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Por que Duster, HB20 e Ka levaram nota 0 em teste de impacto do Latin NCAP

Duster levou nota zero em teste de impacto divulgado no mês passado, já sob o protocolo mais rígido; em 2019, SUV idêntico foi aprovado - Reprodução
Duster levou nota zero em teste de impacto divulgado no mês passado, já sob o protocolo mais rígido; em 2019, SUV idêntico foi aprovado
Imagem: Reprodução

Paula Gama

Colaboração para o UOL

13/09/2021 04h00

Após o Latin NCAP anunciar, em outubro do ano passado, o novo protocolo para testes de impacto, todos os veículos à venda no Brasil avaliados pelo instituto independente de segurança viária levaram nota zero. A lista inclui Ford Ka e Hyundai HB20 e, mais recentemente, Renault Duster.

Os mesmos carros, em configuração idêntica, receberam aprovação em testes anteriores do instituto, contudo seguindo parâmetros menos exigentes. Na ocasião, foram atribuídas ao trio notas entre três e quatro estrelas, das cinco possíveis. A pergunta que não quer calar é: quais foram as alterações que transformaram as notas finais desses modelos?

Uma das principais mudanças que zeraram a nota é que o novo protocolo não tem mais uma classificação por estrelas separada para adultos e crianças.

Agora, uma única classificação por estrelas integra quatro aspectos das avaliações em áreas-chave: proteção de ocupante adulto; proteção de ocupante infantil; proteção de pedestres; e tecnologias de assistência de direção. Para se ter uma boa pontuação, é necessário ir bem nos quatro aspectos.

Ir muito mal em algum dos quesitos, especialmente no que se refere a problemas estruturais decorrentes do impacto, é quase garantia de nota zero.

"Baixo desempenho em apenas um aspecto significa um resultado final baixo, mesmo que os outros três ofereçam bom desempenho", alerta o Latin NCAP.

Equipamentos

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Itens de série como controle eletrônico de estabilidade, lembretes do uso de cintos de segurança dianteiros e traseiros, proteção de pedestres e melhor proteção contra impactos laterais aumentaram a respectiva importância no novo protocolo.

Além disso, equipamentos como frenagem autônoma de emergência, sensor de ponto cego, assistente de permanência em faixa e detecção de borda de estrada também recebem pontos. A grande questão é que o Latin NCAP testa apenas as versões de entrada de cada modelo, e no mercado brasileiro esse tipo de equipamento é oferecido em versões mais caras.

Para receber estrelas

HB20 (foto) e Ka zeraram nota em teste do Latin NCAP no ano passado sob critérios mais rígidos - Reprodução - Reprodução
HB20 (foto) e Ka zeraram nota em teste do Latin NCAP no ano passado sob critérios mais rígidos
Imagem: Reprodução

Apesar de as novas regras estarem valendo desde 2019, o programa de avaliação garante que as montadoras estão cientes das mudanças desde 2016.

"Com este novo protocolo, o Latin NCAP está muito próximo do Protocolo Euro NCAP de 2014. Em alguns aspectos está acima, em outros nem tanto", afirma.

Nessa primeira etapa de aplicação, para obter um resultado de cinco estrelas, é necessário obter, simultaneamente, uma pontuação mínima de 75% na proteção de ocupantes adultos; pelo menos, 80% em proteção de ocupantes infantis; 50% em proteção de pedestres; e, no mínimo, 75% dos pontos em tecnologias de assistentes de segurança. O Latin NCAP aumenta a porcentagem de pontos necessários em cada aspecto ao longo dos anos.

Histórico

Os testes do Latin NCAP começaram em 2010. Até 2012, apenas o teste de colisão frontal era avaliado, com uma pontuação mínima de 16 pontos para a obtenção das 5 estrelas. Em 2013, para se atingir as 5 estrelas, passou a ser obrigatório submeter-se à colisão frontal com no mínimo 14 pontos, mas o carro também deveria cumprir a exigência de teste lateral da norma ONU UN95, ter ABS e alerta para uso de cintos nos bancos dianteiros.

Em 2016, as 5 estrelas passaram a ser condicionadas a uma segurança mínima na colisão frontal e lateral - em ambas, era necessário atingir pelo menos 27 pontos. Além disso, o carro deveria ter controle de estabilidade e, se houvesse airbag lateral, ser avaliado em impacto de poste.

Passageiro infantil

De 2010 a 2013, foi realizada apenas a avaliação de colisão frontal, além da compatibilidade do sistema de cadeirinhas e equipamentos do carro. Em 2014, foram incorporados os testes mais avançados, incluindo a avaliação na colisão frontal e também na instalação de diversos tipos de cadeirinhas.

Em 2016, os carros começaram a ser avaliados de acordo com as colisões frontal e lateral, além da capacidade de se encaixar cadeirinhas mais exigentes. Os testes passaram, então, a utilizar bonecos infantis para maior precisão.

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