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Bianca Santana

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Queremos uma presidenta em 2022!

Jacinda Ardern, primeira-minsitra da Nova Zelândia, é exemplo de liderança no combate à covid-19 - Hannah Peters/Getty Images
Jacinda Ardern, primeira-minsitra da Nova Zelândia, é exemplo de liderança no combate à covid-19 Imagem: Hannah Peters/Getty Images
Bianca Santana

Bianca Santana é jornalista. Autora de "Quando me descobri negra" e organizadora de coletâneas sobre gênero e raça, foi convidada da Feira do Livro de Frankfurt em 2018 e da Feira do Livro de Buenos Aires em 2019, quando também foi curadora do Festival Literário de Iguape. Pela UNEafro Brasil, tem contribuído com a articulação da Coalizão Negra por Direitos. No doutorado em ciência da informação, na Universidade de São Paulo, pesquisou a escrita e a memória de mulheres negras. Foi professora da Faculdade Cásper Líbero e da pós-graduação em jornalismo multimídia na Faap. Atualmente, está escrevendo uma biografia sobre Sueli Carneiro.

16/02/2021 10h45

"Aprendemos a administrar a escassez e, como Cristo, temos multiplicado o pão em nossas mesas. Milagres que os nossos economistas não sabem realizar", escreveu Sueli Carneiro, no ano 2000, para o seminário "Por um tempo feminino". Com o Brasil de volta ao mapa da fome e governantes brincando de armar a população, precisamos que as mulheres assumam o comando do país.

Tem sido notícia durante a pandemia como países governados por mulheres se destacaram no enfrentamento ao coronavírus. Nova Zelândia, Alemanha, Taiwan, Islândia e Noruega. A notícia mais recente, do domingo 14 de fevereiro, é de que a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, decretou um lockdown de três dias em Auckland, maior cidade do país, depois do registro de três casos de covid-19.

Não é curioso que as mulheres fossem 70% dos profissionais de saúde do mundo e apenas 10, dos 153 chefes de Estado, em 2018?

Reproduzir estereótipos de gênero não é minha intenção, mas reconheço o fato de que temos sido educadas, ao longo da história, a cuidar. O que muitas vezes significa opressão para as mulheres, resulta em afeto, comida, casa limpa e roupa lavada. Sabemos cuidar. E enquanto rompemos com o machismo e o sexismo que nos oprimem, podemos colocar nossa experiência de cuidado a serviço da sociedade, inspirando homens ao cuidado também.

É evidente que não falo sobre eleger mulheres comprometidas com a reprodução do patriarcado! Mas sobre mulheres que trabalham coletivamente pela justiça racial e social, pela liberdade e os direitos de todas as pessoas.

Chega de tanto homem branco, apresentado pela direita e pela esquerda, como solução para o país. Queremos uma presidenta feminista antirracista em 2022.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL