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Eduardo Carvalho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Museu do Amanhã

Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo
Imagem: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo
Eduardo Carvalho

Edu Carvalho é jornalista. Coleciona em sua bagagem de 22 anos participações em eventos como Onda Cidadã, a Bienal do Livro no Rio, Flip e Flup, mostrando seu trabalho ao retratar assuntos do dia-a-dia em sua escrita sobre o Rio e o Brasil. Indicado ao Prêmio Faz Diferença; Vencedor do Prêmio Vladimir Herzog em 2019. Atuou como integrante da equipe de criação do Conversa com Bial, série Segunda Chamada e foi repórter na CNN Brasil.

25/05/2022 06h00

Você lembra como era sua vida antes da pandemia, lá atrás? Sim? Não? O que importa é que já delimitamos o AC/DC, e, portanto, um corte foi feito, um X no calendário. E desde então não deu outra, é a velha frase de Otto Lara Resende: "Ultimamente, passaram-se muitos anos", e desses anos, vidas a contar e perder de vista, infelizmente.

Dividimo-nos em dor, abdicação e tristeza, com algumas ressalvas. Mas não há quem passe totalmente ileso por um dos períodos mais sombrios de nossa História. E é justamente para fazer valer a história, com H maiúsculo, que uma iniciativa visa não deixar apagar o presente, colocando-se a registrar de maneira atual o que houve — e ainda acontece — nos dias pandêmicos, sobretudo em nosso país.

Com esse propósito, nasce o Museu Brasileiro da Pandemia, para ser memória, fonte para o conhecimento e uma porta para garantir que os fatos narrados e discutidos nunca voltem a se repetir. Como um casamento entre reflexão, respeito e empatia, com um princípio único e primordial: ser guardião e jamais jogar para debaixo do tapete os Direitos Humanos.

"Olhar para esse momento é tão doloroso quanto vivê-lo, porém sabemos que é preciso conhecer para proteger. Assim temos a missão de propor meios para transformar aqueles indivíduos que atravessarem nossa porta digital, para que sejam sensivelmente conectados aos outros que se curaram, que foram curados, que se foram. Através de histórias, com dados, com fatos e com muito trabalho, construiremos muitas portas para o conhecimento, caminhos para não repetirmos erros, caminhos para uma sociedade capaz de proteger o outro’’ diz a carta de apresentação da iniciativa, capitaneada pelo dentista e mobilizador Fábio Bibancos e seu filho, o ator Bernardo Bibancos. Junto a eles, um time de profissionais da saúde, educação, artes, jornalismo e outras ciências.

O Museu Brasileiro da Pandemia nasce com a perspectiva de entender a pandemia no contexto da História brasileira e sob a perspectiva dos impactos nos grupos sociais em situação de maior vulnerabilidade. Com uma linguagem vinculada à promoção da verdade e da memória, o museu tem o objetivo de reforçar o ideal do conhecer para não repetir (cultura do "nunca mais"), tanto sob o ponto de vista de sensibilização sobre a relevância das mudanças climáticas como causa do surgimento de pandemias, como em relação às políticas públicas que resultaram em violações de direitos humanos no enfrentamento da crise sanitária.

Assumindo o papel de construir uma memória individual e coletiva, o Museu parte em busca de toda e qualquer contribuição para dar o pontapé inicial por meio de uma vaquinha online. A ação chega ao debate público como forma de resposta cívica à necessidade e urgência de fazer justiça aos brasileiros cujas vidas foram ceifadas pela disseminação do vírus. E não para: o projeto tem como objetivo potencializar diversas iniciativas de solidariedade e cooperação desenvolvidas pelo povo ao longo da pandemia

Sua estrutura funciona em três eixos: memória, igualdade e saúde. Na plataforma digital, o projeto será desenvolvido em fases, com salas virtuais que serão progressivamente abertas, conforme a disponibilidade de recursos. E você pode (e deve) contribuir com a empreitada

Pensar o presente, frente ao futuro e nunca esquecer do passado. Na construção e reflexão sobre nossas escolhas coletivas que mudarão um país, levar em consideração onde estivemos, o que enfrentamos, para que os impactos não sejam vividos novamente — ou ao menos com menor impacto. Na disposição de novos horizontes, saudar os que partiram, enfatizando a vida que ainda percorre. ‘’Os filhos dos filhos dos nossos filhos verão’’.