biocurativo, um creme e um gel. Todos têm a mesma função, de auxiliar na cicatrização.

"No segundo semestre do ano passado, fizemos as análises de estabilidade preliminar, que deram perspectiva positiva. Elas são essenciais para que o produto venha a ser usado no ser humano", diz.

Fase 2 com apoio do MEC

Testes - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Com avó diabética, aluno da BA cria produto de látex que ajuda cicatrização
Imagem: Arquivo Pessoal

A ideia agora é que os testes da fase 2 comecem a ser realizados ainda nesse semestre na UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz), em Ilhéus (BA). Essa fase da pesquisa será financiada pelo edital do prêmio "Empreendedor inovador", do MEC (Ministério da Educação), que foi vencido pelo projeto e vai investir R$ 200 mil.

"Com esse investimento podemos fazer mais análises, e assim disponibilizar no mercado o mais rápido possível, claro, dentro das normas de ética e biossegurança", diz João Pedro.

O orientador do projeto foi o professor Saulo Capim, que elogia seu pupilo pela descoberta.

O João é um aluno sonhador, que busca a pesquisa, que tenta mudar a realidade dele e das pessoas. Ele tem toda a esperança na ciência, Saulo Capim.

Capim afirma que quando a ideia chegou em suas mãos, ele acreditou no potencial. Entretanto, o orientador lembra que, inicialmente, alertou que o látex tem proteínas tóxicas e que causam irritações na pele.

"João me trouxe essa ideia de projeto, e eu o ajudei como orientador a transformar no que a gente tem hoje. Buscamos formular estudos com foco no látex, que tem demonstrado formulações eficazes na cicatrização de ferimentos e sem causar efeitos colaterais", afirma o professor.

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