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Julie Dorrico

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Obra de autoria indígena é selecionada no edital Leia Para uma Criança

Capa do livro "Olhos do Jaguar" - Editora Jujuba
Capa do livro "Olhos do Jaguar" Imagem: Editora Jujuba
Julie Dorrico

Julie Dorrico é doutora em teoria da literatura na PUC-RS. Autora da obra "Eu sou macuxi e outras histórias" (Caos e Letras, 2019) que venceu o 1º Lugar no Concurso Tamoios de Novos Escritores Indígenas, promovido pelo Instituto UK'A e Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ, 2019). Descendente do povo macuxi (Roraima). Organizadora da Coleção Memórias Ancestrais, obras de autoria indígena, pela Editora Tekoha (2021). Este é um espaço-terreno para reflorestar simbolicamente a educação brasileira. Buscando fortalecer o uso da lei 11.645/2008 que tornou obrigatório o ensino das culturas e histórias afro e indígenas em todo currículo escolar, esta coluna busca compartilhar iniciativas, projetos e temas indígenas que possam fortalecer a educação étnico-racial no país.

06/10/2021 06h00

O Itaú Social anunciou em setembro as duas obras contempladas no edital Leia Para uma Criança 2021. Este ano, a edição teve foco na temática indígena e negra, e, para além da temática, selecionou dois autores de identidade indígena e negra, avançando na inclusão social de sujeitos étnico-raciais na cultura brasileira. A obra indígena escolhida foi "Os olhos do jaguar", do escritor pertencente ao povo Maraguá, Yaguarê Yamã, e ilustrações de Rosinha, publicado pela editora Jujuba, em 2014.

A obra de autoria negra foi "Enquanto o almoço não fica pronto", de Sonia Rosa, com ilustrações de Bruna Assis Brasil, publicado pela editora Zit, em 2020.

Os olhos do Jaguar

"Os olhos do jaguar" é uma história Maraguá e Sateré, povos indígenas que se localizam no estado do Amazonas, contada pelos mais velhos ao longo de gerações. A obra tematiza a arrogância, representada pelo protagonista jaguar, que se acha mais forte que todos os outros animais da floresta; a destreza do tatu, que mesmo menor mostra que também sabe atacar; e o inhambu-relógio, que graças à sua solidariedade ganha um presente precioso do jaguar. A narrativa explica por que o jaguar tem os olhos no formato e cor específicos, e o inhambu-relógio, em uma parte de seu corpo, pintas.

A obra traz no próprio enredo vocábulos em língua maraguá, com tradução simultânea em português. Aprendemos que o çahu é o tatu, o diurã é o tamanduá-bandeira, e assim o leitor vai praticando um pouco da língua maraguá até o fim da história. Trazer outra língua no corpo do texto é positivo, pois instiga o leitor ao contato com uma língua indígena, dentre as 274 (IBGE, 2010) existentes no território nacional. Também apresenta ilustrações que traduzem a aventura dos animais na floresta de forma mágica, prendendo o leitor na beleza das cores e dos desenhos.

Indicada ao público infantil e juvenil, "Os Olhos do Jaguar" ensina a criança, a partir das aventuras ancestrais dos animais da floresta, como é importante tratar bem os outros, independente de tamanho e habilidade, para que sejamos acolhidos quando estivermos precisando de ajuda.

Yaguarê Yamã

O escritor Yaguarê Yamã pertence ao povo Maraguá por parte de mãe, e Sateré por parte de pai. É formado em geografia pela Universidade de Santo Amaro, localizada na cidade de São Paulo. Exerce várias outras funções como ilustrador, professor, palestrante e ativista da causa indígena.

Possui cerca de 30 obras publicadas desde o início de sua carreira, no ano de 2001. Alguns premiados no Brasil e no exterior, tais como: "Sehaypóri, contos da floresta" (Peirópolis, 2007), com o Seleção White Ravens; "Yaguarãboia, a mulher-onça" (LeYa, 2013), com o Selo FNLIJ; entre outros.

O escritor busca difundir a língua nheengatu por meio de dicionários e outros materiais. Em 2020, lançou o dicionário de Ny??gatú, em colaboração com Elias Yaguakãg, Egídia Reis e Mário José, pela editora Cintra.

Atualmente reside na Área Indígena Maraguapajy, no rio Abacaxis, município de Nova Olinda do Norte.

Distribuição das obras

O Itaú Social prevê a distribuição de dois milhões de unidades desses dois títulos em livro impresso para organizações da sociedade civil, escolas públicas, secretarias municipais de educação, bibliotecas comunitárias e outros órgãos públicos. Para solicitar os respectivos livros basta se inscrever no site do Itaú Social.

Impacto Social Indígena na cultura brasileira

Com a distribuição de 1 milhão de exemplares da obra indígena "Os olhos do jaguar", a palavra indígena alcança um número expressivo de leitores não indígenas e indígenas que poderão conhecer a literatura indígena no formato do livro impresso, existente há cerca de 3 décadas no país.

Esta inclusão social, de autoria e temática, somam na luta indígena que busca demarcar cada vez mais a cultura brasileira com a presença da identidade e corpos indígenas. Você pode adquirir a obra aqui: Os olhos do jaguar - Jujuba Editora.

Redes Sociais de Yaguarê Yamã

Facebook: Yaguarê Yamã Aripunãguá | Facebook

Instagram: Yaguarê Yamã Aripunãguá (@yaguareyama_escritor) ? Fotos e vídeos do Instagram;

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL