Linha de frente

O enfrentamento à pandemia mobilizou profissionais da saúde, pesquisadores e muitos voluntários

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Das janelas, eles foram aplaudidos. Na internet, homenageados entre emojis e lives. No dia a dia, passaram a receber cartas, flores e mensagens de agradecimento por ocuparem a linha de frente no combate à Covid-19. Uns vestem jaleco branco e são celebrados como super-heróis (médicos, principalmente), outros não, mas são tão importantes quanto: é o caso das funções ocupadas por enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, auxiliares de lavanderia e de limpeza, almoxarifes, copeiros, cozinheiros, recepcionistas e um sem-número de auxiliares de serviços gerais, os "faz-tudo", sem os quais ambulatórios e hospitais não param de pé. Que sejam todos aplaudidos.

Este é um capítulo da série

Reconstrução

Inspiração em tempos de pandemia

Documento histórico


O fotógrafo Dimitri Lee passou três meses na linha de frente registrando o trabalho na zona leste de São Paulo

Quando foi anunciada a chegada da pandemia ao Brasil, o fotógrafo Dimitri Lee, 59, reagiu com a cautela de quem entendia o risco do momento. "Eu, como todo mundo que podia, vim para casa. Tinha medo do vírus. Pensei: 'Vou ficar aqui e esperar, sem trabalhar'. Mas estava muito chateado", conta. "Aí uma amiga me ligou, falando de um amigo, médico, que gerencia 20 Unidades Básicas de Saúde na região de São Mateus, e perguntou se eu conhecia alguém disposto a fotografar o trabalho deles, que eles queriam deixar registrado. Eu respondi: 'Lógico que conheço, Eu'. Falei com o João, que é esse amigo dela, e me voluntariei."

Assim, em 1º de maio, Dimitri Lee chegou ao bairro São Mateus, na zona leste de São Paulo, sem saber como seriam os próximos meses, mas sabendo que todos os dias estaria exposto ao novo coronavírus e a uma rotina que desconhecia em sua profissão. "Nunca fui fotojornalista", diz, sobre a insegurança quando aceitou o convite da Fundação do ABC. "Eu sou um fotógrafo de tripé, sou lento, já demorei três dias para dar o clique em uma foto. Sou um cara de estúdio, de paisagens, tudo muito diferente do que eu iria encontrar."

O que o fez aceitar o desafio foi a sensação de que era fundamental mostrar a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) neste momento, expor o poder transformador desse trabalho. "A primeira coisa que eu entendi é que o vírus é apenas mais um dos problemas no território. Tem muitos outros, sífilis, tuberculose resistente, violência, crack, fome, subnutrição... Tudo isso mata. Eu voltava para casa chorando", diz. "Não que eu não soubesse dessas coisas, mas uma coisa é saber, outra é estar lá dentro."

Dimitri conta ter entendido a importância do SUS nos territórios através do respeito que encontrava pelas ruas. "Tinha lugar em que um fotógrafo não era bem-vindo, mas o pessoal do SUS é muito bem-vindo, e eu estava com um jaleco do SUS. É difícil alguém com aquele jaleco sofrer qualquer tipo de hostilidade", diz, sobre a rotina no trabalho fotográfico que batizou de maneira literal: Território São Mateus - V.I.MMXX.

Entre maio e julho, Dimitri conta ter feito cerca de 19 mil cliques. Todo esse material, além de ser entregue ao pessoal da fundação, rendeu dois projetos também batizados como Território São Mateus - V.I.MMXX: uma exposição entre os meses de outubro e novembro, na Galeria Babel, com a presença de várias pessoas do território, e um livro, que está praticamente pronto, mas ainda sem data de lançamento. E todas as imagens do ensaio que já foram vendidas tiveram a renda revertida em cestas básicas para a região.

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Eu não voltei igual, minha fotografia não voltou igual. E nem eu nem meu trabalho voltarão a ser o que eram. Eu vou seguir por esse caminho. Eu me transformei muito. Deixei uma parte de mim antes de maio"

Pronta para outra


Angelita Habr-Gama, 88 anos, ficou 54 dias internada, se recuperou e voltou a realizar cirurgias

Quando a médica Angelita Habr-Gama, 88, deu entrada no hospital, em meados de março, não imaginava que passaria os próximos 54 dias internada, 50 deles na UTI. "Fiz uma tomografia de tórax que mostrou uma lesão grave nos pulmões. Naquele momento, tive consciência de que poderia morrer", lembra a professora titular de cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e referência mundial em coloproctologia.

Poucos dias depois da alta, Angelita voltou a operar no hospital. "Não fiquei com sequelas ou fraca, pelo contrário. Para mim, é prazeroso operar, atender as pessoas." A médica, que entrou na faculdade de Medicina aos 19 anos, em 1952, explica que, mesmo sabendo da gravidade da doença, manteve seu pensamento positivo. "Pensava que já tinha vivido bastante, superado muitos nãos na vida."

Angelita conta que, a partir do momento em que foi entubada, não se lembra de mais nada, apenas de acordar 52 dias depois, bem e sem sequelas. E que agora, de volta ao hospital como médica, trabalha ao lado daqueles que a salvaram. "Quando encontro os profissionais que me trataram pelos corredores, eles ficam felizes em me ver, pois chegaram a duvidar que eu me recuperaria", conta.

O medo atrapalha a vida. O vírus requer cuidado e precaução, mas não medo"

Com amor, sua mãe


Isolada por conta do coronavírus, a enfermeira Jéssica Saraiva escreveu uma carta para sua filha, que viralizou na internet

Virou um ritual, uma celebração à vida. Toda vez que um paciente de coronavírus sob seus cuidados teve alta da UTI, a enfermeira Jéssica Saraiva, que atua na linha de frente em dois hospitais de Mossoró (RN), colocou uma mesma música para tocar: "A Começar em Mim", do grupo Vocal Livre.

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Para ela e para tantos outros profissionais da saúde, os pacientes isolados se tornaram mais presentes do que a própria família. Foi por isso, aliás, que, às vésperas do Dia das Mães, ela escreveu uma carta para sua filha, de 10 anos, explicando os "pecados de uma mãe enfermeira", tão ausente nos tempos de pandemia. A menina não só entendeu como, orgulhosa, fez com que a mensagem viralizasse.

Em setembro, contudo, foi a vez de Jéssica sofrer na pele a dor da doença. Diagnosticada, ela viveu a solidão do isolamento. No seu último dia de quarentena, 4 de outubro, tomou a decisão: tatuou na costela o número 2020 e um verso da música que se tornou símbolo da vitória neste ano: "Haja mais amor a começar em mim".

Envelheci 40 anos neste ano. Mas espero que, com tantas cicatrizes, o mundo se recupere e fique melhor. Precisamos uns dos outros. Que haja união, força, solidariedade e amor"

Periferia viva


Médica Paulette Cavalcanti de Albuquerque criou o projeto Mãos Solidárias - Periferia Viva, voltado a pessoas em vulnerabilidade social

Pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz e professora da Universidade de Pernambuco, a médica Paulette Cavalcanti de Albuquerque sempre esteve envolvida com três áreas fundamentais para ela: saúde da família, educação em saúde e políticas de saúde pública. Com esse foco, criou, logo nos primeiros momentos da pandemia, o projeto Mãos Solidárias - Periferia Viva. "Juntamos pessoas que já se conheciam de vários movimentos e universidades para trabalhar em prol das pessoas mais carentes. O foco era evitar a doença", conta.

A iniciativa liderada por Paulette desenvolveu um modelo de produção de máscaras de TNT, com uma rede de pessoas para receber doações, e a colaboração, também voluntária, de costureiras de Recife. Além disso, o projeto distribuiu marmitas e organizou brigadas para conscientização popular. "Como a pandemia só fazia aumentar, concentramos os esforços em ações educativas. De casa em casa, orientando as pessoas", conta.

No começo, esse trabalho de conscientização era feito por Agentes Comunitários de Saúde, mas sua ideia foi formar agentes populares de saúde, geralmente lideranças já reconhecidas em suas comunidades, que teriam grande legitimidade nesse momento de tantas dúvidas.

A pandemia mudou minha vida. Voltei, numa dimensão enorme, a fazer movimento de base, trabalhar com as comunidades, organizar a população. Essa mobilização será um diferencial no próprio SUS e nas políticas sociais"

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Linha de produção


Thabata Ganga, biomédica, conseguiu mobilizar mais de mil voluntários de todo o país para produzir equipamentos médicos

Impressionada com as notícias de falta de equipamentos essenciais para o combate à pandemia na Itália, no início do ano, a engenheira biomédica Thabata Ganga decidiu que era hora de reunir um time de voluntários para se preparar para o mesmo cenário no Brasil. Por meio das redes sociais, conseguiu mobilizar mais de mil voluntários de todo o país para produzir o que fosse possível com impressoras 3D. Nascia a iniciativa Brasil Contra o Vírus.

"Começamos a catalogar todos os projetos do país de respiradores, válvulas, laringoscópios, face shields, máscaras, adaptações de mascaras de mergulho e domos", recorda. Empresas colaboraram com doações e vaquinhas foram organizadas para viabilizar a ação.

Para Thabata, a situação revelou uma triste realidade do Brasil: a desindustrialização e a "nossa falta de soberania produtiva". Por outro lado, ela acredita que a mobilização mostrou que, quando cientistas e engenheiros querem fazer algo, não falta capacidade. Com essa certeza, ela não se vê mais longe desse papel e, quando a pandemia for finalmente superada, a iniciativa Brasil Contra o Vírus deve prosseguir. "Pretendemos fazer outros tipo de ação", comenta.

Ficamos dependentes de máscaras. Algo impensável. É uma produção rudimentar, quando falamos de indústria médica. Vamos ter de repensar nossa capacidade produtiva para áreas sensíveis"

COMO AJUDAR

Instagram: @brcontraovirus

Professor pardal


Marcos Méndez Quintero criou uma versão simples e barata de respirador, que pode ser replicado por outras pessoas

Uma câmara de pneu de carro e um motorzinho de um limpador de parabrisa. Na cabeça do administrador de sistemas Marcos Méndez Quintero, aí estavam soluções simples e baratas para criar um respirador mecânico, instrumento tão fundamental no enfrentamento ao coronavírus dentro dos hospitais. Batizado de OpenVentilador, a criação da cooperativa PopSolutions se tornou viável graças aos esforços de 250 pesquisadores.

O respirador foi feito em "código aberto", ou seja, pode ser reproduzido livremente, utilizando peças de baixo custo, encontradas na maioria dos países subdesenvolvidos. Marcos conta que a preocupação bateu ainda quando o que estava acontecendo na China e, depois, na Itália. Imaginava que os respiradores seriam "o tendão de Aquiles para o Brasil, um país em que 9 em cada 10 municípios nem sequer têm um leito de UTI". Para ele, o esforço individual não basta, é preciso um "projeto nacional de desenvolvimento, urgente".

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O que a gente está tentado fazer é dar poder e autonomia para outras pessoas, para que elas possam usar a inteligência delas para criar, para quem vejam que é possível, por meio da tecnologia, criar algo tão importante quanto um respirador"

COMO AJUDAR

Instagram: @popsolutions.co

Email: support@popsolutions.co

Site: https://popsolutions.co/blog/

Aliança pela Amazônia


Valcleia Solidade colaborou na criação da estratégia de enfrentamento da Covid-19 em comunidades amazônicas

Conectar a Amazônia é um sonho, muitos tentaram, mas nunca se conseguiu, de fato, chegar a tanto. É o que diz Valcleia Solidade, superintendente de Desenvolvimento Sustentável da Fundação Amazonas Sustentável (FAS ). A fundação, que atua na questão de políticas públicas do estado, com foco em serviços ambientais, se viu, em meio a pandemia de Covid-19, ouvindo reivindicações de comunidades remotas da Amazônia a respeito de saúde.

"Não tínhamos uma equipe de saúde propriamente, mas começamos a nos organizar internamente de modo a atender as demandas das comunidades, que pediram um planejamento nosso para evitar que o coronavírus se alastrasse", conta Val. "Pensamos, então, em formar uma aliança, trazer especialistas, universidades, outras organizações semelhantes à nossa que já tivessem expertise na área para a gente desenvolver ações que pudessem evitar ao máximo o contágio na ponta e proteger as comunidades nesse período."

A aliança, que hoje conta com 112 parceiros - entre universidades, empresas, pessoas físicas, médicos, organizações da sociedade civil e organismos unilaterais internacionais -, conseguiu recolher também muitas doações, principalmente de alimentos e produtos de higiene. "Chegaram tantos produtos que tivemos de transformar nosso estacionamento em depósito. Dessa forma, conseguimos atender 4 mil comunidades na Amazônia", diz Val, que articulou doações com uma longa lista de empresas e instituições, como P&G, Unicef, Lojas Americanas e Petrobras.

Nessa pandemia, conseguimos nos reinventar, agregar parceiros e gerar resultados significativos para uma população grande e totalmente dispersa geograficamente, e muitas vezes sem estrutura de saúde"

COMO AJUDAR

Instagram: @fasamazonia

Facebook: @fasamazonia

Telefone: (92) 4009-8900

Email: comunicacao@fas-amazonas.org

Site: fas-amazonas.org/

Na trincheira


Maria Blandina Medeiros Neder, 95 anos, ajudou a confeccionar máscaras para pacientes e profissionais da saúde

Ainda jovem, ela chegou a tricotar luvas e cachecóis para os soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que participaram da Segunda Guerra Mundial, no início da década de 1940. Quase 80 anos depois, agora aos 95 de idade, a aposentada Maria Blandina Medeiros Neder voltou a ser voluntária. Desta vez, porém, na "guerra" contra um inimigo invisível: o novo coronavírus.

Desde abril deste ano, Dona Blandina tem sido uma das cerca de 70 voluntárias do projeto Ajude de Casa RJ, criado ao final de março, primeiro mês de pandemia. Com recursos e materiais angariados por meio de doações, o grupo confeccionou mais de 30 mil máscaras e outros equipamentos de proteção, que foram destinados a pacientes e funcionários de 115 instituições de saúde de todo o Brasil.

A demanda por equipamentos de proteção diminuiu, mas não o ímpeto do coletivo. "Nosso grupo se tornou uma rede de solidariedade que, agora, tem promovido outras ações para ajudar pessoas em situação vulnerável", explica Paula Lima, uma das coordenadoras do Ajude de Casa RJ, juntamente com as amigas Marcia Andrade e Simone Baffini. "Para nós, ficam as lições de solidariedade e de termos percebido a força de um grupo, porque ninguém faz nada só. E mesmo o distanciamento social não nos impediu de ajudar de alguma forma."

Eu quis fazer as máscaras porque achei uma coisa realmente importante. Fiz com muito amor e carinho", diz Maria Blandina

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Alta velocidade


Ester Cerdeira Sabino liderou o sequenciamento genético do coronavírus e ajudou a colocar a ciência brasileira no centro do debate

Era 26 de fevereiro. Nem bem foi confirmado o primeiro caso de covid-19 no Brasil, um alerta precipitou a reunião de uma equipe de cientistas no laboratório central do Instituto Adolfo Lutz, no bairro do Pacaembu, em São Paulo. Liderados pela médica imunologista Ester Cerdeira Sabino, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, eles tinham uma missão: realizar o sequenciamento genético da amostra do vírus que havia chegado ao país.

Foi um recorde. Os pesquisadores conseguiram obter o genoma do Sars-Cov-2 em apenas 48 horas, em um momento em que a média mundial para esse sequenciamento era de 15 dias. O que aqueles cinco cientistas já sabiam, mas que ainda parecia distante da realidade dos 210 milhões de brasileiros, é que aquele trabalho seria apenas a pontinha do iceberg de um ano de muita tensão, extrema dificuldade e exaustíssimas jornadas nos laboratórios. Ciente de que a missão está longe de terminar, Ester nutre uma expectativa para o futuro brasileiro: que a sociedade não se esqueça da importância dos investimentos científicos.

Acho que o impacto na mídia ajudou a recolocar a ciência brasileira no debate público"

Representatividade


Jaqueline Goes, que atuou ao lado de Ester Sabino no mapeamento do coronavírus, trouxe a pauta racial também para o debate

O estudo é resultado de uma "maratona genética". O termo é uma brincadeira que a pesquisadora Jaqueline Goes faz para descrever a maneira como a equipe em que trabalha conseguiu levantar o maior número de dados sobre o vírus, em um período tão curto de tempo, em apenas 48 horas.

"Quando decidimos continuar sequenciando, trabalhamos muito, ficamos noites no laboratório. Depois a equipe começou a demonstrar cansaço, não dava para manter a rotina de virar a noite, voltar para casa, dormir só um pouquinho. Então, diminuímos o ritmo, mas estabelecemos metas semanais. O trabalho que concluímos faz um rastreamento da epidemia em todo o país, e também mostra o comportamento do vírus e suas consequências para nossa população", conta.

Jaqueline se formou em medicina em 2012 e, em seguida, começou a trabalhar como pesquisadora, realizando estudos com HIV. Também realizou trabalhos com doença de Chagas e arbovírus, causadores de dengue, chikungunya e zika. Entre os anos 2015 e 2019, foi diretora do Instituto de Medicina Tropical da USP. Sendo negra e nordestina, se tornou exemplo das lutas feminista e racial. "Inicialmente, eu não tinha noção da força que isso tem em termos de representatividade", diz.

É preciso ter representatividade, é preciso abrir oportunidade para as pessoas pretas ascenderem no país, porque, só aí, vamos mudar a estrutura social"

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Sequência coletiva


Pesquisador Darlan Cândido contribuiu com o maior estudo genômico do novo coronavírus feito no Brasil

De Quixeramobim, interior do Ceará, Darlan Cândido se formou em farmácia e atualmente é doutorando em zoologia na Universidade de Oxford, na Inglaterra. Darlan já tinha experiência com sequenciamento de vírus como os que geraram as epidemias de zika e febre amarela no Brasil. Mas, no início da pandemia, seu trabalho adquiriu proporções ainda maiores quando, integrando a equipe de Ester Sabino, trabalhou no sequenciamento do genoma do coronavírus.

"A partir da informação do genoma do vírus, a gente consegue tirar algumas conclusões sobre a pandemia, como ela se desenvolveu no espaço e no tempo, como o Sars-CoV-2 entrou e se espalhou no Brasil, se está mutando ou não", explica o pesquisador.

"Eu decidi ser farmacêutico quando adolescente porque eu queria ajudar minha comunidade. Depois, na faculdade, percebi que, como pesquisador, poderia ajudar uma população ainda maior. Ter a oportunidade de contribuir com o conhecimento e a resposta científica dentro de uma pandemia, no meu país, é incrível."

O maior estudo genômico do novo coroavírus no país seguiu durante a pandemia, auxiliando tomadas de decisão na área da sáude. "Seguimos sequenciando mais de 400 novas amostras de todo o Brasil, reconstruindo toda a trajetória de dispersão e disseminação do vírus."

Parte da minha educação foi financiada com dinheiro público. É uma experiência incrível poder dar esse retorno dentro do meu país, como cidadão e como pesquisador"

Para vocês, com amor


Com o projeto Flores para Heróis, Margot Pavan e Luly Vidigal prestaram homenagens aos profissionais de saúde que dedicaram sua energia e conhecimento no combate à doença

Abalada com as notícias de que profissionais de saúde estavam sendo atacados nas ruas por conta do risco de disseminação do coronavírus, a editora e criadora de conteúdo Margot Pavan decidu criar a iniciativa Flores para Heróis. Sua ação é um gesto simples, mas cheio de significados: flores entregues nas portas de hospitais de São Paulo, para homenagear e agradecer os profissionais que atuam na linha de frente, em São Paulo.

"Foi um gesto icônico. Dar flores aos profissionais de saúde era um jeito de agradecer, valorizar o trabalho deles, confiar na ciência e acreditar que a gente pode superar esse momento tão complicado que estamos vivendo com esse esforço coletivo", diz Margot.

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"No começo da pandemia, o cenário foi muito pesado. Houve buzinaços em frente a hospitais, até reações no transporte público, em que os profissionais de saúde foram impedidos de acessar ou até agredidos. O Flores para Heróis foi motivado por um desejo de fazer as pessoas verem os profissionais de saúde como pessoas que estavam ajudando, não como agentes transmissores da doença", explica.

Para viabilizar o projeto, Margot se uniu à florista Luly Vidigal e um time de voluntários para iniciar as entregas. Com o objetivo de ajudar pequenos produtores de flores, setor que foi prejudicado por conta da pandemia, Luly entrou em contato com o centro atacadista de flores Veiling Holambra, que se tornou o principal parceiro do projeto. "Nossa equipe trabalhou com todas as recomendações de segurança e conseguimos montar e distribuir mais de 7.500 arranjos de flores, em 12 Instituições que atendiam pacientes de Covid-19 . Isso reacendeu a esperança dentro dos nossos corações", conta Luly.

O projeto ganhou projeção e passou também a realizar distribuição de comida em comunidades em situação vulnerável: "No segundo semestre de 2020, atuamos com esta rede para além da distribuição de flores, levando também comida e EPIs para comunidades e aldeias indígenas que se reinventaram para enfrentar a pandemia. Em Paraisópolis, além de entregarmos flores nos dois centros de isolamento montados em escolas, também entregamos mais de duas toneladas de alimentos e flores para os 500 presidentes de rua, que visitam as casas para identificar situações de vulnerabilidade e sintomas da Covid-19", conta Margot.

Levar flores para os médicos e funcionários da saúde é uma forma agradecer por todo o trabalho, as noites sem dormir, os meses afastados da família para evitar contaminação", pensa Margot

COMO AJUDAR

Instagram: @maglou e @lulyvidigalflores

Facebook: @Flores-Para-Heróis-100711985036372

WhatsApp: (11) 98307-5454

Email: lulyvidigal@gmail.com

Site: http://www.floresparaherois.com.br/

Este é um capítulo da série

Reconstrução

Inspiração em tempos de pandemia

Gerente de conteúdo: Daniel Tozzi

Editor-chefe: Douglas Vieira

Coordenadora de MOV: Ligia Carriel

Editoras: Carol Ito e Juliana Sayuri


Direção de arte: Rene Cardillo e Carol Malavolta

Design: Carol Malavolta


Produção executiva: Tita Tessler

Produção: Talita David


Reportagem: Edison Veiga (Ester Sabino, Jéssica Saraiva, Marcos Mendez, Paulette Cavalcanti de Albuquerque, Thabata Ganga), Gilberto Yoshinaga (Maria Blandina Medeiros Neder), Livia Scatena (Angelita Habr-Gama, Valcleia Solidade), Talita David (Darlan Candido, Margot Pavan)


Editor de redes sociais: Jean Louis Manzon

Editora assistente de redes sociais: Laís Montagnana

Community Manager: Rodolfo Gaioto


Fotos: Arquivo pessoal (Jéssica Saraiva, Darlan Cândido, Maria Blandina Medeiros Neder, Marcos Méndez Quintero, Thabata Ganga); Dimitri Lee (ensaio Território São Mateus - V.I.MMXX); Dirce Quintino/divulgação (Valcleia Solidade); divulgação (Paulette Cavalcanti de Albuquerque); Fernando Moraes/UOL (Ester Cerdeira Sabino, Jaqueline Goes, Luly Vidigal, Margot Pavan); Karime Xavier/Folhapress (Angelita Habr-Gama)