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Bianca Santana

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Casa Sueli Carneiro é espaço de celebração, formação e memória

Divulgação
Imagem: Divulgação
Bianca Santana

Bianca Santana é jornalista. Autora de "Quando me descobri negra" e organizadora de coletâneas sobre gênero e raça, foi convidada da Feira do Livro de Frankfurt em 2018 e da Feira do Livro de Buenos Aires em 2019, quando também foi curadora do Festival Literário de Iguape. Pela UNEafro Brasil, tem contribuído com a articulação da Coalizão Negra por Direitos. No doutorado em ciência da informação, na Universidade de São Paulo, pesquisou a escrita e a memória de mulheres negras. Foi professora da Faculdade Cásper Líbero e da pós-graduação em jornalismo multimídia na Faap. Atualmente, está escrevendo uma biografia sobre Sueli Carneiro.

19/03/2021 04h00

Imagine Sueli Carneiro e Cidinha da Silva conversando na sala de uma casa, e então chega Luiza Bairros. No quintal, Arnaldo Xavier finaliza um poema. Enquanto na cozinha, Jurema Werneck, Lucia Xavier e Nilza Iraci preparam a feijoada. A casa onde Sueli Carneiro viveu por 40 anos foi abrigo para partilhas de intelectuais e ativistas do movimento negro e do movimento de mulheres negras por décadas. Reuniões e celebrações importantes aconteceram no sobrado geminado do Butantã, próximo à Cidade Universitária, que recebeu até um terreiro de candomblé. Ativistas e intelectuais de todo o país, que precisavam de abrigo, passaram temporadas no espaço onde Sueli Carneiro escreveu sua obra.

Abrir as portas para abrigar institucionalmente variadas expressões de ativismo e intelectualidade negra é o objetivo da Casa Sueli Carneiro. Assim como organizar, digitalizar e tornar acessíveis documentos, fotografias, recortes de jornal e atas de reuniões para pesquisadoras e pessoas interessadas na nossa história. Movimentando o legado de Sueli Carneiro, que vai de performances e peças de teatro a teses de doutorado e novos livros. Oferecendo atividades formativas variadas a partir de epistemologias negras.

Nestes dias difíceis de Brasil, estamos trabalhando para abrir as portas e mostrar o que temos de mais bonito: conexão com nossa ancestralidade e memória; repertório de luta do movimento negro e do movimento de mulheres negras.

Nós, falando por nós, para toda a sociedade. Pavimentando caminhos para futuros de liberdade, solidariedade e justiça.

Que honra compor, com Luanda Carneiro Jacoel, Ana Letícia Silva e Natália Sena Carneiro, a equipe da Casa Sueli Carneiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL