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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Sabia que a faca não é cega?

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Imagem: Getty Images
Claudia Werneck

Claudia Werneck

Claudia é fundadora da ONG Escola de Gente e jornalista. Especializada em comunicação e saúde pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Autora de 14 livros sobre direitos humanos, diversidade e inclusão (WVA) para crianças e pessoas adultas, Claudia já recebeu mais de 60 reconhecimentos e premiações nacionais e internacionais como o Prêmio Direitos Humanos e a Ordem do Mérito Cultural, ambos da Pesidência da República. Seus livros já somam mais de 400 mil exemplares vendidos, em três idiomas (português, inglês e espanhol).

03/12/2021 06h00

A sociedade não é deficiente.
Características humanas não são adjetivos.
Por isso o nó não é cego.
Nem é capenga um projeto que não vai bem.
Assim como não é surda aquela pessoa que insiste em não aceitar seus argumentos.
Deficiência não é doença.
Deficiência é uma condição humana.
Deficiência não é sinônimo de falta.
Deficiência não é sinônimo de imperfeição.
Deficiência não é sinônimo de algo vazio ou incompleto.
O contrário de eficiência é ineficiência.
Há pessoas com deficiência eficientes e ineficientes em uma ou em muitas perspectivas.
O diferente não existe.
A diferente também não.
Porque todo mundo é infinitamente diferente.
A deficiência é uma diferença que dialoga com todas as outras. Pra sempre.
Não existe deficiência pura.
Toda deficiência é composta.
Toda deficiência depende.
Toda deficiência é mutante.
Nenhuma deficiência é binária.
Inclusão não é colocar pra dentro quem tá fora.
Quem ama também discrimina.
Libras sem legenda tá mais na linha do marketing.
Auto descrever-se no início das lives não é audiodescrição.
Discriminar não é apenas eliminar acesso a bens, serviços e direitos.
Discriminar também é dar direitos em excesso, que deixam de ser direitos.
Lágrimas não mudam o mundo, mas deixam feliz quem chora.
Superação é palavra utilizada quando se espera muito pouco daquela pessoa.
Pessoas com deficiência têm direito ao planeta todos os dias, e não apenas em dias de festa.
Direitos atrapalham quando nunca se teve acesso a eles?
Há pessoas com deficiência que nunca foram sujeitas de direito.
Há pessoas com deficiência que não sabem o que é inclusão.
Há pessoas com deficiência que não querem inclusão.
Especial é a palavra que a sociedade usa para designar alguém que ela acredita estar em muita desvantagem e, consequentemente, sempre será um ônus para ela.
A exclusão é um exercício sem fim.
O último estágio de quem se habitua a excluir é o desejo de matar.
Nada é inclusivo se não for plenamente acessível.
A inclusão é um exercício sem fim.
O último estágio de quem se habitua a praticar a inclusão é a sociedade inclusiva.
Não há prêmios para quem pratica inclusão.
Ainda assim, é o único caminho para uma sociedade plena de direitos.
Discriminar se aprende.
Não discriminar também se aprende. Mas quem vai ensinar?
Nem toda discriminação é crime.
Toda discriminação é criminosa.
Discriminação doi.
Discriminação empobrece.
Hoje é o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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