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Milo Araújo

Erros básicos de um ciclista urbano

Milo Araújo

08/01/2021 04h00

A cidade de São Paulo está em constante construção, assim como sua malha viária, Esta necessita de vários ajustes para melhorar a convivência entre todas e todos que dela fazem uso. Isto dado, é fato que precisamos conviver com o máximo de harmonia no trânsito possível para que a segurança seja uma constante, afinal, estamos inseridos intimamente neste contexto, seja estando como ciclistas, pedestres ou motoristas. Dentro dessa eterna dinâmica do trânsito, vejo alguns pontos em que vários ciclistas pecam que valem a pena serem apontados, pois prejudicam o relacionamento no trânsito, colaborando com que haja uma eterna rixa entre os usuários dessa malha viária.

1 - Andar na contramão.

Você, ciclista, quando anda na contramão de uma via, não só põe em risco sua vida como a dos outros também. Andar na contramão faz com que o motorista, seja ele de carro, motocicleta, ônibus ou caminhão, se depare com uma ação totalmente inesperada, podendo causar um acidente. Por mais que o motorista tenha total atenção - já que o curso de CFC dispõe de direção defensiva e sabemos que todos motoristas que cursaram tiraram nota 10 (aviso de ironia) - essa é uma situação que devemos evitar. Claro, devido à má gerência na criação de algumas ciclovias, algumas delas terminam do nada e acabamos nos deparando com uma situação adversa, tendo que entrar em uma via na contramão para darmos continuidade no nosso trajeto. Mas aconselho nesse momento sair da bicicleta e caminhar pela calçada, ou procurar um caminho alternativo. Por mais que, como um bom brasileiro, sempre achemos que estamos atrasados e que qualquer minuto perdido é custoso, vale a pena parar, dar uma respirada e voltar ao ritmo.

2 - Andar no meio fio

Um ponto que todo ciclista experiente tenta passar para um ciclista iniciante e que é de suma importância para a segurança nas vias é NÃO ANDAR NO MEIO FIO. Ao se locomover no meio fio, o ciclista não está se protegendo dos carros, pelo contrário. Está se colocando em maior risco. Ao andar no meio fio, a possibilidade de você cair é maior, pois existe um desnível entre o meio fio e a borda da via à sua esquerda, pois ela é feita para escoamento de água e não para circulação de um veículo. Pasmem, bicicleta também é um veículo, de acordo com o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) e tem todo direito de circular na via da direita como qualquer veículo. Não é a direita que deve circular veículo de menor velocidade? Então cabe ao ciclista tomar a faixa e andar ao meio dela, assim se posicionando visivelmente para que o motorista o veja e faça a ultrapassagem corretamente, dando 1,5m de distância do ciclista como está explicado de forma muito transparente no CTB, evitando assim que também o ciclista tome aquela fina educativa que pode fazer com que se desequilibre e caia.

3 - Circular pelas calçadas

Sabemos que alguns ciclistas têm medo de se posicionar na via que lhe é direito e acabam por circular pelas calçadas, principalmente iniciantes, idosos ou pessoas que estejam com crianças. Mas devemos evitar esse comportamento, pois acaba-se dando margem para que motoristas desinformados não reconheçam que ele tem que dividir a via com o ciclista. Lugar de bicicleta é na rua, como qualquer veículo. Ao circular pelas calçadas, coloca-se em risco os pedestres, que na cadeia do maior para o menor, deve ser cuidado pelo ciclista. Locomovendo-se fora da calçada, o ciclista terá uma rolagem melhor, pois sabemos também que as calçadas tem desníveis, buracos que podem fazer com que se desequilibre e possa cair, provocando até fraturas.

4 - Discutir com motoristas e pedestres

Esse é um ponto em que a resolução tem que ser a mais simples, seja você ciclista, estando certo ou não. Aqui prevalece a humildade em pedir desculpas e seguir o caminho. Não vai adiantar discutir e querer mostrar seu ponto no calor do momento. Nesse caso, é possível que um conflito só vai atrasá-lo ou até mesmo levar a um conflito maior. É difícil encarar o trânsito, se expor às adversidades que ele nos impõem. Numa cidade em que nossas exigências para uma melhoria viária são postergadas e acabam sem fiscalização, não podemos ficar batendo de frente entre a gente, pois na grande maioria, somos pedestres e motoristas ao mesmo tempo. E isso leva ao ponto seguinte.

5 - Não participar de audiências públicas

Falhamos em não nos posicionar politicamente. Ao não nos posicionarmos em audiências públicas, não conseguimos ter uma melhoria que possivelmente poderíamos sugerir para nosso bairro. Sugiro a todos ficarem atentas e atentos ao site da sua prefeitura de São Paulo.

Sempre que uma ciclovia vai ser criada, um rua recapeada ou uma via consertada, são feitas consultas públicas no site do seu município. Então, de tempos em tempos, vale a visita para dar sua sugestão para a melhoria da malha viária, Não é fácil. Existe uma morosidade nos processos, mas creio que quanto mais gente se posicionar e cobrar dos nossos representantes que nossos direitos sejam acatados e postos em prática, melhor será a convivência para todos e todas no trânsito. Faça valer o seu direito de cidadão e procure exercer empatia com o próximo. Deixemos o egoísmo de lado e busquemos aqui uma melhor convivência para todos.