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Fábrica cria sachês de álcool gel para vencer crise e vê pedido de 1,7 mi

Sachês de álcool gel criados pela empresa Mirandinha Miniaturas, de São Miguel Paulista, extremo leste de São Paulo - Divulgação
Sachês de álcool gel criados pela empresa Mirandinha Miniaturas, de São Miguel Paulista, extremo leste de São Paulo Imagem: Divulgação

Juliana Vaz

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

28/05/2020 04h00

Diante do isolamento social proibindo aglomerações, festas com direito a enfeites e decoração, tornaram-se eventos do passado ou de um futuro ainda distante. Neste cenário, uma empresa especializada justamente em produtos para festas e artesanatos sofreu um grande baque de vendas e procurou maneiras para se reinventar.

"Vimos o faturamento cair completamente. De cara, liberamos férias não remuneradas para 90% dos funcionários e ficamos pensando em formas de contornar a crise sem nenhum corte", conta Thiago Miranda, um dos filhos do senhor Cláudio, responsável pela gestão financeira e comercial da Mirandinha Miniaturas.

Sem a demanda das lojas do ramo, o negócio que Cláudio de Castro fundou há 17 anos, no bairro de São Miguel Paulista, no extremo leste da capital de São Paulo, viu-se em um dos momentos mais difíceis dessa trajetória.

Até que há um mês, Thiago e o irmão, Bruno Miranda, que responde pela criação e desenvolvimento de produtos, viraram a chave da produção: "Entendemos que a necessidade atual do mercado era de máscaras faciais e de álcool em gel. Passamos a produzir mini frascos para álcool e fechamos com uma das principais fabricantes nacionais."

Isso deu a eles um respiro, alcançando 40% do total de faturamento. Mas ainda bem abaixo do que costumavam ter. "Me vi olhando a lista de funcionários e cogitando demissões. Ao todo, são 250 pessoas. Não era justo seguir por esse caminho, em um momento tão difícil como esse", declara Thiago. A preocupação não é à toa: de acordo com dados do levantamento publicado em 21 de maio pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, os pedidos de seguro-desemprego de trabalhadores com carteira assinada subiram 76,2% na primeira quinzena do mês em relação ao mesmo período do ano passado. Os especialistas do Ministério apontam o fato como um dos efeitos causados pela pandemia do novo coronavírus.

Com a pressão de mais um mês pela frente, buscaram inspiração na história de adaptação frente a adversidades do pai. Há quase vinte anos, Cláudio era dono de uma autoelétrica que teve de fechar as portas por trazer mais prejuízo do que lucro. Inspirado por um sonho após visitar a Catedral da Sé, teve a ideia de produzir miniaturas de bíblias em madeira. Para testar se haveria público, montou uma banca na rua 25 de março, o maior comércio a céu aberto da América Latina. Vendeu tudo no mesmo dia. Os produtos de madeira deram lugar ao plástico, pouco tempo depois, para ganhar escala de produção. E a empresa que começou embaixo da casa que Cláudio morava em São Miguel Paulista acabando se mudando para um galpão de 3.000 m², em Guarulhos.

Duas semanas atrás, Bruno chegou à sede da fábrica com novas ideias. Queria fazer um sachê de álcool em gel, com dose única, como as embalagens de ketchup que acompanham sanduíches, e uma embalagem um pouco maior, reciclável, chamada de "bag" e com uma fita longa para ser usada no pescoço.

"Criamos modelos de teste e era viável. Já fechamos pedidos com algumas empresas, mas a melhor notícia veio com o pedido de 1,7 milhão de sachês encomendados por uma grande rede de fast food. Pensamos exatamente nisso quando criamos, quem precisa higienizar as mãos e consumir o alimento na hora", afirma o gestor.

Durante a conversa com Ecoa, Thiago comemorava as negociações que tinha iniciado no mesmo dia com companhias aéreas nacionais. A reinvenção, ele diz, foi motivada por aquela lista de nomes dos funcionários da empresa.

"São 250 histórias, cada um com uma família que depende do salário integral de quem trabalha aqui, com a gente. Temos muita fé que vamos vencer esse momento tenebroso."

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