PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Opinião


Opinião

A arte de cultivar o futuro de bem com dinheiro

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Caio Cordeiro

Caio Cordeiro

É formado em Relações Internacionais, especialista em investimentos e educação financeira. Participa na Ação Jovem do Mercado Financeiro e de Capitais, ONG nascida na B3 e no CJE - Comitê de Jovens Empreendedores da Federação das Indústrias de SP. Experiência em Psicologia Econômica, Relações com Investidores, Indicadores de Impacto Social, Teoria de Cenários e financiamento coletivo para projetos de impacto. Gosta de construir futuros desejáveis coletivamente e Hortas.

22/11/2020 04h00

Num momento como o atual, onde as referências estão sendo abafadas e questionadas. Fica quase que contraditório falar de futuro.

Como se uma voz interna perguntasse se vale a pena algum futuro a partir do que temos hoje. Seja pela incerteza de poder sonhar, por desacreditar que faça sentido construir esse futuro desejado ou até mesmo pela falta de energia. Que já está pouca para sobreviver às batalhas diárias.

Mas essa é apenas uma forma de olhar para o futuro, a partir de possibilidades abertas, oportunidades muitas vezes confusas, distantes e complexas.

Existe outra forma de olhar para o futuro! E se olhássemos pelas certezas? Quais são os recursos que são inquestionáveis de um futuro desejado? Aqueles que não trazem dúvidas a ninguém sobre sua necessidade independente do futuro escolhido.

Imagine um agricultor cuidando da terra. Nesse cenário, os recursos essenciais estão muito evidentes: as sementes, água, sol, nutrientes e tempo. Não importa se ele está plantando laranjas ou maçãs. Esses são os recursos essenciais.

Se planejar outro futuro fosse fazer um bolo, quais ingredientes básicos precisaríamos, com certeza, para realizar essa receita?

Mesmo sendo futuros possivelmente dependentes, onde o que foi cultivado pelo agricultor servisse de recurso essencial para a receita do bolo. Quão relevante é, no momento do cultivo, saber se o destino final da safra será um bolo ou um pastel?

Se a intenção é de alimentar um ser vivo, será que a informação do destino é tão relevante, hoje, a ponto de poder ser mais relevante que os ingredientes essenciais?

Partindo disso, para olharmos para o nosso futuro, temos que nos fazer a seguinte pergunta: quais são nossos recursos essenciais hoje? Quais realmente precisamos para a receita de qualquer futuro?

Me arrisco a citar três desses recursos essenciais: Dinheiro, tempo e saúdes.

O dinheiro é a forma que nos compararmos, que trocamos. Hoje ele é essencial, seja para sobreviver, seja para poder se arriscar. Sem entrar no mérito se é fim ou meio, velocidade ou impulso. O dinheiro é necessário para qualquer futuro partindo de hoje, mesmo reconhecendo que já vivemos apenas de trocas no passado. E que caso ele deixasse de existir, vários conflitos e traumas que nos afetam hoje, poderiam ser aliviados.
É muito importante pensarmos como o dinheiro nos afeta e principalmente qual papel queremos pra ele em nossas vidas?

O tempo, como um recurso que não nos pertence, mas que nos foi dado. É algo que podemos usar, mas nunca ter. O tempo que é tanto a hora exata que o bolo fica pronto para comermos ainda quentinho, quanto o período de cozimento que não podemos acelerar.

Que podemos somente para nós ou também para e com o outro, sendo um tempo relaxado, acelerado, em silêncio ou numa tela.

Quando temos tempo pra pensar sobre como gastamos nosso tempo?

Saúdes: corpo, mente e espírito vistos juntos. Como tem sido nosso autocuidado? Temos 15 minutos de qualidade em nosso dia que sejam somente nossos?

Chamo a atenção para o tema das saúdes para que possamos perceber se estamos minimamente em condições para fazer a receita, minimamente estruturados para poder esperar o tempo de cozimento e por fim, dispostos a desenhar e andar no caminho dos nossos sonhos. E, definitivamente, isso não quer dizer andar nos nossos limites na maior parte do tempo.

Entendo que são pontos simples e quase óbvios, ao mesmo tempo, quantas vezes paramos para pensar sobre nosso futuro, olhando para esses recursos essenciais?

Sei também que vivemos realidades e possibilidades muito diferentes, mas, independentemente disso, os ingredientes básicos necessários para cultivar o futuro são comuns, ainda que em quantidade, em momentos e com importâncias diferentes.

Faz sentido economizarmos R$ 20 reais em compras de mercado, mas investir 1 hora pra ir e voltar de um mercado mais longe? Se sim, até onde vale a pena ir? Temos tempo pra fazer essa conta?

Inúmeras são as vezes que passamos horas na frente de telas, celulares e computadores, muitas vezes para ganhar tempo, mas o que estamos fazendo com esse tempo que ganhamos?

Olhando para dentro de nós, para nossa vida hoje, para os mundos que desejamos construir, as causas que acreditamos, as pessoas que queremos cuidar e os grupos que pertencemos. Será que estamos investindo bem nossos recursos ao pensarmos construções de futuros complexos? Será que damos a atenção aos recursos essenciais para esses futuros possíveis?

Já parou pra pensar: Quais recursos são essenciais para você?

Opinião