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Pedido negado: por que está mais difícil comprar um carro financiado

Com inadimplência em alta, os bancos estão mais rigorosos na aprovação de crédito  - iStock
Com inadimplência em alta, os bancos estão mais rigorosos na aprovação de crédito Imagem: iStock
Paula Gama

Jornalista especializada no mercado automotivo desde 2014, Paula Gama tem 28 anos e avalia diversos modelos no Brasil e no exterior. Nesta coluna, você terá opiniões sinceras sobre os lançamentos, cultura automotiva, tendências e análises de comportamento do consumidor.

Colaboração para o UOL

05/08/2022 04h00

Para quem está à espera de um momento mais oportuno para trocar de carro, o dia parece nunca chegar. Desde o início da pandemia, o desabastecimento mundial de peças necessárias para a construção de automóveis fez com que os preços subissem. Paralelamente à falta de matéria-prima, os juros estão cada vez mais altos, a inadimplência cresce e os bancos são mais criteriosos na aprovação de crédito. Um cenário desastroso para quem precisa de um financiamento para comprar um veículo.

De acordo com dados da Anfavea - associação das montadoras de veículos -, historicamente, a cada dez pedidos de aprovação de crédito automotivo, entre seis e sete eram aprovados. Nos últimos meses, no entanto, pouco mais da metade das fichas estão sendo efetivadas.

Cassio Pagliarini, da Bright Consulting, avalia que o cenário econômico atual explica a mudança, já que a inadimplência no financiamento automotivo chega a 4,5%.

"As taxas de juros estão altíssimas, chegando a mais de 27% ao ano. Devido a essa e outras dificuldades do mercado - como redução das remunerações das famílias - a inadimplência cresceu. Com isso, os bancos estão sendo mais rigorosos para aprovar crédito, o que explica a redução do número de clientes passando na peneira", explica.

De acordo com especialistas, nesse imbróglio ainda há uma outra situação: quando o consumidor até tem o crédito aprovado, mas não tem condições financeiras para atender às exigências dos bancos, como entradas mais robustas e parcelas mais altas do que esperava.

Segundo Pagliarini, o pagamento via financiamento já chegou a representar dois terços das vendas de veículos no passado, atualmente, porém, não chega a 40% das transações.

"Definitivamente está mais difícil comprar um veículo novo, principalmente para quem precisa financiar: o preço e as taxas de juros subiram e o crédito está mais escasso. Esse é um dos motivos de estar crescendo a procura por assinatura de veículos, pois a pessoa usufrui sem contrair a dívida e não precisa de aprovação de crédito, mesmo que pague mais caro por isso", opina Pagliarini.

Juros altos, estoques baixos

Com a taxa Selic em 13,75%, os juros de financiamentos são empurrando para cima. Para se ter uma ideia, a taxa de juros média cobrada pelos bancos para crédito automotivo chegou ao patamar de 27,2% ao ano em abril de 2022, de acordo com dados do Banco Central. Em 12 meses, os juros cresceram 5,9%.

Com o crédito mais caro e a economia patinando, a inadimplência também cresce. Para Andretta Jr., presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o cenário pode impactar mais os números do mercado automotivo no próximo ano, quando os estoques de veículos se equilibrarem à procura.

"A taxa de financiamento está mais cara e houve uma queda na aprovação de crédito, mas, por hora, isso não está afetando as vendas de veículos. Isso porque o problema hoje é a falta de produto, ou descasamento da oferta com a necessidade do consumidor. Quando os estoques de carros forem o suficiente para atender à demanda, teremos uma real noção do impacto da restrição de crédito nas vendas de veículos", analisa.

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