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Festivais reúnem artistas e pesquisadores em apoio a povos indígenas

A cantora Iza é atração do festival online SOS Rainforest Live - Iwi Onodera/UOL
A cantora Iza é atração do festival online SOS Rainforest Live Imagem: Iwi Onodera/UOL

Bianca Borges

Colaboração para Ecoa, em São Paulo

20/06/2020 04h00

A luta pela demarcação de terras deixou de ser a principal causa, neste momento, para os povos indígenas. Entre as populações vulneráveis, eles são os que mais veem ameaçada a sua existência diante da tragédia humanitária imposta pelo novo coronavírus.

"Os índios que vivem à margem da Rodovia Transamazônica, das praias e dos rios estão desassistidos. Quem vive nos assentamentos não pode mais ir para outros lugares. Não pode pescar, para retirar seu alimento", conta o cacique Zé Bajaga Apurinã, da Terra Indígena Caititu, localizada no município de Lábrea (AM).

Para chamar a atenção para a urgência do tema, ocorrem neste fim de semana dois grandes eventos. A partir das 15h de sábado (20), o Instituto Mpumalanga transmite o festival Salve Vida Indígena, em parceria com a UNICEF, para ajudar povos do sul do Amazonas — como os Apurinãs.

Haverá lives de artistas como Margareth Menezes e Elba Ramalho, falas de lideranças indígenas como Sônia Guajajara e Ailton Krenak, debates com pesquisadores — como o estudioso do clima Carlos Nobre e o criador do Centro de Medicina Indígena Bahserikowii, em Manaus, João Paulo Lima Barreto Tukano —, além de atores ativistas da causa ambiental, como as atrizes Malu Mader, Letícia Sabatella e Bruna Lombardi.

Cacique Zé Bajaga Apurinã - Celia Santos - Celia Santos
O cacique Zé Bajaga Apurinã
Imagem: Celia Santos

O pai do cacique Zé Bajaga foi pajé entre os Apurinãs, sendo detentor de conhecimentos ancestrais. Conselheiro da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Bajaga é responsável por entregar as doações de cestas às famílias. "A gente pede muito apoio da sociedade neste momento de pandemia. Para que a gente possa continuar existindo e resistindo", diz o cacique.

"É incrível essa falta de percepção, de aceitar a presença, a história e a força dos povos indígenas", lamenta Margareth Menezes, que se apresenta no festival neste sábado. A cantora frisa que o momento requer o engajamento da sociedade como um todo. "As pessoas cobram muito um posicionamento do artista. E existem muitos já envolvidos em diversas causas. Mas não podemos esperar que só o artista se posicione. Toda a sociedade tem que se posicionar."

Margareth Menezes é uma das selecionadas do programa Natura Musical - Celina - Celina
Margareth Menezes: "Não existe em nosso país uma compreensão do valor, da memória dos povos indígenas"
Imagem: Celina

Iza, Caetano e Carlinhos Brown

Já no domingo (21), organizado pela ONG Rainforest Foundation, fundada pelo cantor Sting, o festival SOS Rainforest Live reunirá, a partir das 16h, nomes como Anitta, Sandy, Iza, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Carlinhos Brown, Jorge Drexler, Manu Chao, Gaby Amarantos e Maria Gadú.

Líderes indígenas como Dario Kopenawa Yanomami, além de artistas como a atriz Camila Pitanga e o fotógrafo Sebastião Salgado, também participam.

O valor arrecadado será doado para contribuir nos esforços de combate à covid-19 em áreas de floresta tropical, e também em projetos e advocacia para apoiar indígenas e comunidades em seus esforços para proteger o meio ambiente.

"Os povos indígenas estão entre os mais vulneráveis ao novo coronavírus devido à sua maior suscetibilidade a doenças respiratórias e virais, além do pouco acesso a instalações médicas adequadas. No entanto, são eles que protegem os ecossistemas que defendem o mundo do surgimento de pandemias. Temos que nos unir para apoiá-los agora", diz Suzanne Pelletier, diretora executiva da organização.

Carlinhos Brown - Sergio Zalis - Sergio Zalis
O músico Carlinhos Brown
Imagem: Sergio Zalis
"Essa live é da maior importância para o momento. Nestes tempos de 'passar a boiada', de derrubar as matas, de desrespeito à Amazônia... Se temos visibilidade, devemos usar em nome das boas causas", diz o músico Evandro Mesquita, atração do evento.

O músico Carlinhos Brown concorda. "É urgente lutar em nome da vida e em respeito aos nossos antepassados, aos povos indígenas que viviam nessa terra por milhares de anos, muito antes da chegada dos outros povos. A arte é um antídoto. A música é um grito de amor pela vida, é movimento. Nós, artistas, somos privilegiados de poder levar mensagens de reflexão para tantas pessoas. A palavra de ordem mais que nunca é: responsabilidade."

Como assistir?

Sábado (20) - Salve Vida Indígena: Com Elba Ramalho, Margareth Menezes, Guilherme Arantes, Ivan Lins, os cientistas Carlos Nobre, as lideranças indígenas Ailton Krenak, Sônia Guajajara (veja programação completa). Das 15h às 22h no canal do Instituto Mpumalanga.

Domingo (21) - SOS Rainforest Live: Com Iza, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Carlinhos Brown, Anitta, o líder Yanomami Davi Kopenawa, o fotógrafo Sebastião Salgado, entre outros (programação completa). A partir das 16h no canal da ONG Rainforest Foundation.

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